24/10/2026
Criança – Maravilha de Deus
Criança – Maravilha de Deus

Criança – Maravilha de Deus

Bom Dia SC – Isagogicamente, a criança avulta entre as mais belas manifestações do amor de Deus pela humanidade. Em sua inocência, pureza e espontaneidade, encontramos sinais da presença divina, que se revela na simplicidade da vida e na grandeza dos pequenos gestos. Cada criança que nasce representa uma nova esperança, uma oportunidade de renovação e a continuidade do milagre da criação. Seu sorriso ilumina os ambientes, sua alegria contagia os corações e sua capacidade de amar nos recorda que a felicidade verdadeira reside nas coisas mais simples da existência.

Destarte, ao contemplarmos uma criança, percebemos a extraordinária sabedoria do Criador. Na delicadeza de suas mãos, no brilho de seus olhos e na ternura de suas expressões, descobrimos a beleza de uma obra divina que ultrapassa nossa capacidade de compreensão. A criança chega ao mundo trazendo consigo possibilidades infinitas, sonhos ainda não revelados e uma missão singular a cumprir. Não é apenas o futuro da humanidade, mas uma presença viva e transformadora no presente, capaz de despertar sentimentos nobres e ensinar lições profundas aos adultos.

Outrossim, Jesus Cristo reconheceu a importância e a dignidade das crianças ao afirmar: “Deixai vir a mim os pequeninos, e não os impeçais, porque dos tais é o Reino dos Céus” (Mateus 19:14). Essas palavras revelam que a infância ocupa um lugar especial na espiritualidade cristã. Ao acolher os pequenos, Jesus demonstrou que a grandeza humana não está no poder, na riqueza ou no prestígio, mas na humildade, na confiança e na sinceridade do coração.

A criança possui uma capacidade admirável de contemplar o mundo com encantamento. Para ela, uma flor que desabrocha, uma borboleta que atravessa o jardim, uma estrela que brilha no céu ou uma simples brincadeira podem representar experiências extraordinárias. Seu olhar ainda não está condicionado pelos interesses, pelas preocupações e pelos preconceitos que frequentemente limitam a sensibilidade dos adultos. Por isso, conviver com crianças significa redescobrir a beleza da vida e aprender novamente a admirar aquilo que a rotina nos fez esquecer.

Entretanto, reconhecer a criança como maravilha de Deus exige muito mais do que palavras de admiração. Implica assumir responsabilidades concretas para garantir sua proteção, seu desenvolvimento e sua felicidade. Toda criança tem direito de crescer em um ambiente de amor, respeito, segurança e dignidade. Necessita de alimentação adequada, assistência à saúde, educação de qualidade, oportunidades de brincar e, sobretudo, vínculos afetivos que fortaleçam sua autoestima e sua confiança no mundo.

De sua parte, a família desempenha papel fundamental nessa missão. É no ambiente familiar que a criança encontra, idealmente, suas primeiras referências de amor, solidariedade, convivência e responsabilidade. Os exemplos transmitidos pelos pais e responsáveis possuem força educativa muitas vezes superior aos discursos. Uma atitude de generosidade, um gesto de perdão, uma palavra de incentivo ou um abraço sincero podem permanecer na memória infantil por toda a vida. Educar, portanto, não significa apenas estabelecer limites e transmitir conhecimentos, mas cultivar valores que orientem a formação de seres humanos conscientes, sensíveis e comprometidos com o bem.

Criança – Maravilha de Deus
Criança – Maravilha de Deus

Ao lado da família, a escola assume uma função indispensável. Educar uma criança é reconhecer suas potencialidades, respeitar suas diferenças e proporcionar condições para que desenvolva plenamente suas capacidades intelectuais, emocionais, sociais e espirituais. Cada aluno possui seu próprio ritmo, suas habilidades e suas particularidades. Cabe aos educadores criar oportunidades para que todos se sintam acolhidos e valorizados, compreendendo que a verdadeira educação não se limita à transmissão de conteúdos, mas envolve a formação integral da pessoa humana.

Faz-se mister lembrar, ainda, de que a infância não pode ser reduzida à preparação para a vida adulta. A criança tem o direito de viver intensamente essa etapa única da existência. Brincar, imaginar, explorar, perguntar, descobrir e conviver são experiências fundamentais para seu desenvolvimento. Nas brincadeiras, ela exercita a criatividade, aprende a compartilhar, enfrenta pequenas frustrações e constrói relações. O tempo da infância possui valor próprio e não deve ser sacrificado pelas exigências de uma sociedade cada vez mais apressada e competitiva.

Contudo, infelizmente, milhões de crianças ainda enfrentam situações incompatíveis com sua dignidade. A pobreza, a violência, o abandono, a exploração, a discriminação e a ausência de oportunidades comprometem o desenvolvimento infantil e revelam profundas contradições sociais. Não basta reconhecer a infância como uma bênção divina enquanto tantas crianças permanecem privadas de direitos fundamentais. A fé, quando verdadeiramente compreendida, deve traduzir-se em atitudes de solidariedade, justiça e compromisso com aqueles que mais necessitam de proteção.

Nesse contexto, o cuidado com as crianças constitui uma responsabilidade compartilhada entre famílias, comunidades, instituições religiosas, escolas, organizações sociais e poder público. A defesa da infância precisa ocupar lugar central nas prioridades da sociedade. Investir em educação, saúde, assistência social, cultura, esporte e proteção significa construir as bases de um futuro mais humano e fraterno. Toda iniciativa destinada a assegurar melhores condições de vida às crianças representa também um investimento na paz, na cidadania e na esperança.

Todavia, há dimensão ainda mais profunda na presença infantil: a capacidade de transformar espiritualmente aqueles que convivem com os pequenos. A criança ensina, mesmo sem perceber, a importância da confiança, da autenticidade e do perdão. Quantas vezes, depois de uma pequena desavença, ela retorna à brincadeira com naturalidade, sem conservar ressentimentos? Quantas vezes expressa carinho sem esperar recompensa? Quantas vezes encontra motivos para sorrir em circunstâncias que os adultos considerariam insignificantes? Essas atitudes nos convidam a refletir sobre a necessidade de cultivar um coração mais generoso e aberto à vida.

A infância também nos recorda que todo ser humano possui uma dignidade que independe de suas realizações, condições econômicas ou posição social. Antes de qualquer título, profissão ou conquista, cada pessoa foi uma criança que necessitou de cuidado, afeto e oportunidades. Essa constatação deveria fortalecer nossa consciência de fraternidade e respeito, pois ninguém se desenvolve plenamente sem a presença e a contribuição de outras pessoas.

Quando uma criança é amada, respeitada e incentivada, aumentam suas possibilidades de desenvolver relações saudáveis e participar positivamente da sociedade. Quando, ao contrário, cresce cercada de medo, negligência ou violência, podem surgir feridas emocionais profundas. Por essa razão, proteger a infância é também prevenir sofrimentos futuros e contribuir para a construção de uma cultura de paz. O amor dedicado às crianças não constitui apenas uma expressão de ternura, mas um compromisso ético com a humanidade.

Criança é um dom confiado por Deus aos cuidados humanos

No horizonte da fé, cada criança pode ser compreendida como um dom confiado por Deus aos cuidados humanos. Não se trata de uma posse dos adultos, mas de uma vida dotada de identidade, liberdade, sentimentos e potencialidades próprias. Amar uma criança significa ajudá-la a descobrir seus caminhos, respeitar sua individualidade e oferecer condições para que cresça com segurança, autonomia e responsabilidade.

Celebrar a criança é, portanto, celebrar a própria vida. É reconhecer que Deus continua renovando a esperança humana por meio de cada nascimento, de cada sorriso e de cada sonho que começa a florescer. É compreender que a ternura não representa fraqueza, mas uma força capaz de transformar relações e aproximar as pessoas.

Em epítome, a criança é maravilha de Deus porque nela a vida se apresenta como promessa, a esperança ganha expressão e o amor encontra uma de suas formas mais puras de manifestação. Cuidar de uma criança é honrar o Criador, reconhecer a grandeza da existência e contribuir para que o mundo se torne mais justo, solidário e acolhedor.

Por final, cada infância protegida representa uma vitória da humanidade, e cada criança feliz constitui uma luz que ilumina o caminho das futuras gerações

Adelcio Machado dos Santos
Prof. Dr. Adelcio Machado dos Santos
Jornalista (MT/SC 4155)

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