Autor nascido em Curitiba e criado em Joaçaba apresenta uma narrativa que aborda espiritualidade, poder, liberdade e transformação humana em um universo original repleto de mistérios e reflexões
Bom Dia SC – A ficção científica brasileira ganha uma nova obra que vai além das aventuras em mundos imaginários para provocar reflexões profundas sobre sociedade, religião, política e liberdade. Em “O Caminho de Gaia”, novo romance do escritor Roger Dörl, o leitor é transportado para o planeta Asdomiun, onde o conhecimento deixou de ser apenas uma ferramenta intelectual para tornar-se uma força concreta — e justamente por isso passou a ser controlado por um regime que teme seu potencial transformador.
Publicado de forma independente, o livro de 358 páginas combina elementos de fantasia épica, ficção científica e espiritualidade em uma narrativa que acompanha a trajetória de um jovem destinado a desafiar estruturas de poder construídas ao longo de séculos. Ao mesmo tempo em que apresenta um universo rico em detalhes, a obra dialoga com questões bastante atuais, como manipulação religiosa, autoritarismo, intolerância, violência institucional e a busca pelo autoconhecimento.
Mais do que uma aventura fantástica, “O Caminho de Gaia” propõe uma reflexão sobre o papel do conhecimento como instrumento de emancipação humana.
Um planeta onde aprender se tornou uma ameaça ao poder
No universo criado por Roger Dörl, toda a sociedade gira em torno do nooether, uma substância capaz de ser manipulada por qualquer pessoa que desenvolva conhecimento suficiente para compreendê-la.
Entretanto, esse aprendizado representa uma ameaça para os grupos que controlam o planeta Asdomiun. Por isso, o regime dominante estabelece mecanismos rígidos de repressão, impedindo que a população descubra seu verdadeiro potencial.
É nesse cenário que surge Enarê, protagonista da história. Inconformado com as injustiças, ele vive em uma sociedade marcada pela violência e por rígidas tradições. Seu destino parece selado durante o chamado Grande Rito, cerimônia anual que determina a passagem dos jovens para a vida adulta e pode culminar na própria morte.
Quando tudo indica que será executado, Enarê desperta inesperadamente habilidades ligadas ao nooether e consegue sobreviver. Esse acontecimento altera completamente sua trajetória e revela que ele ocupa um lugar central em antigas profecias capazes de mudar o futuro de Asdomiun.
A partir desse momento, a narrativa ganha contornos épicos, envolvendo perseguições, descobertas e revelações que atravessam diferentes épocas.

Espiritualidade, vidas passadas e questionamentos sobre a fé
Um dos principais diferenciais do romance está na maneira como utiliza elementos espirituais para desenvolver seus conflitos.
Ao longo da jornada, Enarê passa a acessar lembranças de vidas anteriores e descobre segredos familiares que transformam sua compreensão sobre o mundo. Ao seu lado está Liora, uma poderosa noomante capaz de enxergar acontecimentos à distância por meio do nooether.
As revelações não dizem respeito apenas ao protagonista. Elas colocam em xeque toda a estrutura religiosa e política que sustenta a sociedade de Asdomiun.
Segundo Roger Dörl, essa abordagem nasce de uma longa pesquisa sobre diferentes tradições religiosas, especialmente textos cristãos e evangelhos considerados apócrifos.
O autor afirma que sua intenção não foi atacar a espiritualidade, mas discutir a forma como determinadas interpretações religiosas podem ser utilizadas como instrumentos de controle social.
A narrativa levanta questionamentos sobre o distanciamento entre princípios espirituais e práticas institucionais, mostrando como a fé pode assumir significados distintos dependendo dos interesses de quem exerce o poder.
Crítica social permeia toda a narrativa
Embora ambientado em um planeta fictício, “O Caminho de Gaia” apresenta discussões que dialogam diretamente com dilemas do mundo contemporâneo.
Entre os temas explorados estão o autoritarismo, a perseguição ao conhecimento, preconceitos étnico-raciais, desigualdade e diferentes formas de violência.
Outro aspecto relevante é a crítica aos modelos tradicionais de masculinidade.
Enquanto a sociedade de Asdomiun valoriza força física, agressividade e dominação, Enarê constrói sua trajetória justamente por escolher caminhos diferentes. Sua resistência não está baseada na violência, mas na capacidade de compreender, aprender e transformar.
Esse contraste reforça uma das principais mensagens do romance: a verdadeira força pode estar no conhecimento, na empatia e na disposição para romper ciclos históricos de opressão.
Um universo rico em detalhes e geografia própria
Além da trama, Roger Dörl dedica especial atenção à construção do universo ficcional.
Asdomiun possui geografia, povos, culturas e criaturas próprias, resultado de um cuidadoso processo de desenvolvimento que antecedeu a escrita da história.
Entre os habitantes estão os curiosos aljabes, seres que não possuem boca e se comunicam por meio de gestos e do nooether, vivendo em cooperação com os humanos.
O planeta também abriga diferentes regiões marcantes, como a Vila Mestra, a Cidade Antiga, os Montes Olímpicos, a Escada Aérea e o misterioso Leste Impossível.
Para facilitar a imersão dos leitores, a obra apresenta mapas detalhados ao final da edição.
Segundo o autor, toda essa estrutura foi planejada antes mesmo da redação definitiva do romance.
Após concluir a criação do universo e organizar a sequência dos acontecimentos, a escrita fluiu de forma mais natural, resultado de aproximadamente um ano de dedicação exclusiva ao projeto.
Influências literárias que vão de Tolkien ao RPG
Roger Dörl define sua formação criativa como resultado de diferentes referências culturais.
Entre elas estão o universo fantástico criado por J. R. R. Tolkien, considerado um dos maiores nomes da literatura fantástica mundial, e os jogos de interpretação conhecidos como RPG, especialmente Dungeons & Dragons, que influenciaram a elaboração das culturas, criaturas e ambientações presentes em Asdomiun.
Outra inspiração importante veio dos romances espíritas.
Segundo o escritor, essas obras chamaram sua atenção pela forma como desenvolvem processos de cura emocional, redenção e evolução dos personagens por meio de experiências ligadas a vidas passadas.
Essa influência aparece claramente na estrutura narrativa de “O Caminho de Gaia”, em que memórias ancestrais desempenham papel decisivo na construção da identidade dos protagonistas.
Roger Dörl: da sala de aula à literatura
Natural de Curitiba e criado em Joaçaba, no Meio-Oeste catarinense, Roger Dörl construiu uma trajetória ligada às artes e à educação antes de dedicar-se integralmente à literatura.
É formado em Direção Teatral pela antiga FAP, atual Unespar, e possui especialização em Ensino de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira pela UTFPR.
Ao longo da carreira, atuou como professor em diferentes níveis de ensino, diretor de teatro, produtor cultural e redator para web.
Também lecionou em universidades do Oeste de Santa Catarina, trabalhou em Santa Isabel do Rio Negro, no Amazonas, e posteriormente no SESI de Brasília, cidade onde reside atualmente.
Sua estreia na literatura aconteceu em 2024 com o romance “Alena Existe”, seguido pela coletânea “Crônicas de Um Mundo”. Além das publicações individuais, participa de antologias voltadas aos gêneros de fantasia, aventura e mistério, além de disponibilizar contos gratuitamente na internet.
Com “O Caminho de Gaia”, Roger Dörl amplia seu universo literário ao apresentar uma obra que combina entretenimento e reflexão. Ao unir fantasia, ficção científica e espiritualidade, o romance convida o leitor a pensar sobre temas universais, como liberdade, poder, conhecimento e o papel da fé na construção das sociedades. Em um momento em que debates sobre desinformação, intolerância e polarização ocupam espaço crescente no cotidiano, a obra propõe uma viagem imaginária que dialoga diretamente com desafios muito reais.
Ficha técnica
- Livro: O Caminho de Gaia
- Autor: Roger Dörl
- Editora: Edição do Autor
- Páginas: 358
- Gênero: Ficção científica, fantasia e literatura brasileira
- ISBN: 978-65-02-01286-4
- Ano de publicação: 2026
Com informações da Assessoria de Imprensa





















