Pesquisa da YouPix e Nielsen aponta consolidação do social commerce, crescimento da inteligência artificial na jornada de compra e valorização de influenciadores especializados
Bom Dia SC – A influência das redes sociais sobre o consumo dos brasileiros continua crescendo e já representa um dos principais motores do comércio eletrônico no país. O Instagram segue como a plataforma mais relevante na recomendação de produtos e serviços, mas o avanço acelerado do TikTok evidencia uma mudança importante na dinâmica do varejo digital, impulsionando o chamado social commerce e obrigando empresas a reverem suas estratégias de marketing e vendas.
Os dados fazem parte do estudo “Consumo e Influência 2026”, realizado pela YouPix em parceria com a Nielsen, que analisou o comportamento de mil consumidores brasileiros. O levantamento mostra que 80% dos entrevistados apontam o Instagram como principal canal de descoberta e influência na decisão de compra. Apesar da liderança consolidada da plataforma da Meta, o TikTok foi a rede social que apresentou a maior expansão no período, passando de 34% para 51% na preferência dos consumidores entre 2025 e 2026.
O desempenho acompanha a rápida expansão da plataforma chinesa no mercado brasileiro. Em junho deste ano, o TikTok anunciou ter superado a marca de 134 milhões de usuários mensais no Brasil, alcançando cerca de 60% da população. A dimensão da base de usuários reforça o interesse de marcas e varejistas em ampliar investimentos na plataforma, que deixou de ser apenas um ambiente de entretenimento para assumir papel estratégico na geração de vendas.
Social commerce amplia participação nas vendas
A pesquisa confirma o amadurecimento do social commerce no Brasil, tendência que aproxima conteúdo, publicidade e transação comercial em um único ambiente digital.
Segundo o levantamento, 56% dos consumidores afirmam já ter realizado compras diretamente pelo TikTok Shop. Entre esses usuários, 80% classificaram a experiência como positiva, indicador que reforça a aceitação do modelo de compra integrado às redes sociais.
Para o varejo, o avanço desse formato representa uma mudança estrutural na jornada de consumo. O processo que antes dependia de diversas etapas — descoberta do produto, pesquisa, acesso ao e-commerce e finalização da compra — passa a ocorrer dentro da própria plataforma, reduzindo barreiras de conversão e aumentando o potencial de vendas por impulso.
Esse cenário fortalece a disputa entre plataformas digitais pela atenção dos consumidores e amplia a concorrência entre empresas por investimentos em conteúdo, mídia e parcerias com criadores digitais.

Estratégias variam conforme o perfil do consumidor
Embora o Instagram mantenha a liderança em praticamente todos os segmentos pesquisados, o comportamento dos consumidores apresenta diferenças importantes de acordo com idade e gênero.
Entre jovens de 18 a 24 anos, o TikTok consolida-se como a segunda principal plataforma de influência, enquanto o YouTube ocupa essa posição entre consumidores com 25 anos ou mais.
No recorte por gênero, a pesquisa mostra que o YouTube lidera entre os homens, sendo citado por 72% dos entrevistados como principal fonte de recomendações de produtos, seguido pelo Instagram, com 70%.
Os dados indicam que campanhas de marketing tendem a se tornar cada vez mais segmentadas, exigindo das empresas estratégias específicas para públicos distintos e reduzindo a eficácia de ações padronizadas para diferentes perfis de consumidores.
Marketing de influência permanece forte
O levantamento também evidencia que o marketing de influência segue consolidado como uma ferramenta relevante para impulsionar vendas.
Segundo a pesquisa, 81% dos brasileiros já compraram produtos recomendados por influenciadores digitais, percentual praticamente estável em relação ao levantamento anterior. O dado demonstra que esse formato de comunicação deixou de representar uma tendência passageira para integrar de forma permanente as estratégias comerciais das empresas.
Além disso, 44% dos consumidores afirmam descobrir novos produtos por meio de criadores de conteúdo, percentual superior ao registrado para indicações de amigos e familiares, citado por 33% dos entrevistados. Entre as mulheres, metade afirma conhecer novidades principalmente pelas recomendações de influenciadores.
Apesar desse elevado poder de influência, a decisão de compra continua sendo predominantemente racional. Apenas 20% dos consumidores realizam a compra imediatamente após visualizar um conteúdo patrocinado. A maioria busca informações adicionais antes de concluir a aquisição: 64% pesquisam mais sobre o produto e 58% efetuam a compra em até sete dias.
Esse comportamento reforça que o conteúdo produzido pelos influenciadores funciona como porta de entrada da jornada de consumo, mas não elimina a necessidade de credibilidade, informações técnicas e comparação de preços.

Inteligência artificial altera comportamento do consumidor
Um dos resultados mais relevantes do estudo está relacionado ao avanço da inteligência artificial como ferramenta de apoio às decisões de compra.
Entre 2025 e 2026, o uso de plataformas baseadas em IA para pesquisar produtos cresceu de 11% para 42%, representando a maior expansão entre todos os canais avaliados.
O movimento indica uma mudança significativa no fluxo de informações utilizado pelos consumidores. Em vez de recorrer prioritariamente aos mecanismos tradicionais de busca ou aos sites oficiais das empresas, parte crescente do público utiliza soluções de inteligência artificial para comparar produtos, esclarecer dúvidas e obter recomendações antes da compra.
A tendência pode alterar a forma como empresas estruturam sua presença digital, exigindo conteúdos mais completos, dados organizados e maior autoridade informacional para manter visibilidade também em plataformas de IA.
Credibilidade vale mais que alcance
Outro dado relevante do levantamento diz respeito ao perfil dos influenciadores capazes de gerar maior impacto nas vendas.
A pesquisa mostra que apenas 6% dos consumidores consideram o número de seguidores como fator determinante para confiar em um creator. Em contrapartida, 48% afirmam ser mais influenciados por especialistas e criadores de nicho, que apresentam conhecimento técnico e maior proximidade com seus públicos.
A transparência também aparece como ativo estratégico para preservar a credibilidade das campanhas. Segundo o estudo, 87% dos consumidores preferem que os influenciadores deixem claro quando um conteúdo é patrocinado.
Entre os fatores que mais comprometem a confiança estão exagerar os benefícios dos produtos (49%), produzir conteúdos com aparência de propaganda tradicional (44%) e omitir a existência de parcerias comerciais (39%).
Os resultados indicam que, no atual estágio do marketing de influência, autenticidade e especialização tornaram-se ativos econômicos tão importantes quanto o alcance das audiências.
Mercado caminha para um novo modelo de consumo
Os dados da pesquisa revelam que o mercado digital brasileiro atravessa uma nova fase de maturidade. Redes sociais deixaram de atuar apenas como ferramentas de comunicação e passaram a integrar todas as etapas da jornada de consumo, da descoberta do produto à conclusão da compra.
Nesse contexto, plataformas digitais, varejistas e marcas disputam não apenas a atenção dos consumidores, mas também a capacidade de oferecer experiências completas, personalizadas e baseadas em confiança. O crescimento do social commerce, a expansão da inteligência artificial e a valorização de influenciadores especializados apontam para um cenário em que tecnologia, conteúdo e comércio estarão cada vez mais integrados, redefinindo as estratégias competitivas do varejo nos próximos anos.
Com informações da Meio & Mensagem




















