Celebrado em 24 de outubro, o Dia Mundial de Combate à Poliomielite alerta para os riscos da paralisia infantil, destaca a importância da imunização e reforça a necessidade de manter altas coberturas vacinais, inclusive em Santa Catarina
Bom Dia SC – O Dia Mundial de Combate à Poliomielite, celebrado em 24 de outubro, chama a atenção para a importância da vacinação e da vigilância em saúde na prevenção de uma das doenças infecciosas mais marcantes da história da saúde pública. Conhecida popularmente como paralisia infantil, a poliomielite pode provocar sequelas permanentes e, nos casos mais graves, comprometer os músculos responsáveis pela respiração, colocando a vida do paciente em risco.
Apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas, a erradicação mundial da doença ainda é um desafio. A continuidade das campanhas de imunização, o acesso às vacinas e a identificação rápida de possíveis casos são fundamentais para impedir a circulação do poliovírus.
No Brasil, a vacinação gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é uma das principais estratégias para proteger as crianças. Em Santa Catarina, os índices de imunização apresentam recuperação gradual, mas ainda exigem atenção para alcançar a meta recomendada e reduzir o risco de reintrodução da doença.
O que é a poliomielite e como ocorre a transmissão
A poliomielite é uma doença infecciosa causada pelo poliovírus, que pode atingir o sistema nervoso central e provocar complicações graves. A transmissão ocorre principalmente pela via fecal-oral, por meio do contato com água ou alimentos contaminados e em ambientes com condições inadequadas de higiene e saneamento. Também pode ocorrer pelo contato direto com secreções de pessoas infectadas.
Embora possa atingir pessoas de diferentes idades, a doença afeta principalmente crianças menores de cinco anos. Um dos fatores que dificultam o controle é que muitas infecções não apresentam sintomas evidentes, permitindo que o vírus circule sem que a pessoa infectada saiba que está transmitindo a doença.
Quando os sintomas aparecem, podem incluir febre, cansaço, dor de cabeça, náuseas, vômitos e dores musculares. Em uma parcela dos casos, o vírus atinge o sistema nervoso e provoca fraqueza muscular e paralisia, que pode ser irreversível. Nas situações mais graves, há comprometimento dos músculos respiratórios, com risco de morte.
Não existe tratamento específico capaz de eliminar o poliovírus ou reverter a paralisia provocada pela doença. O atendimento médico é voltado ao suporte clínico, ao controle das complicações e à reabilitação. Por isso, a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção.
Por que o dia 24 de outubro é importante

O Dia Mundial de Combate à Poliomielite é uma iniciativa internacional que busca ampliar a conscientização sobre a doença e mobilizar governos, profissionais de saúde e comunidades em torno da erradicação.
A data também homenageia Jonas Salk, pesquisador que liderou o desenvolvimento de uma das primeiras vacinas eficazes contra a poliomielite. A descoberta representou um marco na saúde pública e abriu caminho para a redução expressiva dos casos em diversos países.
Em 1988, a Assembleia Mundial da Saúde estabeleceu a Iniciativa Global de Erradicação da Pólio, reunindo governos e organizações internacionais em um esforço coordenado para eliminar a doença. Desde então, campanhas de vacinação em larga escala e estratégias de vigilância epidemiológica contribuíram para diminuir significativamente a circulação do poliovírus selvagem.
Entretanto, a erradicação completa depende da manutenção dos esforços. Enquanto houver circulação do vírus em alguma região do mundo, existe o risco de reintrodução em locais onde a doença já foi eliminada. A mobilidade internacional e as diferenças nas coberturas vacinais tornam a cooperação entre países indispensável.
Vacinação é a principal forma de prevenção
A vacina contra a poliomielite integra o Calendário Nacional de Vacinação e é oferecida gratuitamente pelo SUS. A imunização é essencial para proteger as crianças contra as formas graves da doença e impedir que o vírus volte a circular.
O calendário infantil prevê doses aos 2, 4 e 6 meses de idade, além de reforços aos 15 meses e aos 4 anos, conforme as orientações nacionais vigentes. Pais e responsáveis devem consultar a caderneta de vacinação para verificar se todas as doses foram aplicadas e procurar uma unidade de saúde caso existam pendências.
Manter o esquema vacinal completo contribui tanto para a proteção individual quanto para a coletiva. Quando a cobertura diminui, aumenta o número de pessoas suscetíveis à infecção, favorecendo a possibilidade de transmissão caso o vírus seja reintroduzido.
Além da imunização, medidas como higiene adequada, acesso à água potável e saneamento básico ajudam a reduzir a transmissão de agentes infecciosos. Essas iniciativas, porém, não substituem a vacinação, que permanece indispensável para prevenir a poliomielite e suas consequências.
Santa Catarina apresenta avanço na cobertura vacinal
Em Santa Catarina, a cobertura vacinal contra a poliomielite chegou a 94,14% entre crianças menores de um ano em 2026, conforme dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde. O resultado supera a média nacional informada no mesmo levantamento, de 88,32%, mas permanece abaixo da meta de 95% recomendada para a imunização.
O estado apresenta uma trajetória de recuperação nos últimos anos. A cobertura passou de 91,18% em 2023 para 93,11% em 2024 e 93,96% em 2025, chegando a 94,14% em 2026.
Embora os números indiquem uma evolução positiva, a proximidade da meta não elimina a necessidade de ampliar a vacinação. A manutenção de índices elevados é importante para reduzir o número de crianças suscetíveis e fortalecer a proteção coletiva.
A orientação para as famílias catarinenses é conferir a caderneta de vacinação e procurar a unidade de saúde mais próxima para verificar a necessidade de doses. A participação dos responsáveis é fundamental para que as crianças recebam a imunização nas idades recomendadas.
As equipes de saúde também desempenham um papel importante ao orientar a população, identificar esquemas vacinais incompletos e promover ações para ampliar a adesão à vacinação.

Vigilância epidemiológica continua sendo necessária
O Brasil recebeu, em 1994, a certificação internacional de eliminação da circulação do poliovírus selvagem nas Américas. A conquista foi resultado de décadas de campanhas de vacinação e de esforços coordenados entre os serviços de saúde e a população.
Mesmo sem circulação endêmica do poliovírus selvagem no país, a vigilância precisa continuar. A redução da adesão às vacinas representa um risco, pois permite o acúmulo de pessoas não imunizadas e aumenta a vulnerabilidade diante de uma eventual importação do vírus.
O monitoramento de casos de paralisia flácida aguda, especialmente em crianças, faz parte das estratégias de vigilância. A investigação e a coleta de amostras permitem identificar possíveis sinais de circulação do poliovírus e orientar medidas de controle.
Nesse cenário, a atuação conjunta de profissionais de saúde, gestores públicos, escolas e famílias é essencial. A divulgação de informações confiáveis também ajuda a combater a desinformação e a esclarecer dúvidas sobre a segurança e a importância das vacinas.
Erradicação depende do compromisso coletivo
O combate à poliomielite demonstra como a vacinação pode transformar a saúde pública, prevenir incapacidades e reduzir mortes provocadas por doenças infecciosas. No entanto, os resultados alcançados ao longo das últimas décadas não significam que a prevenção possa ser interrompida.
O Dia Mundial de Combate à Poliomielite reforça que manter a vacinação em dia é uma responsabilidade compartilhada. Cada dose aplicada contribui para proteger uma criança, reduzir a possibilidade de transmissão e fortalecer o esforço internacional para eliminar a doença.
Em Santa Catarina e nas demais regiões brasileiras, a recomendação é que pais e responsáveis verifiquem a caderneta de vacinação e procurem os serviços de saúde diante de dúvidas ou doses pendentes.
A erradicação global da poliomielite permanece uma meta que exige continuidade, cooperação e compromisso. Até que o vírus deixe de circular em todo o mundo, a vacinação seguirá sendo indispensável para proteger as novas gerações e preservar os avanços conquistados pela saúde pública.
Texto: Maely Silva





















