14/07/2026
O baú do Roberto Carlos dos anos 90 aos dias atuais
Em 18.06.96 fomos assistir RC no Teatro Guaira, com algumas amigas

O baú do Roberto Carlos dos anos 90 aos dias atuais

Bom Dia SC – Encerro esse “passeio” pela discografia do Roberto com a brilhante colaboração do meu novo amigo virtual, o paulistano Leandro Lima, que esclarece: “o grande barato dessas análises é justamente a crueza de serem a primeira audição, vão captar minhas primeiras impressões dos discos”:

Roberto Carlos dos anos 90

LP 1990Super herói começa com boa bateria eletrônica e um teclado magistral. O vozeirão toma conta do ambiente e uma bela letra vai se formando. A temática vem de um cara que tá falando com a ex, mas obviamente ainda tem sentimentos por ela e ainda assim se disponiliza pra o que ela precisar, o que realmente o enquadra na Liga da Justiça hehehe.

Meu ciúme trata do sentimento possessivo num tom muito bom e com excelente cadência. Orquestra simples e o baixo mandando ver. O refrão é fantástico, de verdade! O naipe de metais faz um solo bonito e mais uma vez o refrão predomina e vai até o fim da canção.

A próxima é excelente! Por ela tem ritmo de salsa abrasileirada, uma canção de José Manuel Soto. Música deliciosa, dançante e envolvente. No final tem o canto de RC com “narainananarai”… um acerto em cheio!

A próxima música Cenário já faz aparecer na mente uma cena romântica. O tom é gostoso de uma orquestra que não tem a mínima intenção de lhe estressar, inclusive tocam a melodia da grandiosa canção “Emoções” nas entrelinhas da composição, ficou incrível essa criatividade!

LP 1991 — O disco flerta com os ritmos pulsantes da época e por isso você tem a impressão que simplesmente RC se rendeu à música sertaneja vigente, pois havia uma grande ascensão da música sertaneja, com duplas brotando de toda parte enquanto as tradicionais se consolidavam mais e mais, porém, será que Roberto Carlos embarcou mesmo nesse trem? Realmente, a “sertanejada” aqui existiu nas 3 primeiras faixas, a estrutura tem compatibilidade com o que as duplas sedimentaram, mas ainda é o estilo do Roberto. Todas as manhãs começa com aquela conduzida básica da cozinha e Roberto vai cantando, no refrão a voz dobra: “chuva fina no meu para brisa, visibilidade distorcida” tem um tom da moda no solo de viola.

Luz Divina um clássico da vertente religiosa do cantor e que é difícil não gostar, ainda mais se for cristão. “Essa luuuuuuz! só pode ser Jesus”. Cadência firme e teclados formam boa base com floreios de guitarra e alguma pouca orquestração. O solo de guitarra aqui é lindíssimo, bem executado e encaixa com perfeição junto ao fundo orquestral. Gostei bastante!

Pergunte pro seu coração é uma das minhas favoritas. Tocou bastante na época e ela tem um instrumental fantástico com um acordeon bem discreto. A lírica da música é tão linda, faz viajar, passeia em tons tão bonitos, é um primor! O refrão é uma obra de arte! Tem a cara e o jeito de Michael Sullivan e Paulo Massadas que simplesmente compuseram metade da música dos anos 80 kkkkk (exagero eu sei). Os arranjos são de Lincoln Olivetti então… a qualidade é óbvia, provavelmente a melhor faixa desse álbum.

O baú do Roberto Carlos dos anos 90 aos dias atuais
Amore Mio

LP 1992 — O disco começa com cadência e doçura, Roberto canta com bastante ternura e apaixonado em Você é minha. A melodia é genial, e o refrão é um dos mais bonitos que já ouvi apesar da manjada rima de “favo de mel” com céu. As quadrinhas são bonitas, o disco começa acertando em cheio, que belo solo de guitarra tem essa canção!

Mulher pequena tem o mesmo ritmo de “Por Ela”, de 1990. Porém a proposta latina dessa aqui agrada muito mais, uma salsa com solo de violão sensacional. A fórmula é a mesma, ele canta dois versos e entra um arranjo de teclado, mas essa aqui ficou mais original.

De coração meio tristonha e cabisbaixa, o tom apesar de açucarado tá menor e bem introspectivo. O refrão mantém o tom e a melancolia. Tem um solo oitavado muito bem feito e até com uma escala mais ousada.

Você como vai? começa com uma guitarra legal e vai se mostrando sofisticada. Um belo arranjo e andamento. A letra é bem legal e ela dá uma virada pra refrão inesperada e surpreendente! Sério! Eu achei de uma sensibilidade e inovação sem precedentes, uma baita música que varia, sai das linhas retas roberteiras e vai se infiltrando em linhas de muita criatividade. Baita ponto meus amigos!

A música a seguir é uma adaptação de “Nova flor”, canção escrita por Palmeira, Mário Zan e Pepe Ávila que o Roberto adaptou e ficou sensacional. Dizem que um homem não deve chorar é uma das melhores do disco. O solo de violão é um primor. Acertos assim sobem muito o nível do disco, que melodia essa canção! Ainda tem palhinha de castelhano no refrão.

LP 1993 — Todas compostas por Roberto e Erasmo: Coisa bonita fez muito sucesso, assim como Obsessão, mas o grande destaque é Nossa Senhora.

Se você pensa, outro clássico da dupla ganha nova roupagem, embora a original continue insuperável. E a retomada do tema de 1984, em O velho caminhoneiro, ficou longe do sucesso daquela.

LP 1994 — O disco inicia com um telefone tocando, Roberto atende e fala: “Diga logo de uma vez, o que você quer de mim?” Alô é a música e fez certo sucesso na época. Excelente início meus amigos. Uma música com cozinha direta, boa temática e melodia. Começamos bem.

Quero lhe falar do meu amor tocou bastante no rádio, apresenta uma cadência interessante. A música é muito bonita, com vocal dobrado bem feitinho e uma melodia meio rock and roll, a melodia somente, o ritmo não tem nada a ver. Solo de guitarra distorcida bacana, dividindo atenção com um efeito mais limpo. No final a bateria se solta e tem uns “lalalaia” de RC.

Leandro relembra: “Taxista é descontraída e muito boa, emblemática pra mim, sempre tive muito orgulho do meu velho, foi um trabalhador de bem, lutador! Meu pai foi taxista praticamente a vida toda e hoje está aposentado. Lembro que, quando foi lançada, todo mundo comentava a homenagem à classe.” A música relata a rotina de um taxista em seus afazeres comuns, bem pé no chão, tenho certeza que o cantor conversou com diversos profissionais do volante pra criar junto a Erasmo essa boa homenagem. A cozinha é mais roqueira com toques de country aqui, direta e sem muita firula.

Custe o que custar começa apontando pra algo suave. É uma regravação de uma canção antiga de sua própria discografia, lançada em compacto simples no ano de 1969. A música é linda apesar de triste, uma excelente regravação, emocionante.

Novas confissões do jovem Leandro: “No dia em que comprei esse disco eu soube que minha filha moraria um tempo longe de mim, por motivo de saúde da minha esposa. Eu estava com o coração partido, sem saber o que fazer. Cheguei em casa com alguns discos e chorando muito coloquei esse pra tocar. Já alerto que sou cristão, de vertente evangélica, e o que relatarei tem tudo a ver com isso, então se o assunto lhe causa incômodo ou raiva, não recomendo que continue a ler.

Estava em oração num momento de extrema angústia, pedindo consolo a Deus, que Ele acalmasse o meu coração. De repente ao virar pro lado B do bolachão me deparo com essa canção, Jesus Salvador, e a letra foi a resposta que o meu coração precisava, glorifiquei ao Senhor enquanto chorava copiosamente. Não preciso dizer que a música é lindíssima e de todas que RC prestou ao serviço do louvor, essa realmente tocou no mais profundo de mim. Deixo um trecho da letra, com algumas lágrimas teimosas querendo alforria…

O baú do Roberto Carlos dos anos 90 aos dias atuais
O Rei em Floripa – nós eu e a Maria José, minha irmã caçula, fomos no assistir no dia 17/09/2016

“Hoje eu estou tão em paz comigo/ Parece até que não faz sentido/ O que eu tenho chorado o que eu tenho sofrido. Hoje eu olhei o céu da minha janela/ Vi no meu coração a presença tão bela de Jesus sorrindo e dizendo pra mim: vem, deposita em minhas mãos todos os seus problemas/ Levante esse olhar, não chore, não tema! Não perca essa fé que você tem em mim. Quem vem a mim se alimenta do pão da vida/ Quem segue os meus passos não sente as feridas, tem a paz que eu dou, é feliz enfim”

Me desculpem pelo relato”, completa o Leandro, “foi uma experiência que pela minha crença veio como resposta direta de Deus ao meu sofrimento, por esse motivo o disco azul de 1994 se tornou emblemático para mim.”.

LP 1995 — Um discaço que merece sua atenção!  Começa meio sertanejado, com aqueles acordes bem característicos e Roberto dando conselhos a um amigo. Sabe quando você tá iludido e alguém vem chacoalhar a sua mente “cara, larga dessa aí, ela não te ama”… Amigo não chore por ela. Sinceramente, toda a métrica é moderna, radiofônica e poderia estar numa playlist caipira. O solo de violão é bacana mas, o “aiaiaiaiai” do refrão denuncia que Roberto estava antenado no chapéu de palha…

Música de homenagem, dessa vez pra mulher de óculos. Se Herbert Vianna reclamava que as mulheres não olhavam mais pra ele em 1984, onze anos depois Robertão manda não tirar os óculos. A música é diferentona, tem um riff de teclado pra lá de New Wave! Pop de primeira! Nada de salsa como nos anos anteriores. O charme dos seus óculos tem um solo excelente, country rock.

No hall das músicas religiosas do rei, Quando eu quero falar com Deus é bonita, que letra bem feita! Ótimo arranjo e vozes dobradas. Eu inclusive senti o coração palpitar enquanto escutava a canção. O refrão fantástico! Uns vão dizer que mais uma vez Roberto rima luz, cruz e Jesus, é isso mesmo e é muito bom.

Talvez a melhor música do disco, Romântico vem com uma proposta arrojada e diferente. Leve e com bela melodia, a música vai te levando num clima adocicado, cheio de mel e charme. Aqui temos um disco que não quer gritar, ele passa com um desfile mais coeso e essa música é assim, é daquelas canções impossíveis de levantar o braço da vitrola. Ela sobe um tom e tem uma cozinha impecável, muitos synths e violões.

Nunca te esqueci inicia com um piano bem açucarado. Aquele clima de separação, de amor rachado e amargura, mas sem perder o tom leve e maior. As quadrinhas são bem “roberteiras” também, percebo que as composições de terceiros, mais uma vez estão soando mais conectadas com o passado (essa é do maestro Eduardo Lages e Paulo Sérgio Valle).

Quase fui lhe procurar. O ritmo é quase o mesmo e ainda mais lento nessa balada de Getúlio Cortes. A letra é lindíssima, poética e muito emotiva, regravação do disco de 1968, o Inimitável. A versão original é mais bonita ainda, mas essa aqui não faz feio. Outro baita acerto aqui, que disco agradável!

LP 1996 — Último álbum lançado em vinil. O destaque fica para as composições da dupla Roberto e Erasmo: a religiosa O Terço Mulher de 40, Cheirosa, Quando digo que te amo, e uma adaptação feita pelo Roberto para O homem bom, composição de Paulo Sette e Clayton Querido, veja detalhes no canal de YouTube do Fabiano Cavalcante, com depoimento do próprio Roberto Carlos.

Destaque para a nova versão de Como é grande o meu amor por você, que deu nome à turnê musical no período. A letra, escrita pelo Roberto em 1967, é uma declaração de amor, explicando que seu sentimento é imenso e a nada no mundo se pode comparar.

LP 1998 — Bom… o último disco realmente de inéditas dos anos 1990 foi o de 96, depois veio o de 97 em espanhol e esse aqui tem 4 inéditas e 6 ao vivo, um disco legal. Meu Menino Jesus é uma música religiosa que remete a épocas natalinas e o significado católico da cena do presépio. Uma bela canção, uma bela letra bem aos moldes do que já ouvimos algumas vezes. A letra traz algumas alusões de pedidos a Jesus, desejos dos fiéis e o simples na mesa dos necessitados.

A segunda aqui é O baile da fazenda com a participação de Dominguinhos na sanfona, resultando em um forró regional, ritmo irresistível do tipo “limpa banco”, convida pro arrasta pé.

As músicas ao vivo são magníficas! Três são de 1971: De tanto amor ficou lindíssima, bela atualização. Debaixo dos caracóis dos seus cabelos ganhou um arranjo novo encorpado e muito bonito, não inventa moda na métrica e compasso da música, excelente! Ficou ótima a versão de Amada amante mas, sinceramente, apesar do Roberto ter interpretado muito bem, o toque do famigerado órgão Hammond dando base faz falta.

Essa outra ficou um espetáculo à parte: a orquestra ali tocando de fundo O diamante cor de rosa (de 1969, tema do filme de mesmo nome) e o Roberto vai falando da época da jovem guarda, tempo em que os rapazes pagavam o “milk shake” das meninas, a juventude, a namorada, o carrão, o beijo no escurinho do cinema — e emociona. Uma narração belíssima. Depois ele canta uma parte de Nossa canção (de 1966), fantástico!

Falando sério é um dos grandes trunfos de 1977, aqui temos uma bela versão e Outra vez, do mesmo disco, também ganha uma versão linda aqui. O disco vale mais pelas músicas ao vivo sinceramente, grandes clássicos em versões ao vivo muito bem executadas.

LP 2000 (Amor Sem Limite) — Esse disco foi lançado num momento delicadíssimo da vida do cantor, após o falecimento de Maria Rita, sua esposa. Leandro comenta: “independente do disco ser bom ou não, eu tiro o meu chapéu pois, em meio a tanta dor, Roberto ainda se propôs a falar com o seu público. Obviamente que o sofrimento é uma seara rica de criatividade para compor músicas, um terreno fértil para descarregar as dores, mas… cantar esses fatos, exige um equilíbrio fora do comum.”

O grande amor da minha vida já dá o recado do que viria nesse disco, uma música bonita que descreve o momento em que conheceu o grande amor. Uma belíssima composição, que possui tudo o que a cozinha da big band pode proporcionar, a mesma fórmula, andamento e melodia peculiar, um espetáculo.

Na faixa título Roberto abre o coração e declara: “vivo por ela, ninguém duvida porque ela é tudo na minha vida!” Amor sem limite é bonita e tem variações vocais interessantes, solo de guitarra bem executado e batida de violão com peso e leves floreios orquestrais, cozinha já cadenciada com peso. Essa é ótima, mais expressiva, condução precisa.

Tu és a verdade Jesus segue a premissa religiosa do padrão RC de qualidade nessa composição feita em parceria com Erasmo. Uma das raras vezes em que o tom menor é utilizado nesse segmento com a modulação no refrão pra clarear o clima, um macete antigo numa canção nova. Depois a cozinha, ou base rítmica, entra com todas as armas, o grupo de instrumentos mantém o pulso constante e o ritmo da música vai com tudo até o final.

Momentos tão bonitos começa numa fórmula meio foxtrot de “Emoções”, aquele crescimento bonito no refrão e belas inserções de piano que predominam pela faixa com beleza. Ao meu gosto particular é a melhor faixa desse disco entre as inéditas. Destaco a orquestra e o piano que dá show!

O baú do Roberto Carlos dos anos 90 aos dias atuais
Roberto Carlos oferece flores em seus shows

LP 2003 (Pra Sempre) — RC já não era assíduo em inéditas, lançou projetos e discos ao vivo. Um grande marco já havia acontecido, que foi a perda sofrida da esposa, e aqui o que temos é um disco que possui denso material. Vamos a ele:

Pra sempre começa afirmando “Tudo nesse mundo pode se modificar mas o amor será pra sempre”. Roberto é intimista, fala dele mesmo numa saudade doída mas sem tons menores. A música tem floreios etéreos, com algumas características de “Emoções” na construção melódica. Uma carta de amor que… sério, meus caros, é uma carta à saudade que firmaria a fidelidade à esposa que foi amada e muito amada por RC. Belíssima canção, calma e com arranjos lindos, do jeito que sua big band sempre soube como fazer. Observo que é uma canção com mais de 6 minutos. A voz tá em dia, do jeitinho que todos apreciam.

Todo mundo me pergunta possui as abordagens de diversas canções pretéritas, segue o trem da saudade e é maravilhosa. Nitidamente existe uma saudade cortante por trás de arranjos tão bem construídos. Claro que sempre cantou esses temas suspirantes, mas está diferente. Ele assina sozinho essa e a anterior, quem tá compondo não é um letrista, é um coração… todo um coração. Solo de sax perfeito, te transporta pro bom gosto oitentista e posso dizer que a cozinha trabalha igual àquela década. Ponto pro disco!

Essa música reduz a luz a uma penumbra, com mínimos teclados e uma reflexão incrível e… aqui a primeira lágrima rolou. Como é triste ver o amor ir embora, pior ainda de uma forma tão definitiva. Uma letra linda e até mesmo inocente, brincadeira que muita adolescente apaixonada já fez unindo o próprio nome com o do parzinho pretendido. Sem palavras aqui… Acróstico na etimologia fria é um jogo de palavras: você escreve uma palavra principal na vertical. Depois, usa a letra inicial da palavra para começar uma frase ou um verso novo e aqui as iniciais correspondem a MARIA RITA MEU AMOR:

Mais que a minha própria vida
Além do que eu sonhei pra mim
Raio de luz
Inspiração
Amor você é assim.

Rima dos versos que canto
Imenso amor que eu falo tanto
Tudo pra mim
Amo você assim.

Meu coração
Eternamente
Um dia eu te entreguei.

Amo você
Mais do que tudo eu sei
O sol
Raiou pra mim quando eu te encontrei.

Voltando ao disco: um início com sax emocionado toma o ambiente em Com você e mais uma vez a temática é a cravada na homenagem à amada esposa. Do início do disco tem desabafo, Roberto queria realmente expor ao mundo um coração aberto. “Você é muito mais que a minha própria vida”, sério… não sei como ele conseguiu cantar isso aqui sem embargar a voz, eu creio que a forma perfeccionista dele deve ter exigido muitos takes de voz! O disco até agora é banhado em dor e muita lágrima. Qualquer música aqui é carta de amor pra sua amada, pode copiar e colar… não leva dez minutos pra você ter resposta!

Agora começa a música O encontro. O tom é bom, a letra sugere o pós-vida, o encontro no céu, no lugar onde não existe a dor e a morte. Outra lágrima rola no rosto e RC continua a dissertar com detalhes, fala de aniversário. Eu duvido que ele consiga ainda cantar essa. É um tesouro, mas tem critério e se você passou pelo mesmo que RC, essa audição aqui vai escavar o fundo do seu sentimento. Ahhh reencontrar o amor que foi embora! Tenha fé, será lindo como descrito nessa canção.

Pra sair um pouco do clima, Roberto resolve sair de carro um pouco. Aqui o calhambeque continua na garagem e ele dirige O Cadillac, uma das poucas em parceria com o Tremendão. Aqui é rock do bom, aquele bem blues, pesadão e arrastado do jeito que apreciamos. Os metais fazem um trabalho fenomenal com uma gaita atropelando tudo, sensacional! Aqui apesar da letra saudosista nas entrelinhas, a irreverência lembra o alegre cantor dos anos 60, nada de tristeza, um oásis necessário.

O baú do Roberto Carlos dos anos 90 aos dias atuais
O baú do Roberto Carlos dos anos 90 aos dias atuais

Mais uma composição da dupla eterna, mas… O QUE É ISSO!?!? Uma batida cadenciada da cozinha e Roberto cantando e recitando ao estilo Gabriel o Pensador, meio hip hop, meio narração?! Isso é fenomenal, refrão matador. Variedade e genialidade! Seres humanos é um presente. Rima em cima de rima! Alguns podem discordar mas eu gostei, é bom demais!

O disco é bem fechado e mesmo tendo um claro conceito de homenagem à esposa, não foge aos padrões. Um disco que poderia figurar em sua extensa discografia em qualquer data dentro da cronologia do cantor entre 1986 e 2003, tudo muito bem formatado e de excelente sabor, um ar triste mas não bateu melancolia e mesmo assim me emocionou. Recomendo fortemente.

Última análise de discos de inéditas de Roberto Carlos feita por Leandro Lima, 45 anos de idade. Ele não viveu os tempos da Jovem Guarda, que eu acompanhei atentamente, mas apresenta comentários muito pertinentes em suas resenhas. Leandro finaliza: “Assim termino meu último review sobre Roberto Carlos, muito feliz pela trajetória e pelo resultado mas… muito mais feliz ainda pela boa amizade com os admiradores do Roberto Carlos!”

Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Roberto Carlos atravessou gerações, se reinventou sem perder a essência e fez de sua voz a trilha sonora da vida de milhões de pessoas. Entre canções românticas, mensagens de fé, experimentações musicais e encontros memoráveis com grandes artistas ele continua gravando, emocionando plateias, recordista de público nos shows e na vendagem de discos, mostrando que a música não conhece limites de tempo.

Ele construiu uma obra que já ocupa lugar definitivo na história da música brasileira. Ainda assim, aos 85 anos sua caminhada parece desafiar qualquer ponto final. Se o passado revela um legado extraordinário, o futuro permanece como uma página em branco, pronta para receber novas melodias, novos encontros e novas emoções. Afinal, quando se trata do Rei, a pergunta permanece: depois de tudo o que já fez pela música, o que mais Roberto Carlos ainda fará para nos surpreender?

Texto: Antonio Carlos Pereira, Apresentador de “Os Discos do Bolinha”

Compartilhe:

WhatsApp
Facebook
Twitter
Email
LinkedIn

Notícias Relacionadas

error: Content is protected !!