18/09/2026
TV “A máquina de fazer doido”
Primeiro aparelho de televisão

TV “A máquina de fazer doido”

O Dia da Televisão Brasileira é comemorado em datas que apresentam origens e significados diferentes

Bom Dia SC 11 de agosto: data celebrada desde 1958, instituída pelo Papa Pio XII como uma homenagem a Santa Clara de Assis, considerada a padroeira da televisão. No Natal de 1252 ela estava acamada e desejava participar da Santa Missa na igreja de São Francisco, mas não tinha condições físicas para sair. Em oração profunda, ela clamou ao Senhor. Então, de acordo com o testemunho da própria santa, o milagre aconteceu: em seu quarto, na cama, Clara viu e ouviu a missa completa, como uma projeção de televisão.

18 de setembro: referência direta à inauguração em 1950 da TV Tupi Difusora de São Paulo, a primeira emissora da América do Sul, fundada por Assis Chateaubriand. A data marca o nascimento prático e comercial do veículo no país. Populares se aglomeravam nos bares e restaurantes que ostentavam a novidade e em frente das lojas que vendiam aparelhos de tevê. Nos dias atuais, pode-se dizer que, em algumas residências, há um aparelho receptor praticamente em cada ambiente.

Pois é, a televisão chegou ao Brasil um mês antes do meu nascimento, porém muito tempo se passou até termos acesso a essa tecnologia, pois as novidades demoravam para chegar ao interior. Eu me lembro com saudade o tempo que passou, tempo em que eu era um “televizinho”, os primeiros aparelhos eram caros, eu assistia ao programa Jovem Guarda na casa de vizinhos, pois a segunda metade da década de 1960 foi marcada por excelente programação musical, com festivais que consolidaram grandes nomes da MPB.

As imagens só ganhariam cores em 1972, quando aconteceu a primeira transmissão oficial em cores com a cobertura da Festa da Uva em Caxias do Sul (RS), gerada pela TV Difusora e transmitida por redes nacionais. Até então, tudo era transmitido em preto e branco e o sinal era irregular, recebido por uma torre instalada no morro de Sede Sarandi, em Herval d’Oeste.

TV “A máquina de fazer doido”
Televisão no Brasil

TV

À página 90 do Álbum do Cinquentenário, encontramos: “Criada em 27 de setembro de 1966, com a finalidade de retransmitir os sinais de imagem e som de televisão de estações mais próximas à nossa cidade, A TV CLUBE DE JOAÇABA vem repetindo sinais da TV Piratini, Canal 5 de Porto Alegre, e tem a seguinte diretoria: Dr. Mauro Batista e Alfredo Ítalo Remor (Presidentes de Honra), Waldyr Otto Keller (Presidente), Moacyr Luiz Dall”Oglio (1º Vice-Presidente), Natale Stefano Calliari (2º Vice-Presidente), Ruy Rundbuchner (1º Secretário), Raul Furlan (2 º Secretário), Antônio Martins (1º Tesoureiro), Ivo Dallanora (2º Tesoureiro), Dr. Ernesto Moreira e Leônidas Menel (Relações Públicas), Horivil Zago, Udilo Antônio Coppi e Ruy Klein Homrich (Conselho Fiscal) e Anílio Remor, Orestes Genuíno Grando e João De Marco (Suplentes do Conselho Fiscal). Presto aqui, em nome da comunidade, o reconhecimento a esses pioneiros, que contaram com o apoio de outros cidadãos ao promover uma transmissão inaugural, a partir do Clube 10 de Maio, em 1967.

Temos alguns canais virtuais, como o excelente “Bom Dia SC”, cobrindo eventos importantes do nosso cotidiano. Mas está mais que na hora de voltarmos a ter um canal local de TV aberta, cumprindo a função do antigo Canal 21, TV Cidade Joaçaba da VMS Produções, que funcionou de 1990 a 2012.

Joaçaba teve alguns canais locais: TV Catarinense/Barriga Verde afiliada da Manchete em 1988 e da Bandeirantes a partir de 1993. Em 2005, a Central Barriga Verde a vende e passa a se chamar RBS TV Centro-Oeste. Desde 2014 o sinal digital traz imagens em alta definição. Após a aquisição da emissora, o Grupo RBS passou a concentrar a geração da programação no município de Lages e apesar de a concessão pertencer a Joaçaba, inexiste noticiário local, restrito a alguns acontecimentos relevantes.

TV “A máquina de fazer doido”
Hebe & Silvio Santos

A televisão deixou de ser um objeto exclusivo da sala de estar e passou a ocupar múltiplos espaços na casa. Alguns fatores explicam essa mudança, pois o custo dos aparelhos caiu significativamente ao longo das últimas décadas, facilitando a compra de múltiplas unidades; telas menores e portáteis: modelos compactos tornaram o uso viável em cozinhas, quartos e áreas de lazer. Convém também lembrar a individualização do consumo com a chegada do streaming , a tecnologia que permite a transmissão e recepção contínua de dados de áudio, vídeo ou multimídia pela internet em tempo real, sem a necessidade de baixar arquivos e da tv a cabo, pois diferentes membros da família preferem assistir a conteúdos distintos ao mesmo tempo.

Com a evolução a televisão se modernizou. Ela hoje roda os mesmos aplicativos do celular (Netflix, Youtube, Spotify), funcionando como um grande monitor para o ecossistema digital da casa e como central de mídia e funciona como caixa de som (via aplicativos de música) ou tela para jogos; painel de automação em casas conectadas, o aparelho serve para monitorar câmeras de segurança e controlar luzes ou eletrodomésticos; aparelhos alternativos: em muitos ambientes, notebooks, tablets e smartphones também fazem o papel de “segunda ou terceira tela”, substituindo o aparelho receptor tradicional.

TV “A máquina de fazer doido”
Festival de Besteiras que Assola o País

  E a principal mudança corre por conta dos celulares. O smartphone se tornou a tela principal para a maioria das pessoas: o cenário atual mostra que ele não substituiu a tv, mas transformou a forma como a usamos. Hoje, os aparelhos coexistem e desempenham papéis diferentes na rotina dos lares, por individualismo e conveniência, já que o celular permite a cada pessoa assistir o que quiser, na hora e no lugar que preferir (na cama, no transporte, no banheiro).

Com a interatividade em tempo real, o smartphone virou a arquibancada do telespectador. Durante reality shows, decisões políticas, jogos de futebol, o público usa o celular para votar, ver memes e debater nos aplicativos. Essa transformação aconteceu e provocou mudanças práticas, como o fim da briga pelo controle remoto. Se duas pessoas querem assistir a programas diferentes, uma pode usar a tv da sala e a outra assistir ao streaming diretamente no celular ou transmite o sinal para a tv do quarto.

Ela resiste graças à evolução da imagem e do som: filmes, séries de alta produção e grandes eventos esportivos ainda exigem o conforto de uma tela grande e um sistema de som de qualidade. Proporciona momentos de união familiar e o aparelho da sala continua sendo o ponto de encontro da casa para assistir a conteúdos juntos, algo que a tela individual do celular não permite. Em resumo, o celular absorveu o consumo rápido, individual e móvel de vídeo, enquanto a TV se consolidou como a central de entretenimento doméstico para experiências mais imersivas. Com certeza, o smartphone mudou completamente a nossa relação com a televisão, criando uma dinâmica que os especialistas chamam de experiência multitela.

Nos dias atuais é difícil imaginar nossa vida sem tevê. Estudos sociológicos, teses de mestrado e mil teorias buscam explicar aquilo que todos sabemos: o povo gosta de lazer, informação, cultura e conectada à internet, oferece possibilidades que ainda nem imaginamos.

Sérgio Porto, compositor do “Samba do Crioulo Doido”, usava o pseudônimo Stanislaw Ponte Preta para publicar suas crônicas. No livro “Febeapá – o Festival de besteira que assola o país”, ele apelidou a tevê de “máquina de fazer doido”, e afirmou: “a melhor coisa que existe na televisão é o botão de desligar!”, arrematando: “quem assiste televisão durante a semana é incapaz de desconfiar que aos domingos é pior!”

Texto:  Antonio Carlos Pereira apresentou “Os Discos do Bolinha na TV” pelo Canal 21

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