29/07/2026
Caminho Rio do Peixe pode se tornar uma das Maiores Rotas de Cicloturismo do Brasil
Caminho Rio do Peixe pode se tornar uma das Maiores Rotas de Cicloturismo do Brasil

Caminho Rio do Peixe pode se tornar uma das Maiores Rotas de Cicloturismo do Brasil

Projeto Caminho Rio do Peixe apresentado em audiência pública da ANTT propõe transformar antiga ferrovia entre União da Vitória (PR) e Marcelino Ramos (RS) em corredor de caminhada, cicloturismo e preservação histórica

Bom Dia SC – Uma antiga ferrovia que há décadas está desativada para o transporte de cargas pode ganhar um novo destino e impulsionar o turismo em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. O projeto Caminho Rio do Peixe, apresentado durante audiência pública promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em Curitiba (PR), propõe transformar os 372 quilômetros da antiga linha férrea entre União da Vitória (PR) e Marcelino Ramos (RS) em um corredor voltado ao cicloturismo, caminhadas de longa distância e valorização do patrimônio histórico.

A iniciativa foi apresentada pelo ex-vereador de Curitiba Jorge Bernardi, representando o Presidente do Instituto Caminho Rio do Peixe (ICARP), engenheiro Sady Zago. O projeto foi debatido durante as discussões sobre a nova licitação da Malha Ferroviária Sul e recebeu apoio de autoridades, lideranças políticas e representantes da sociedade civil presentes na audiência.

Segundo estimativas do instituto, o corredor turístico poderá atrair cerca de 200 mil visitantes por ano, gerando uma movimentação econômica superior a R$ 80 milhões anuais para os municípios inseridos no trajeto. A proposta aposta no turismo sustentável como alternativa para preservar a antiga ferrovia e estimular o desenvolvimento econômico regional.

Projeto aposta no turismo como motor de desenvolvimento

Ao defender a proposta durante a audiência pública, Jorge Bernardi destacou sua ligação pessoal com a ferrovia e ressaltou que o momento é decisivo para garantir uma nova destinação ao patrimônio ferroviário.

“Nascemos às margens dessa ferrovia e acompanhamos sua importância para o desenvolvimento da região. Hoje temos a oportunidade de transformar esse patrimônio em um grande corredor turístico, preservando sua história e criando novas oportunidades econômicas para centenas de comunidades”, destacou.

Bernardi também parabenizou o arquiteto Arthur Brandalize, idealizador do projeto Caminho Rio do Peixe, e a diretoria do ICARP pelo trabalho desenvolvido para estruturar o projeto.

“Quero agradecer a oportunidade de representar o nosso instituto, uma vez que nasci e me criei às margens da ferrovia e do Rio do Peixe. Meu avô materno foi ferroviário, turmeiro, e meu pai e meus tios foram telegrafistas e agentes de estação. Lamentavelmente, a antiga ferrovia São Paulo-Rio Grande está desativada há 30 anos no trecho catarinense. Quero parabenizar o arquiteto Arthur Brandalize, idealizador do projeto Caminho Rio do Peixe, e a diretoria do Instituto, na pessoa do engenheiro Sady Zago, que entendeu que estamos no momento crucial para colocarmos o projeto em execução, salientou Jorge Bernardi

A proposta prevê que antigos trilhos, estações ferroviárias, pontes metálicas, túneis e demais estruturas históricas sejam incorporados a um roteiro permanente de caminhada e cicloturismo, semelhante aos modelos adotados em diversos países da Europa, onde antigas ferrovias foram convertidas em rotas de lazer e turismo.

Caminho Rio do Peixe pode se tornar uma das Maiores Rotas de Cicloturismo do Brasil
Caminho Rio do Peixe pode se tornar uma das Maiores Rotas de Cicloturismo do Brasil

Patrimônio histórico pode ganhar nova função

Além das paisagens naturais do Vale do Rio do Peixe, o percurso também atravessa uma das regiões mais emblemáticas da história brasileira: o território onde ocorreu a Guerra do Contestado, conflito que marcou o início do século XX e deixou importantes registros culturais e históricos em Santa Catarina e Paraná.

A preservação desse patrimônio é apontada como um dos principais diferenciais do projeto. A ideia é que antigas estações ferroviárias, construções históricas e comunidades ao longo do trajeto passem a integrar um roteiro turístico capaz de reunir natureza, cultura e memória.

Para o instituto, a reutilização da ferrovia permitirá conservar estruturas que hoje sofrem com o abandono, ao mesmo tempo em que fortalece a identidade histórica da região.

Economia regional poderá ser beneficiada

Caso seja implantado, o Caminho Rio do Peixe deverá beneficiar diretamente hotéis, pousadas, restaurantes, cafés, agroindústrias familiares, guias turísticos, empreendedores do comércio local e prestadores de serviços voltados ao turismo de aventura.

Experiências semelhantes em outros países demonstram que corredores de caminhada e cicloturismo estimulam o aumento da permanência dos visitantes nos municípios, favorecendo o consumo de hospedagem, alimentação e produtos regionais.

A expectativa é que o fluxo de turistas seja distribuído ao longo de todo o ano, contribuindo para reduzir a sazonalidade e ampliar a geração de renda nas cidades cortadas pela antiga ferrovia.

Caminho Rio do Peixe pode se tornar uma das Maiores Rotas de Cicloturismo do Sul do Brasil
Caminho Rio do Peixe pode se tornar uma das Maiores Rotas de Cicloturismo do Sul do Brasil

Instituto apresenta reivindicações à ANTT

Durante a audiência pública, o Instituto Caminho Rio do Peixe apresentou quatro solicitações consideradas essenciais para a viabilidade do projeto.

  • A primeira delas é que o edital e o contrato da nova concessão ferroviária deixem claro qual será o destino dos trechos que permanecerão fora dos corredores destinados ao transporte de cargas, especialmente o ramal entre Porto União e Marcelino Ramos.
  • Outra reivindicação é a formalização da desativação definitiva desse trecho para operações de carga, permitindo que a estrutura seja destinada ao turismo e ao lazer.
  • O instituto também propõe que seja criado um mecanismo de cessão gratuita da área para estados ou municípios, em parceria com entidades responsáveis pela gestão do futuro corredor turístico.
  • Por fim, o ICARP solicita que nenhuma estrutura ferroviária histórica seja desmontada, sucateada ou descaracterizada antes da definição oficial sobre sua utilização.

Debate continua em outras audiências

A audiência pública realizada em Curitiba reuniu prefeitos, parlamentares, representantes do setor empresarial, lideranças sindicais e membros da sociedade civil dos três estados do Sul. O encontro integra o processo conduzido pela ANTT para discutir a nova concessão da Malha Ferroviária Sul.

Outras audiências públicas ainda serão realizadas em Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS), ampliando o debate sobre o futuro da ferrovia e permitindo a apresentação de novas contribuições ao edital.

Para os defensores do projeto, a atual discussão representa uma oportunidade histórica para transformar uma infraestrutura ferroviária sem uso em um corredor turístico de referência nacional. Se concretizado, o Caminho Rio do Peixe poderá consolidar-se como um dos maiores roteiros de cicloturismo e caminhada do Brasil, unindo preservação histórica, turismo sustentável e desenvolvimento econômico para dezenas de municípios do Sul do país.

Com informações Assessoria de Imprensa – Instituto Caminho Rio do Peixe

Coluna: Evandro Novak – Jornalista
Ex-Presidente Nacional da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo – ABRAJET
Vice-presidente da LIESJHO – Liga das Escolas de Samba de Joaçaba e Herval d’ Oeste

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