A concessão do título de “Doutor Honoris Causa” ao professor Aristides Cimadon, ex-reitor da Unoesc, representa uma das mais elevadas distinções atribuídas pelo Conselho Universitário (Consun) e reconhece personalidades que apresentam relevantes contribuições à educação, à sociedade e à própria Instituição
Bom Dia SC – Tanto Aristóteles em Ética, quanto Santo Tomás de Aquino na Summa Theologiae, dizem que “a honra se encontra mais em quem a confere do que naquele que a recebe, pois aquele que presta a honraria se revela virtuoso”. Sendo assim, cumprimento, muito honrado, o Reitor Ricardo Antonio De Marco, o Presidente da nossa Fundação mantenedora, prof. Genésio Téo e, na pessoa desses ilustres dirigentes, cumprimento os membros do Conselho Universitário que, com generosidade, me concedem o título de Doutor Honoris Causa. Cumprimentos a todos os demais dirigentes nas pessoas dos professores Vitor Carlos D´Agostini, Carla Cazella e Carlos Carvalho, vice – reitores, professores, funcionários e estudantes da nossa querida Unoesc, e demais autoridades.
O Filósofo Kierkegaard, em Fragmento de Vida, disse: “A vida só pode ser compreendida à medida em que olhamos para trás, mas só pode ser vivida em plenitude quando olhamos para a frente”. Esta homenagem é o meu momento de olhar para trás e, o amanhã será a continuação do caminho. De fato, ao olhar para trás, vejo uma estrada longa, e se tentar retornar até a casa do Nono David e da Nona Cristina, onde nasci, ou até na casa dos meus pais, no interior de Campos Novos, o Guarani, onde vivi minha infância, vejo que o caminho tem pedras, curvas, íngremes subidas, algumas vezes estreita, mas as paisagens são maravilhosas. Fazendo o percurso de volta, se tivesse que parar para cumprimentar, abraçar aqueles que me ajudaram, que me estenderam a mão, que comigo fizeram planos, que aceitaram caminhar juntos, esse caminho seria muito demorado.
Título de Doutor Honoris Causa
Dizer que estou profundamente honrado na noite de hoje seria um eufemismo. A outorga deste título de Doutor Honoris Causa pela Unoesc, no momento da comemoração dos seus 30 anos de credenciamento como Universidade, não é apenas uma, nem mais uma, distinção acadêmica da minha trajetória, ela é o reencontro oficial com a minha própria biografia. Ele se confunde com minha vida, com minha história de trabalho e com a história de vida da minha família.
Quando caminho pelos campi da Unoesc, me faz retroceder no tempo, porque cada espaço me obriga a revisitar uma história que começamos a escrever quando o horizonte do Ensino Superior no Oeste catarinense ainda era um sonho distante, quase utópico.
Por isso, este título de Doutor Honoris Causa que hoje me é concedido não pertence a mim. Ele pertence a cada um dos pioneiros que caminharam ao meu lado quando o chão ainda era de terra batida. Portanto, quero dividir esta honraria com todos os pioneiros, dirigentes, professores, lideranças comunitárias, governantes, prefeitos que gostaria que se sentissem representados nas pessoas de Osmar Mena Barreto, que zelava, cuidadosamente, do patrimônio e das finanças; de Luiz Luckmann, Nelson Denardi in memoriam, Pedro de Lima Neto, que comigo escreveram todos os projetos de carta consulta e credenciamento; de Elisabete Carlesso e Vitor Lange que digitaram os projetos e seus anexos em máquinas de datilografia; de Darcy Laske, ex-secretário de Estado da Educação; de Neusa Bordignon e Reni Cecilia Lop que organizaram toda nossa estrutura acadêmica; de Nerly Pedroso Assad que organizava e presidia todas as formaturas; Genésio Teo e Vitor D´Agostini que deram corpo e estruturaram os campi de Xanxerê e São Miguel do Oeste; à Jéssica Romeiro Motta, que me auxiliou na Reitoria por 11 anos, talvez o mais difíceis da história da Universidade.
Não posso deixar também de lembrar de Agnaldo Luiz, que dividiu comigo horas de estradas, durante 20 anos; de Cleunice Frozza que organizou o setor contábil; do Pietro Boscia, in memoriam, que instalou os primeiros computadores e da Lindamir Gadler que coordenou a informatização das áreas e dos campi; de Osmar De Marco, in memoriam, com sua orientação jurídica; de Flavio Brandalise e Antônio Osvaldo Conci, primeiros presidentes da fundação mantenedora, enfim, com todos os pioneiros e colegas dirigentes, que são inúmeros, que trilham comigo o caminho da construção da Unoesc e, sobretudo, partilhar essa honraria com minha família. A Vera, o Cesar e a Elis, mais tarde a Lenara e o Pedro, que viveram e sofreram comigo as dificuldades, vivenciaram as alegrias e toda a trajetória da Unoesc.
Lembro-me com precisão cirúrgica dos dias em que coordenar a criação e o credenciamento da Unoesc era o nosso desafio diário. Não tínhamos cartilhas prontas. O que tínhamos era uma obstinação partilhada e a certeza de que o desenvolvimento do Oeste de Santa Catarina dependia, obrigatoriamente, da interiorização do conhecimento. Sabíamos que, para fixar nossos jovens talentos, para impulsionar nossa matriz produtiva, para cuidar da saúde e da educação e da cultura da nossa gente, precisávamos de uma universidade forte, comunitária e profundamente conectada com a sua região.

Vi e participei da vida da Unoesc expandindo seus campi, multiplicando seus cursos de graduação e pós-graduação, conquistando notas máximas nas avaliações e, acima de tudo, transformando milhares de vidas. Cada diploma entregue ao longo desses anos foi uma resposta concreta àquela nossa ousadia inicial. No entanto, uma universidade comunitária, por sua própria natureza, jamais é a obra de um homem só. Ela é o resultado de uma sinfonia de esforços. Por isso, este título de Doutor Honoris Causa que hoje me é concedido não pertence a mim. Ele pertence a um grupo de pioneiros que acreditaram na ideia e na possibilidade de construir uma universidade no formato de federação, como é hoje.
Quero fazer aqui um agradecimento de profunda justiça e gratidão aos colegas professores e funcionários técnico-administrativos daquelas primeiras horas. De todos os campi e daqueles dirigentes das fundações que compuseram a Unoesc. Eles foram os pilares invisíveis que sustentaram as paredes da Universidade do Oeste. Obrigado aos vice-reitores, pró-reitores, diretores, coordenadores e docentes que dividiram comigo o peso das decisões administrativas e a beleza das salas de aula, dos auditórios, das bibliotecas, dos laboratórios e espaços esportivos.
Tivemos momentos extraordinários e algumas dificuldades, sempre superadas. Lembro da dor de ter que fechar os portões da Universidade, durante a pandemia. Certamente esse foi, para mim, o momento mais doloroso. Andar nos corredores e escutar apenas o silêncio, o soprar do vento e a batida das folhas secas esparramadas nos pátios, foi muito difícil. Mas, a dinâmica valorosa das pessoas, dos técnicos, professores e dirigentes, transformou o problema em solução e, em poucos dias nossos estudantes estavam conectados em aulas por sistemas remotos.
Minha gratidão estende-se, de forma muito especial, às lideranças regionais e estaduais que foram fundamentais em nossa caminhada. A Unoesc só se consolidou porque encontrou eco na coragem de prefeitos, deputados, empresários e líderes comunitários do Oeste, que compreenderam que apoiar esta universidade era investir no futuro das próximas gerações. As lideranças regionais foram os nossos interlocutores e os nossos maiores aliados nos momentos de crise e de expansão. Esse pacto entre a academia e a sociedade regional é o verdadeiro segredo do sucesso da nossa instituição. Esse elo não pode se perder.

Olho para a Unoesc de hoje e sinto o orgulho legítimo de quem vê a colheita de uma plantação cultivada com suor, paciência e rigor. Passamos por transições, superamos desafios financeiros e educacionais, mas a essência da Unoesc permanece intacta: uma universidade que pertence às suas localidades e que transforma a realidade pelo conhecimento. Espero que os atuais e futuros dirigentes tenham presentes esses legados.
Título Honorífico
Receber este título honorífico da instituição à qual dediquei minha vida, minhas energias e meus melhores anos, é a consagração inesquecível. Saio desta tribuna, hoje, com o coração transbordando de gratidão. A Unoesc não é apenas o lugar onde trabalhei; é o lugar onde escolhi fincar minhas raízes e por ela abdiquei de outras possibilidades. Mas ela me deu inúmeras oportunidades que as abracei sempre com o objetivo de torná-la mais reconhecida e forte.
Antes de concluir, quero externar um sentimento: eu ando preocupado com nosso Brasil. O que há com nosso país? A educação, que é o instrumento maior de desenvolvimento de uma nação, anda cada vez pior. E nós trabalhamos tanto, triplicamos o número de universidades, criamos inúmeras avaliações, fazemos planos nacionais, estaduais e municipais, mas vemos, comparativamente, o Brasil distanciando sua qualidade de vida se comparada com outros países, mesmo nossos vizinhos.
Porém, este não é o momento de aprofundar esta questão, apenas quis externar a angústia. Sabemos que os homens passam e as instituições ficam. Que a Universidade do Oeste de Santa Catarina continue sendo, por muitas gerações, este farol inabalável a iluminar os caminhos dos nossos jovens. Se os alicerces foram fortes, o futuro será infinito. Que a ciência, a educação, a justiça e a liberdade continuem sendo as nossas maiores bandeiras.”
Muitíssimo Obrigado.
Joaçaba, 14 de agosto de 2026.
Professor Doutor Aristides Cimadon





















