14/10/2026
José Zeferino Pedrozo, Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)/Foto: Evandro Novak - TV Bom Dia SC

Pra que serve um Sindicato?

Brasileiros permanecem à margem de sindicatos e associações

Bom Dia SC – Uma sociedade civil forte não nasce da soma de indivíduos isolados. Depende da capacidade de organizar interesses, assumir responsabilidades e agir em defesa do bem comum. O associativismo é a expressão institucional dessa capacidade para que cidadãos e setores produtivos tenham voz e influência sobre as decisões que afetam seu futuro.

A condição gregária acompanha a humanidade. A vida em grupo permitiu enfrentar a macrofauna, superar adversidades e alcançar o domínio do planeta. A cooperação precedeu as instituições, e fundamenta sua existência. Nenhuma conquista coletiva se sustenta apenas na disposição individual. É preciso transformar a convergência de interesses em organização duradoura.

Cooperativas, sindicatos, clubes, associações, consórcios, fóruns, federações, confederações e clusters são formatos distintos desse mesmo princípio. Cada qual possui atribuições, mas todos podem converter demandas dispersas em capacidade de ação. Sua atuação ultrapassa a defesa de uma categoria profissional: investimentos em infraestrutura, segurança pública, educação, saúde, formação profissional e cultura beneficiam a coletividade.

Pertencer exige vencer o imobilismo e a tentação egoísta de avaliar qualquer participação pela pergunta: “O que eu ganho com isso?”. O benefício imediato não pode ser a única medida do vínculo associativo. Estradas melhores, serviços públicos, qualificação e condições favoráveis à atividade econômica resultam de esforços cujo alcance excede os limites de uma empresa ou propriedade. Usufruir dessas conquistas sem contribuir para sua construção enfraquece a organização que as torna possíveis.

A internet e as redes sociais instalaram um paradoxo: multiplicaram as possibilidades de comunicação, mas também favoreceram o isolamento. O contato pelas telas ganhou intensidade, enquanto a convivência presencial perdeu espaço. Esse distanciamento repercute nas entidades. Nas cidades e no meio rural, brasileiros permanecem à margem de sindicatos e associações, sem reconhecer os benefícios pessoais, empresariais, sociais e coletivos da participação.

Sindicatos de produtores rurais

Os sindicatos de produtores rurais demonstram o custo dessa ausência. Com anuidades praticamente simbólicas, oferecem serviços relevantes à administração dos estabelecimentos rurais e asseguram acesso gratuito a treinamentos de alto nível e cursos profissionalizantes. Apesar disso, menos de 5% dos produtores rurais são sindicalizados. A baixa adesão revela a distância entre o valor dos serviços e o reconhecimento da representação institucional.

O agronegócio está sujeito ao clima, às pragas, às oscilações de mercado, à regulação e às condições do comércio internacional. São variáveis que escapam ao controle do produtor e tornam indispensável uma defesa técnica, política e institucional. Essa defesa cabe aos sindicatos e ao sistema confederativo, cuja estrutura articula as demandas das bases e lhes confere expressão nos espaços de decisão.

O isolamento reduz a capacidade de resposta diante de desafios comuns. A participação confere legitimidade, sustenta serviços e fortalece a representação. Associar-se é assumir responsabilidade pelo ambiente em que se vive e se produz. A sociedade civil precisa de entidades fortes; entidades fortes precisam de participação. Sem essa reciprocidade, o interesse coletivo perde força e o cidadão fica sem voz.

Fonte: Faesc/Senar

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