Bom Dia SC – Em primeiro plano, levantar da cama, caminhar até a porta, subir uma escada, abraçar alguém. Gestos tão presentes no cotidiano que raramente pensamos no que representam. Quando uma doença, uma lesão ou uma limitação compromete essas atividades, porém, o movimento revela seu verdadeiro valor. É nesse encontro entre a dificuldade e a possibilidade de recuperação que o trabalho do fisioterapeuta ganha um significado profundo: ajudar pessoas a preservar ou reconstruir sua autonomia.
Dia Nacional do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional
Destarte, celebrado em 13 de outubro, o Dia Nacional do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional convida a sociedade a reconhecer a contribuição dessas profissões para a saúde. A data remete à regulamentação de ambas pelo Decreto-Lei nº 938, de 1969, e recebeu reconhecimento nacional pela Lei nº 13.084, de 2015. Para além do marco histórico, a ocasião permite refletir sobre o cuidado oferecido diariamente a pessoas de diferentes idades e condições de vida.
Outrossim, na Fisioterapia, cada atendimento começa com uma pessoa cuja história precisa ser compreendida. Há quem deseje retornar ao trabalho, quem espere voltar a praticar um esporte e quem tenha como principal objetivo conseguir realizar atividades simples sem depender de ajuda. Por trás de uma avaliação, existem expectativas, receios e necessidades particulares. Reconhecer essas diferenças é indispensável para construir um cuidado que faça sentido para quem o recebe.
No entanto, o conhecimento técnico ocupa lugar central nessa relação. Avaliar, estabelecer objetivos, selecionar condutas e acompanhar resultados exige formação sólida, responsabilidade e atualização permanente. O compromisso com a ciência orienta as decisões e ajuda a distinguir aquilo que pode beneficiar o paciente de promessas sem fundamento. Ao mesmo tempo, a qualidade do atendimento depende da capacidade de explicar, ouvir e envolver a pessoa nas decisões sobre o próprio tratamento.
Contudo, uma recuperação nem sempre acontece no ritmo desejado. Em muitos casos, o percurso exige continuidade, adaptação e disposição para enfrentar momentos de desânimo. Uma melhora aparentemente pequena pode representar uma conquista decisiva para quem convive com limitações. Permanecer em pé com mais segurança ou realizar uma tarefa antes impossível pode modificar a rotina de uma família inteira. O fisioterapeuta acompanha esse processo e contribui para que os objetivos sejam realistas e relevantes.
Outrossim faz-me mister reconhecer o valor do cuidado quando a recuperação completa não é possível. Preservar capacidades, proporcionar conforto e favorecer a participação na vida cotidiana são finalidades importantes. A dignidade de uma pessoa não depende do desempenho de seu corpo. Por isso, o atendimento deve respeitar seus limites, suas escolhas e sua maneira de viver, sem transformar expectativas de melhora em cobranças ou atribuir ao paciente a culpa por dificuldades que enfrenta.
Essa perspectiva amplia o sentido da profissão. Cuidar do movimento envolve considerar os ambientes em que as pessoas vivem, as barreiras que encontram e os recursos de que dispõem. Uma orientação pode ser tecnicamente adequada e, ainda assim, difícil de cumprir diante de uma jornada extensa de trabalho, da falta de transporte ou de condições inadequadas de moradia. A escuta permite reconhecer esses obstáculos e buscar caminhos compatíveis com a realidade.
Igualmente, no campo das políticas públicas, a homenagem deve estimular uma discussão sobre acesso e continuidade do cuidado. Uma sociedade que valoriza a autonomia precisa criar condições para que as pessoas encontrem atendimento em tempo oportuno. Precisa, ainda, compreender que a atenção à saúde exige articulação entre profissionais, serviços e famílias. O esforço individual de quem atende merece reconhecimento, mas não substitui a responsabilidade das instituições por organizar e sustentar uma assistência de qualidade.
Por conseguinte, valorizar o fisioterapeuta significa ir além das felicitações. Significa assegurar condições adequadas de trabalho, respeito profissional, oportunidades de aperfeiçoamento e tempo para um atendimento responsável. A dedicação de uma categoria não deve ser utilizada para naturalizar a sobrecarga. O cuidado com quem cuida é parte do compromisso que os serviços de saúde assumem com a população.
Ademais, neste Dia do Fisioterapeuta, a gratidão encontra expressão nas histórias de quem recuperou confiança, ampliou sua independência ou passou a viver com mais conforto. Cada uma dessas experiências lembra que o trabalho em saúde alcança dimensões que não cabem apenas em números. Seu valor aparece na possibilidade de participar de um encontro, retomar uma atividade ou enfrentar o cotidiano com maior segurança.
Em epítome, homenagear esses profissionais é reconhecer a combinação de conhecimento, responsabilidade e sensibilidade que seu trabalho exige. É lembrar que, em cada objetivo alcançado, existe uma pessoa recuperando possibilidades.
Por final, cuidar do profissional, com respeito à singularidade de cada trajetória, implica igualmente cuidar da liberdade, da dignidade e da vida.

Jornalista (MT/SC 4155)





















