Bom Dia SC – A Unoesc comemora 30 anos do seu credenciamento oficial como universidade. À época era “reconhecimento”, pelas normas legais. Foram tempos difíceis e muito sacrifício de um grupo de educadores que aportaram em Joaçaba, nos anos 80, e aqui foram acolhidos com aquele jeito amável da gente do Meio Oeste.
Eu, sob os conselhos de Antônio Adolpho Marech, Arlindo Giocomelli, Osmar Menna Barreto, Vicente de Paula Souza e outros, abandonei a carreira acadêmica de uma universidade pública, a Universidade Estadual de Maringá, para abraçar uma ideia de construir, no Meio Oeste de Santa Catarina, uma instituição de ensino superior que pudesse oportunizar aos jovens dessa região, condições de acesso ao ensino superior, pois aqui, havia a Fundação Educacional do Oeste Catarinense – Fuoc, que mantinha a Faculdade de Administração, com o curso de Administração e a Faculdade de Educação com os cursos de Pedagogia e de Estudos Sociais.
Eram anos difíceis para criar cursos superiores, sobretudo no interior do Estado. Além da burocracia imensa, exigida pelos órgãos regulatórios, prevalecia a consciência de que somente a Metrópole tinha condições de ofertar ensino superior de qualidade. Na época, sopravam os ventos do fim do governo militar para a abertura da Nova República, que ocorreu em 1985. Havia uma pressão gigantesca por mais oportunidades no ensino superior e percebíamos que o Oeste de Santa Catarina reclama por novas e mais oportunidades.
A Promulgação da Constituição de 1988 trouxe novas esperanças e, com a Constituição do Estado de Santa Catarina em 1989, criamos o artigo 170 e 171 como perspectivas para a contribuição do Estado, com recursos públicos, para auxiliar em programas de bolsas aos estudantes economicamente carentes. A esperança e preocupação maior era a criação de uma instituição que tivesse autonomia para viabilizar a expansão do ensino superior. Somente uma universidade daria esse privilégio a uma região como a nossa.
Inicialmente, criamos a Federação das Fundações do Meio Oeste de Santa Catarina – Femoc, em 1982. Ela agregava as fundações de Caçador, Concórdia, Joaçaba e de Videira. Foi um avanço inicial. Com ela trocamos vagas de cursos já existentes, como o de Ciências Contábeis para Joaçaba, Administração para Videira e outros como Ciências Biológicas, Enfermagem e Pedagogia. Criamos o curso de Direito em Joaçaba, com início em 1986 e que, neste ano comemora 40 anos de funcionamento. Foi uma vitória. Trabalhamos muito. Luiz Luckmann e eu em Joaçaba, Elizio Pazetto e Mario Bandiera de Caçador, Nelson Denardi de Videira, Vicenzo Mastrogiacomo e Altir Bebber em Concórdia liderávamos a proposta da criação da Universidade do Meio Oeste Catarinense.
Construímos um belo projeto – a Universidade do Meio Oeste Catarinense – Unimoc. Mas foi desfeito, numa semana antes do prazo de ser protocolado no Conselho Federal de Educação. Ruiu por vaidades de alguns líderes políticos, aconselhados e acompanhados pelos diretores da época, das fundações de Caçador e Concordia. Tudo por causa da sede da universidade. O grupo que elaborou o projeto entendia que a sede deveria ser Joaçaba, por ser o centro geográfico e facilitar as condições de administração e comunicação. Mas, numa reunião entre prefeitos e dirigentes das fundações, acabaram votando por ser a sede em Caçador e queriam mudar o nome para Universidade do Contestado.
Então, Joaçaba e Videira rebelaram-se e, por decisão dos seus Conselhos Curadores, resolveram não mais fazer parte do projeto. Tudo parecia que o sonho sucumbiria. Mas, como tudo na vida é sempre um eterno recomeço, desse episódio nasceu a universidade do Oeste de Santa Catarina – Unoesc, congregando as instituições de Videira, Joaçaba e Chapecó. Tudo isso está contado numa brilhante obra, que será lançada neste dia 14 de agosto de 2026.

O livro conta as dificuldades, a dedicação, a resiliência dos idealizadores na construção da Unoesc, seu credenciamento e seu crescimento após o reconhecimento. Mostra a dificuldade para articular lideranças institucionais e dos municípios, para um projeto que representava grandes perspectivas para o Oeste de Santa Catarina. Enaltece o engajamento técnico e a articulação política, com apoio da organização civil, associações comerciais, clubes de serviço que foram fundamentais para o sucesso da implantação da Unoesc. Com ela nasceu também a Unochapeco, que se desmembrou em 2001 e deu luz para a existência da Universidade do Contestado.
Talvez, poucos conheçam o sacrifício feito para implantar e reconhecer a Unoesc, que também carregou a Univille para ser credenciada no mesmo dia. Foram horas de dedicação, com inúmeros finais de semana debruçados escrevendo projetos e uma pilha de anexos necessários ao cumprimento burocrática. Elisabete Carlesso e Vitor Lange manipulavam as máquinas elétricas, pois não existiam computadores na época. Eles, sobretudo a Beth, desenhou e digitou magnificamente todos os projetos e documentos, escritos por mim, Luiz Luckmann e Pedro Lima. Foram horas de estrada. Na época tínhamos apenas um carro uno, sem ar condicionado, que era nosso meio de transporte. Nossos salários não eram maravilhas.
Passamos horas em Brasília convencendo conselheiros, deixamos à mercê nossas famílias, buscávamos articulações com políticos e lideranças convencendo-as do nosso projeto. Ajudou demais, para nossas articulações, quando fui nomeado membro do Conselho Estadual de Educação e reconduzido em 1993 e depois em 2011. Aliás, compreendemos a importância da articulação política para sucesso e manutenção das instituições.
Entendemos que é essencial para a universidade, ter seus dirigentes engajados e participando de instituições, fazendo parte dos órgãos de governo, presidindo grupos associativos. Talvez a comunidade regional e a própria Unoesc não têm a dimensão da importância de ter tido o seu reitor no Conselho Estadual de Educação – CEE, no Conselho Nacional de Educação – CNE, na presidência da ACAFE, eu por dois mandatos e Luiz Luckmann num mandato. E mais, participando de outros tantos órgãos e eventos como o Instituto dos Advogados de Santa Catarina – IASC, da Academia Catarinense de Letras Jurídicas – ACALEJ e como Secretário de Estado da Educação.
Unoesc uma instituição primorosa
Hoje, os funcionários e alunos que chegam na Unoesc encontram uma instituição primorosa. Além de sua excelente estrutura física, possibilita à população, a escolha do curso superior dos seus sonhos, além de excelentes colégios para o ensino básico e programas de pós – graduação do mais alto nível. Tudo foi conquistado à custa de enormes sacrifícios, muito trabalho por um grupo de profissionais que tiveram sua formação em seminários e, de forma desprendida, deixou de construir instituições suas para apostar na força de uma instituição comunitária, com ideal de servir.
Importante destacar, após seu credenciamento, o destacado trabalho de Genésio Teo em Xanxerê e Vitor D´Agostini em São Miguel do Oeste. Eles, com grande zelo, esforço persistência transformaram aqueles campi numa estrutura que orgulha a Unoesc. Mas adiante Ricardo Antônio De Marco, atual reitor, transformou a Unoesc em Chapecó e a professora Carla Cazella deu nova vida ao campus de Videira. O professor Genésio Teo vem presidindo a fundação mantenedora com cuidado e zelo há 20 anos. Sua dedicação e equilíbrio marcam a segurança e a estabilidade financeira e administrativa da instituição.

Nem sempre a sociedade retribui e compreende o desprendimento. Porém, por onde ando, percebo o carinho e a gratidão de inúmeras pessoas. Às vezes, os jovens que chegam e não conhecem a história, desejam “sentar na janela do avião”. Por isso há necessidade de comemorar algumas datas, deixar a memória escrita, marcada.
A história da Unoesc, sua configuração jurídica admirável, na forma federativa, promoveu também o crescimento das cidades onde está instalada. Além das suas sedes: Joaçaba, Videira, Xanxerê, São Miguel do Oeste e Chapeco, prove o crescimento de Campos Novos, Capinzal, Xaxim, Pinhalzinho, Maravilha, São José dos Cedros e Concórdia. Hoje, com cursos desde a educação infantil ao pós – doutorado, forma pessoas, presta inúmeros serviços à sociedade, administra o Hospital Santa Terezinha, presta serviços inúmeros de Saúde, Engenharias, Direito, Educação, Ciências Agrarias e outras.
Interessante notar que não é sua estrutura física pujante que conta. Nem seus mais de 300 laboratórios, nem suas canchas de esporte e seus auditórios. Eles são importantes e fundamentais. Mas seu valor como universidade são seus docentes, pesquisadores, seus funcionários que formam pessoas, criam conhecimento e deixam um legado para o crescimento da vida das pessoas. São as coisas do “espírito” que dão grande valor à universidade.
Em toda sua trajetória, já formou 69.000 estudantes na graduação; 26.900 na pós – graduação lato sensu; 1.200 na pós – graduação stricto sensu; 400 no ensino técnico; 4.800 no ensino básico médio. É, sem dúvida, uma instituição, sem a qual, nosso grande oeste não seria o que é. Com certeza, a Unoesc será cada vez melhor, perseguindo a qualidade, a produção de conhecimento e servindo como grande instrumento para a melhoria da qualidade de vida das pessoas que habitam o grande oeste e Santa Catarina. Tenho orgulho imenso de olhar para o passado e perceber que “valeu a pena”.
Joaçaba, agosto de 2026
Aristides Cimadon
Professor e Advogado





















