Reconhecida como Terra da Maçã, Fraiburgo integra uma das principais regiões produtoras do país. Em Santa Catarina, a atividade movimenta milhões de reais, gera empregos e conta com assistência técnica para ampliar a produtividade e a rentabilidade no campo
Bom Dia SC – A produção de maçã é uma das atividades que ajudam a definir a identidade agrícola e econômica de Santa Catarina. Com condições climáticas favoráveis, conhecimento técnico acumulado ao longo de décadas e uma cadeia produtiva consolidada, o estado ocupa posição de destaque na pomicultura brasileira. Nesse cenário, Fraiburgo, no Meio-Oeste catarinense, mantém sua tradição como um dos principais polos de cultivo da fruta, que movimenta o agronegócio, gera empregos e contribui para o desenvolvimento regional.
Além de abastecer o mercado consumidor, a cultura da maçã impulsiona uma extensa cadeia de atividades, que envolve desde o trabalho nos pomares até a colheita, o armazenamento, a classificação, o transporte, a comercialização e a industrialização. O resultado é uma atividade que influencia diretamente a renda de produtores e trabalhadores rurais, especialmente nos municípios onde a fruticultura tem participação expressiva na economia.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes a 2024, apontam que Fraiburgo produziu aproximadamente 35,3 mil toneladas de maçã, consolidando sua importância entre os municípios produtores do Brasil. No cenário estadual, Santa Catarina registrou 537,5 mil toneladas em 2025, com valor de produção de aproximadamente R$ 1,78 bilhão, segundo a Produção Agrícola Municipal (PAM).
Fraiburgo mantém protagonismo na produção de maçã
Conhecida nacionalmente como Terra da Maçã, Fraiburgo construiu uma relação histórica com a fruticultura. Os pomares fazem parte da paisagem rural do município e representam uma importante fonte de atividade econômica, com reflexos no comércio, na prestação de serviços e nas oportunidades de trabalho durante os períodos de maior demanda.
A região possui características que favorecem o cultivo e desenvolveu uma estrutura produtiva voltada à qualidade e à comercialização da fruta. A colheita mobiliza trabalhadores em diferentes etapas, enquanto as empresas do setor atuam na seleção, conservação e distribuição da produção.
A importância da maçã também se estende à identidade cultural do município. A fruta está associada à trajetória de desenvolvimento de Fraiburgo e à maneira como a cidade se apresenta ao país, inclusive por meio de iniciativas ligadas ao turismo rural e às experiências relacionadas à produção agrícola.
Na safra 2024/2025, Santa Catarina produziu mais de 482,2 mil toneladas de maçã, conforme dados divulgados pela Epagri. As variedades Gala e Fuji concentraram a maior parte da produção estadual, demonstrando a relevância dessas cultivares para a cadeia produtiva catarinense.

São Joaquim e outras regiões reforçam a força da pomicultura catarinense
Embora Fraiburgo tenha papel histórico na produção de maçã, a atividade também se destaca em São Joaquim, Urubici, Urupema, Bom Jardim da Serra, Painel e outros municípios catarinenses.
São Joaquim, na Serra Catarinense, é reconhecido como o maior município produtor de maçã do Brasil, de acordo com os dados de 2025 do IBGE. A altitude, as baixas temperaturas durante o inverno e as condições climáticas adequadas ao desenvolvimento das macieiras contribuem para a produção e a qualidade dos frutos.
O cultivo exige planejamento ao longo de todo o ano. A preparação dos pomares, os cuidados com as plantas, o acompanhamento das condições climáticas e a organização da colheita são etapas fundamentais para alcançar bons resultados.
As variedades Gala e Fuji estão entre as principais cultivadas no estado e possuem características próprias de desenvolvimento e comercialização. Para os produtores, atender às exigências do mercado depende não apenas da qualidade da fruta, mas também da capacidade de controlar custos e organizar a operação da propriedade.
Clima, custos e mão de obra estão entre os desafios
Apesar da relevância econômica, a produção de maçã enfrenta desafios que podem comprometer a produtividade e a rentabilidade das propriedades rurais. Eventos climáticos, variações de temperatura, excesso de chuva e outros fatores ambientais interferem no desenvolvimento dos frutos e nos resultados de cada safra.
A disponibilidade de trabalhadores também exige atenção, especialmente durante a colheita, quando a demanda por mão de obra aumenta. Ao mesmo tempo, os custos de produção e as exigências de qualidade do mercado tornam necessário aperfeiçoar a gestão das propriedades.
Nesse contexto, a adoção de tecnologias, o acompanhamento técnico e o planejamento financeiro ganham importância para que os produtores consigam identificar oportunidades de melhoria e tomar decisões mais seguras.
O presidente do Sindicato Rural de São Joaquim e vice-presidente de Finanças da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Antônio Marcos Pagani de Souza, destaca a relação entre a cultura da maçã, a economia regional e a necessidade de aprimorar a administração das propriedades.
“A maçã está diretamente ligada à economia e à história de São Joaquim. Temos produtores com grande conhecimento da atividade, mas os desafios aumentaram e hoje não basta produzir bem. É preciso controlar custos, planejar cada etapa e tomar decisões mais assertivas com base na tecnologia da informação”.
Assistência técnica auxilia produtores na gestão rural
Para contribuir com o desenvolvimento da fruticultura, produtores catarinenses contam com a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) e a Formação Profissional Rural (FPR), iniciativas oferecidas gratuitamente pelo Sistema Faesc/Senar em parceria com os Sindicatos Rurais.
A assistência técnica busca orientar os produtores no aprimoramento dos processos produtivos e na gestão das propriedades. O acompanhamento permite avaliar indicadores, identificar despesas, organizar o planejamento e buscar alternativas para melhorar a eficiência da atividade.
Já a Formação Profissional Rural contribui para o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades necessários ao trabalho no campo, apoiando a qualificação dos trabalhadores e das famílias que dependem da atividade agropecuária.
Para o presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, a integração entre conhecimento técnico e gestão é essencial para fortalecer a competitividade do setor.
“A ATeG permite que o produtor conheça melhor os números da propriedade, identifique onde estão os principais custos e tome decisões com maior segurança. Ao mesmo tempo, leva novas tecnologias e orientações técnicas ao campo. Esse conjunto melhora a eficiência produtiva, a competitividade e a renda das famílias atendidas”, afirma.
A combinação entre orientação especializada e organização financeira pode contribuir para que as propriedades enfrentem períodos de maior dificuldade e aproveitem melhor as oportunidades de mercado.

Maçã representa emprego, renda e permanência no campo
A importância da pomicultura vai além dos resultados obtidos nas lavouras. A atividade contribui para a geração de empregos, movimenta empresas e serviços e ajuda a manter famílias no meio rural.
Em municípios como Fraiburgo, a cadeia produtiva está associada à trajetória de desenvolvimento local e à construção de uma identidade reconhecida nacionalmente. A presença da fruta também abre possibilidades de integração com o turismo, valorizando a paisagem dos pomares, a história da produção e as experiências relacionadas à cultura agrícola.
Pedrozo ressalta que a continuidade desse trabalho depende da valorização dos produtores e da criação de condições para que a atividade permaneça economicamente viável.
“A pomicultura representa renda, emprego e permanência das famílias no campo. O estado construiu uma relação histórica com a maçã e hoje é referência nacional pela qualidade da produção e pela dedicação de seus produtores. Valorizar essa cadeia significa reconhecer a contribuição de milhares de famílias para a economia catarinense e criar condições para que a atividade continue forte e competitiva”, conclui.
Com tradição produtiva, investimentos em tecnologia e iniciativas de qualificação, Santa Catarina mantém a maçã entre as culturas de relevância para o agronegócio estadual. Em Fraiburgo, essa trajetória continua ligada à economia, à geração de oportunidades e à identidade de um município que transformou a fruta em uma de suas principais marcas.
Com informações do Sistema Faesc/Senar





















