17/10/2026
El Niño aumenta os riscos climáticos para os vinhedos e exige atenção na próxima safra
El Niño aumenta os riscos climáticos para os vinhedos e exige atenção na próxima safra

El Niño aumenta os riscos climáticos para os vinhedos e exige atenção na próxima safra

Chuvas podem favorecer o desenvolvimento das videiras antes da floração, mas precipitações excessivas, granizo e umidade elevada ameaçam a produtividade, a sanidade das uvas e o planejamento da colheita

Bom Dia SC – As condições climáticas previstas para os próximos meses colocam os produtores de uvas em estado de atenção para a próxima safra. A influência do El Niño, fenômeno climático associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, pode favorecer episódios de chuva intensa e aumentar os riscos de granizo em regiões produtoras do Sul do Brasil. Nesse cenário, o acompanhamento das condições meteorológicas e o manejo adequado dos vinhedos tornam-se fundamentais para preservar a produção e a qualidade das uvas.

Embora a chuva seja importante para o desenvolvimento das videiras, seus efeitos variam conforme a fase do ciclo vegetativo. A quantidade de água disponível no solo, a distribuição das precipitações e a ocorrência de eventos extremos podem interferir diretamente na floração, na formação dos frutos e no amadurecimento das bagas.

Na Serra Gaúcha, uma das principais regiões vitivinícolas do país, os produtores acompanham a evolução das condições climáticas para ajustar as práticas de manejo às necessidades das plantas. Segundo o vinhateiro Felipe Marques Pereira, a atenção precisa ser redobrada diante da possibilidade de chuvas intensas e granizo durante as diferentes etapas da safra.

Chuvas antes da floração podem beneficiar as videiras

Na fase de pré-floração, a disponibilidade de água contribui para o desenvolvimento das videiras e para a absorção de nutrientes necessários ao crescimento das plantas. Esse período antecede uma etapa importante do ciclo produtivo, quando ocorre a abertura das flores e começa o processo de formação dos frutos.

A presença de umidade adequada no solo ajuda a atender às necessidades fisiológicas das videiras, favorecendo o desenvolvimento vegetativo. Entretanto, o benefício depende do equilíbrio hídrico, já que o excesso de precipitação pode trazer consequências negativas nas etapas seguintes.

Durante a floração, por exemplo, chuvas frequentes podem dificultar a abertura das estruturas florais, reduzir a exposição das flores à luz solar e prejudicar a polinização. Essas condições podem comprometer o desenvolvimento dos cachos e influenciar a quantidade de uvas produzidas.

Por isso, o acompanhamento do clima precisa considerar não apenas o volume total de chuva, mas também o momento em que as precipitações acontecem. Uma mesma quantidade de água pode ter efeitos diferentes conforme a fase de desenvolvimento das plantas e as características de cada vinhedo.

Excesso de umidade aumenta o risco de doenças

El Niño aumenta os riscos climáticos para os vinhedos e exige atenção na próxima safra
El Niño aumenta os riscos climáticos para os vinhedos e exige atenção na próxima safra

Após a floração, as videiras entram no período de formação e crescimento das bagas. Nessa etapa, a água continua sendo essencial para o desenvolvimento dos frutos, mas a umidade excessiva pode favorecer a ocorrência de doenças fúngicas.

A combinação entre temperaturas favoráveis, folhas molhadas e pouca ventilação no interior da vegetação pode criar condições propícias à disseminação de patógenos. Por esse motivo, o manejo fitossanitário ganha importância, exigindo monitoramento frequente e intervenções adequadas às condições encontradas no campo.

A ocorrência de chuvas sucessivas também pode dificultar a aplicação de produtos utilizados no controle de doenças, uma vez que as condições meteorológicas interferem no planejamento dos tratamentos. O produtor precisa avaliar o momento adequado para cada intervenção, respeitando as recomendações técnicas e os intervalos de segurança.

Além disso, o excesso de umidade pode afetar a sanidade dos cachos e aumentar a possibilidade de perdas antes da colheita. Esses fatores reforçam a importância de decisões baseadas no acompanhamento das plantas e nas previsões meteorológicas.

Granizo pode comprometer a produção por mais de uma safra

Entre os riscos associados aos eventos climáticos extremos, o granizo está entre as principais preocupações dos viticultores. As pedras de gelo podem atingir folhas, brotos, ramos e frutos, provocando ferimentos e comprometendo diferentes estruturas das videiras.

A gravidade dos danos depende da intensidade do fenômeno, do estágio de desenvolvimento das plantas e da extensão da área atingida. Em situações mais severas, os impactos vão além da perda imediata de parte da produção e podem afetar a capacidade de recuperação das videiras.

De acordo com Felipe Marques Pereira, os prejuízos podem se estender por mais de um ciclo produtivo.

“Às vezes tem plantas que precisam de duas, três safras para ser recuperadas de uma chuva de granizo”, avalia o vinhateiro.

Os ferimentos provocados pelo granizo podem comprometer o desenvolvimento dos ramos e das bagas, além de aumentar a vulnerabilidade das plantas a outros problemas fitossanitários. Dependendo dos danos, a recuperação exige intervenções específicas e acompanhamento técnico ao longo das safras seguintes.

A possibilidade de episódios extremos torna o planejamento ainda mais desafiador, especialmente porque os prejuízos podem variar significativamente entre propriedades e até mesmo entre diferentes áreas de um mesmo vinhedo.

El Niño aumenta os riscos climáticos para os vinhedos e exige atenção na próxima safra
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Menos chuva durante o amadurecimento pode favorecer a qualidade

A fase de maturação representa outro momento decisivo para a produção de uvas destinadas à elaboração de vinhos. Nesse período, as condições climáticas influenciam a composição dos frutos, a concentração de açúcares, a acidez e as características que serão importantes para o produto final.

Quando as condições são favoráveis e há menor volume de chuva, o produtor pode ter mais controle sobre o acompanhamento da maturação e a definição do ponto ideal de colheita. Isso não significa, porém, que a falta de água seja sempre benéfica. A disponibilidade hídrica precisa permanecer adequada às necessidades das plantas, evitando situações de estresse excessivo.

A escolha do momento da colheita considera as características desejadas para cada tipo de vinho e as condições apresentadas pelas uvas. Por isso, a avaliação da maturação e da sanidade dos frutos deve ser realizada continuamente.

Segundo Pereira, a redução das chuvas durante essa etapa pode ampliar a capacidade de planejamento do produtor.

“Se você tem menos chuva, consegue ter mais controle sobre o ponto que vai colher a uva”, afirma.

A previsibilidade também influencia o manejo fitossanitário. Quando os cachos estão próximos do ponto de colheita, uma nova precipitação pode exigir a reavaliação dos tratamentos realizados e do intervalo de carência dos produtos utilizados, conforme as orientações técnicas e as exigências aplicáveis.

Essas condições podem alterar o calendário de trabalho e exigir mudanças na programação da colheita, especialmente quando há risco de deterioração dos frutos.

El Niño aumenta os riscos climáticos para os vinhedos e exige atenção na próxima safra
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Planejamento e monitoramento são essenciais para enfrentar o El Niño

Diante da variabilidade climática, o acompanhamento meteorológico e a observação constante dos vinhedos são ferramentas importantes para reduzir riscos. O planejamento precisa considerar as particularidades de cada área, o estágio de desenvolvimento das videiras e as condições de umidade e temperatura.

Entre as medidas que podem contribuir para o manejo estão o monitoramento de doenças, a manutenção da vegetação em condições adequadas de ventilação, a avaliação da drenagem do solo e o planejamento dos tratamentos fitossanitários conforme as recomendações técnicas.

A adoção dessas práticas não elimina os impactos de fenômenos extremos, como o granizo, mas pode ajudar a identificar problemas com antecedência e orientar decisões para reduzir perdas.

O clima também influencia a organização da mão de obra, a disponibilidade de equipamentos e a logística necessária para realizar a colheita no período mais adequado. Quando as chuvas se tornam frequentes, as decisões precisam ser tomadas com maior agilidade para preservar a integridade dos frutos.

Condições climáticas influenciam toda a cadeia vitivinícola

Os efeitos das chuvas e do El Niño vão além da quantidade de uvas colhidas. A distribuição das precipitações ao longo do ciclo interfere na sanidade dos frutos, no equilíbrio entre açúcar e acidez, na programação da vindima e nas características da matéria-prima utilizada na elaboração dos vinhos.

Para os produtores, o desafio está em adaptar o manejo às condições de cada safra, considerando que o comportamento do clima pode mudar significativamente entre as fases de desenvolvimento das videiras.

Na próxima safra, a atenção às previsões meteorológicas, o acompanhamento técnico e a definição de estratégias adequadas serão fundamentais para enfrentar os riscos climáticos. Em um cenário de maior possibilidade de chuvas intensas e granizo, a capacidade de resposta dos produtores pode fazer diferença na preservação dos vinhedos e na qualidade da produção.

Mais do que o volume de chuva registrado, será a combinação entre intensidade, frequência e momento das precipitações que determinará parte dos desafios enfrentados pela viticultura nos próximos meses.

Com informações Assessoria de Imprensa Casa Marques Pereira

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