Atentados de 2001 mataram 2.977 pessoas, transformaram a cobertura jornalística ao vivo e deixaram consequências que atravessam gerações, da saúde dos sobreviventes à segurança internacional
Bom Dia SC – Há acontecimentos que entram para a história não apenas pelos fatos que provocaram, mas também pelas imagens que os transformaram em memória coletiva. O 11 de Setembro de 2001 é um desses episódios. Nesta sexta-feira, 11 de setembro de 2026, completam-se 25 anos dos ataques terroristas que atingiram os Estados Unidos e alteraram profundamente a percepção mundial sobre segurança, terrorismo, comunicação e até mesmo sobre a maneira como as pessoas consomem notícias.
Naquela manhã, milhões de pessoas acompanharam pela televisão as imagens de Nova York tomada por fumaça. As Torres Gêmeas do World Trade Center, símbolos do poder econômico norte-americano, foram atingidas por dois aviões sequestrados e posteriormente desabaram. Pouco depois, o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, também foi atingido. Um quarto avião caiu em uma área rural da Pensilvânia após passageiros e tripulantes reagirem aos sequestradores.
Ao todo, 2.977 pessoas morreram nos ataques, sem contar os 19 sequestradores. As vítimas eram de mais de 90 países. Segundo o National September 11 Memorial & Museum, foram 2.753 mortes em Nova York, 184 no Pentágono e 40 a bordo do voo 93.
Uma manhã que mudou a televisão e a memória coletiva
O impacto do 11 de Setembro não ficou restrito aos locais atingidos. A tragédia foi acompanhada praticamente em tempo real por uma audiência global.
Naquele período, a internet ainda não ocupava o espaço que possui atualmente. Redes sociais, transmissões instantâneas por celular e plataformas de vídeo ainda não faziam parte da rotina. A televisão era, para grande parte da população, a principal janela para o que estava acontecendo.
A sucessão de imagens — o primeiro avião atingindo a Torre Norte, o segundo choque, a fumaça, a fuga de milhares de pessoas e, posteriormente, o colapso dos edifícios — foi transmitida repetidamente durante horas e dias.
Para o professor Eugênio Bucci, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), essa repetição teve papel importante na dimensão traumática do acontecimento. Segundo ele, a televisão criou uma espécie de suspensão do tempo ao repetir continuamente as mesmas cenas.
A experiência fez com que o acontecimento ultrapassasse a dimensão de uma notícia e passasse a ocupar um espaço particular na memória de uma geração. Décadas depois, muitas pessoas ainda conseguem identificar onde estavam quando souberam dos ataques.
A força das imagens também ajuda a explicar por que o 11 de Setembro permanece tão presente no imaginário mundial. As cenas não mostravam apenas a destruição de dois edifícios. Elas registravam, ao vivo, a ruptura de uma sensação de segurança que parecia consolidada no início do século 21.
Quatro aviões e uma operação coordenada
Os ataques foram planejados pela Al-Qaeda, organização extremista liderada à época por Osama bin Laden. Dezenove integrantes do grupo sequestraram quatro aviões comerciais que haviam decolado da costa leste dos Estados Unidos com destino à Califórnia.
O primeiro avião, o American Airlines Flight 11, atingiu a Torre Norte às 8h46. Dezessete minutos depois, às 9h03, o United Airlines Flight 175 atingiu a Torre Sul. Os impactos provocaram incêndios de grandes proporções e comprometeram a estrutura dos edifícios.
Às 9h37, o American Airlines Flight 77 atingiu o Pentágono, em Arlington, na Virgínia.
O quarto avião, o United Airlines Flight 93, tinha como provável destino um importante edifício do governo em Washington. Passageiros e tripulantes, depois de tomarem conhecimento de outros ataques, reagiram contra os sequestradores. A aeronave caiu em uma área rural próxima a Shanksville, na Pensilvânia.
A reação dos passageiros impediu que o avião atingisse o alvo planejado, mas todos os 40 passageiros e tripulantes morreram.
O colapso das Torres Gêmeas
Quando os aviões atingiram o World Trade Center, milhares de pessoas estavam dentro do complexo. Estimativas indicam que entre 16,4 mil e 18 mil pessoas estavam no conjunto de edifícios no momento dos impactos. A maioria conseguiu deixar os prédios antes dos colapsos.
As aeronaves provocaram danos severos à estrutura, enquanto o combustível dos aviões alimentou incêndios de grandes proporções. O calor enfraqueceu componentes estruturais e contribuiu para o colapso das torres.
A Torre Sul caiu às 9h59. A Torre Norte desabou às 10h28.
O cenário que se seguiu ficou conhecido mundialmente como Ground Zero. Uma enorme nuvem de poeira e detritos tomou as ruas de Lower Manhattan, enquanto bombeiros, policiais, profissionais de emergência e voluntários iniciavam uma das maiores operações de resgate e recuperação da história da cidade.
Entre os mortos estavam 441 profissionais de emergência, segundo dados do Memorial.

Uma tragédia que também deixou marcas na saúde
As consequências do 11 de Setembro não terminaram quando os incêndios foram controlados e os escombros começaram a ser retirados.
A destruição dos edifícios lançou no ar uma mistura complexa de poeira e resíduos provenientes de concreto, vidro, metais, materiais de construção e produtos da combustão. Estudos ambientais identificaram, entre outros componentes, amianto, chumbo, fibras de vidro e partículas finas.
A exposição atingiu bombeiros, policiais, equipes de resgate, trabalhadores da limpeza, moradores e pessoas que estavam na região durante ou depois dos ataques.
Pesquisas posteriores encontraram impactos respiratórios e psicológicos entre pessoas expostas. Um estudo relacionado ao World Trade Center Health Registry estimou que quase 410 mil pessoas faziam parte da população potencialmente exposta. Entre os participantes acompanhados, foram relatados sintomas respiratórios e sinais de transtorno de estresse pós-traumático.
Assim, a história do 11 de Setembro também passou a ser contada por meio das doenças desenvolvidas anos depois, das famílias que continuaram enfrentando perdas e dos profissionais que carregaram consequências físicas e emocionais do trabalho realizado em Ground Zero.
O resgate e a retirada dos escombros
A destruição do World Trade Center produziu uma quantidade gigantesca de resíduos. O trabalho de limpeza e recuperação se estendeu por meses, enquanto equipes procuravam sobreviventes, identificavam vítimas e retiravam os destroços.
O material produzido pelo colapso também representou um desafio ambiental sem precedentes para Nova York. Estudos da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos apontaram que a queda das torres produziu mais de um milhão de toneladas de detritos pulverizados e materiais queimados, que se espalharam por Lower Manhattan.
A remoção dos escombros se transformou em uma operação complexa, marcada pelo trabalho contínuo de milhares de pessoas.
O impacto internacional do 11 de Setembro
Os ataques também deram início a uma nova fase da política internacional. Pouco depois da tragédia, os Estados Unidos lançaram a chamada “Guerra ao Terror”, com ações militares e de inteligência que tiveram repercussões durante décadas.
O Afeganistão tornou-se o primeiro grande palco dessa resposta. A Al-Qaeda mantinha bases e campos de treinamento no país, sob o governo do Talibã. Em outubro de 2001, os Estados Unidos iniciaram uma operação militar no território afegão.
A influência do 11 de Setembro também alcançou aeroportos, sistemas de segurança, inteligência, políticas de imigração e procedimentos de controle de passageiros em diversos países.
Ao longo dos anos, a Al-Qaeda perdeu parte de sua força original, especialmente após a morte de Osama bin Laden, em 2011, durante uma operação norte-americana no Paquistão. Ainda assim, a organização não desapareceu completamente e passou a operar de maneira mais descentralizada, mantendo influência por meio de grupos afiliados em diferentes regiões.
25 anos depois, a responsabilização ainda não terminou
Um dos capítulos mais longos relacionados ao 11 de Setembro permanece no sistema judicial norte-americano.
Khalid Sheikh Mohammed, apontado como um dos principais responsáveis pelo planejamento dos ataques, foi capturado no Paquistão em 2003 e posteriormente levado para a prisão militar norte-americana de Guantánamo, em Cuba.
Depois de quase duas décadas de disputas jurídicas e adiamentos, ele e três outros acusados têm julgamento previsto para junho de 2028 perante um tribunal militar. A seleção do júri está programada para começar em 5 de junho daquele ano.
O processo é considerado um dos mais complexos da história recente dos Estados Unidos justamente pela quantidade de questões jurídicas, de segurança e de provas envolvidas.
Uma memória que continua sendo reconstruída
Em Nova York, o espaço onde ficavam as Torres Gêmeas foi transformado em memorial. Duas grandes piscinas ocupam as áreas das antigas torres, com os nomes das vítimas gravados em suas bordas.
O Memorial do 11 de Setembro preserva objetos pessoais, fotografias, relatos e documentos relacionados às vítimas e aos acontecimentos daquele dia. A exposição “In Memoriam” apresenta os rostos das 2.977 pessoas mortas nos ataques de 2001, além das seis vítimas do atentado de 1993 contra o World Trade Center.
Todos os anos, em 11 de setembro, os nomes das vítimas são lidos durante uma cerimônia de homenagem.
Mais do que preservar a história de uma tragédia, a iniciativa busca recuperar a dimensão humana de cada uma das pessoas que morreram.
As imagens que não desapareceram
Vinte e cinco anos depois, o mundo mudou. A internet se tornou instantânea, as redes sociais passaram a dominar a circulação de informações e as pessoas passaram a acompanhar acontecimentos por telas cada vez menores.
Mas as imagens daquele 11 de setembro continuam reconhecíveis.
A fumaça sobre Manhattan, os aviões atingindo as torres, a multidão correndo pelas ruas, os bombeiros entrando nos edifícios e o colapso das torres permanecem como algumas das imagens mais marcantes da história contemporânea.
11 de Setembro deixou de ser apenas uma data no calendário
O 11 de Setembro deixou de ser apenas uma data no calendário. Tornou-se uma referência para uma geração e um marco histórico que continua sendo estudado por jornalistas, historiadores, pesquisadores, especialistas em comunicação, profissionais de saúde e cientistas políticos.
Ao completar 25 anos, a tragédia mostra que determinados acontecimentos não terminam quando o noticiário deixa de transmiti-los. Eles continuam presentes na memória, na saúde de sobreviventes e socorristas, nas famílias que perderam pessoas e nas transformações políticas e sociais que vieram depois.
É justamente por isso que, um quarto de século depois, aquelas imagens ainda provocam silêncio, choque e reconhecimento imediato em quem as vê. Elas não registraram apenas a queda de duas torres. Registraram o instante em que o mundo percebeu que havia entrado em uma nova era.





















