Médicos da HU Brasil reforçam importância do cadastro como doador voluntário
Bom Dia SC – Em fevereiro de 2007, aos 21 anos, Igor Vicente recebeu o diagnóstico de anemia aplásica severa e o tratamento necessário seria o transplante de medula óssea. Na busca por um doador, a resposta estava muito próxima a ele: o seu irmão, Rômulo, na época com 27 anos, foi 100% compatível e se tornou o doador que o ajudaria a enfrentar a doença não somente uma, mas duas vezes. “Eu não sei explicar, mas, lá no fundo, eu sabia que era compatível. Eu sabia que quem iria fazer aquilo por ele seria eu”, disse Rômulo.
A história dos irmãos ilustra como a doação de medula óssea pode mudar vidas e esse é um tema que ganha ainda mais destaque no Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, celebrado sempre no terceiro sábado do mês de setembro, neste ano, no dia 19.
Oportunidade de recomeçar
Igor é paciente do Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), integrante da HU Brasil, onde recebeu o diagnóstico e realizou os procedimentos. A anemia aplásica é uma condição em que a medula deixa de produzir as células sanguíneas, causando sintomas como cansaço extremo e sangramentos. Foram esses sinais que fizeram com que ele buscasse auxílio médico no posto de saúde e, de lá, fosse encaminhado ao CHC-UFPR.
No caso de Igor, a manifestação dessa doença foi classificada como idiopática, quando não é possível identificar a causa exata. Em 28 de março daquele ano, ele fez o seu primeiro transplante. Mesmo seguindo as recomendações, a doença retornou dois anos depois e ele precisou passar por um segundo transplante, também com o irmão Rômulo, que afirmou: “Eu não tive dúvida alguma. Eu estava de novo ali, totalmente disposto a salvar a vida do meu irmão”.
Hoje, Igor resume sua trajetória de recomeço, já com 17 anos livre da doença, trabalhando como desenvolvedor de sistemas e pai de três filhos: “Depois do período crítico, eu voltei ao mercado de trabalho em 2011, tive alta, já sem medicamento contra rejeição. Tive esse percalço, mas hoje consigo ter uma vida normal”.
Para Rômulo, acompanhar a recuperação de Igor também reforçou a experiência da doação como recompensadora: “É uma sensação muito boa fazer algo assim por uma pessoa. Estou superfeliz pelo meu irmão. Ele está bem hoje, está curado”.

A importância da medula óssea no tratamento de doenças hematológicas
A medula óssea é responsável pela produção das células do sangue (os glóbulos vermelhos, brancos e as plaquetas), explicou a hematologista Giovanna Steffenello, do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (HU-UFSC), vinculado à HU Brasil. O transplante é indicado principalmente em leucemias agudas e crônicas, síndromes mielodisplásicas, linfomas e mielomas que não respondem bem a outros tratamentos, além de doenças não malignas, como aplasia de medula e algumas imunodeficiências, e doenças genéticas. Segundo a especialista, nessas condições, a medula do paciente deixa de funcionar corretamente e precisa ser substituída.
“A compatibilidade é avaliada por um exame chamado tipagem HLA (antígeno leucocitário humano), que identifica marcadores genéticos nas células. Quanto mais compatíveis os marcadores entre doador e receptor, menor o risco de rejeição ou de complicações. Irmãos têm cerca de 25% de chance de compatibilidade total. Quando não há doador familiar, a busca é feita em bancos de registro nacional e internacional”, informou Giovanna.
Quem pode doar?
No Brasil, o cadastro é concentrado no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea, o Redome, que já é o terceiro maior banco de doadores do mundo, segundo informações disponíveis no site da instituição. O hematologista Fernando Barroso, chefe da Unidade de Hematologia e Hemoterapia, do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (CH-UFC), também integrante da HU Brasil, destacou que o cadastro de voluntários é feito nos Hemocentros de todo o país.
“Para se tornar candidato a doador, é necessário ter entre 18 e 35 anos, apresentar documento original de identificação com foto e estar em bom estado de saúde”, detalhou Barroso. Segundo ele, algumas condições impedem o cadastro, como histórico de câncer ou diagnóstico de algumas doenças autoimunes (como lúpus, fibromialgia, esclerose múltipla, Doença de Crohn etc.). O Redome disponibiliza uma lista dessas condições que inviabilizam a inscrição.
O desafio para encontrar doadores é uma realidade mundial, mas Barroso faz um alerta ainda mais específico para algumas populações. Como a compatibilidade depende de características genéticas que mudam entre os diferentes grupos populacionais, pessoas que pertencem a grupos ainda menos representados nesses registros, como os povos asiáticos, indígenas ou de etnias que residem distante de seu país de origem, acabam tendo maior dificuldade para encontrar um doador compatível, segundo o especialista.
O apelo para se tornar um doador voluntário é, portanto, geral e, após o cadastro, é importante também manter os dados pessoais, como endereço ou telefone, atualizados. A atualização pode ser feita pelo site e aplicativo do Redome, ou nos próprios Hemocentros. “O cadastro voluntário é a única forma de esperança para alguns pacientes, considerando que só 25% têm doadores compatíveis nas famílias”, sinalizou Fernando Barroso.
Como é feita a doação
Antes do transplante, o paciente e o doador passam por exames para confirmar que os dois estejam em boas condições clínicas. A hematologista Vaneuza Funke, chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e da Inovação Tecnológica do CHC-UFPR, esclareceu também que a doação pode ser feita por coleta do sangue periférico (que está nos vasos sanguíneos) ou por punção do osso da bacia.
Se a fonte de células do doador for a do sangue periférico, ele precisa aplicar um medicamento para estimular as células e a coleta é feita entre um e dois dias antes do transplante. “Não precisa internação, a não ser que precise colocar um cateter para coletar”, explica.
Já quando a fonte é a punção do osso da bacia, o doador precisa internar. É feita uma anestesia e os médicos coletam a medula. “A recuperação nos dois casos é rápida e ele pode ter alta 24 horas depois. São procedimentos seguros para o doador”, afirma a médica. Após a coleta, então, a medula óssea é infundida no paciente, que fica internado até a chamada “pega” acontecer, quando a nova medula começa a produzir novas células sanguíneas.
A experiência de Rômulo ajuda a reforçar como é o processo para quem decide doar. “Eu tive bastante confiança que eles sabiam o que estavam fazendo. Foi a primeira vez que eu me submeti a um procedimento cirúrgico, assim, de anestesia geral. Mas foi tudo bem, a minha recuperação foi rápida”, conta.
Para Vaneuza, a decisão de ser um doador é uma oportunidade de salvar a vida do paciente e da sua família. “Doar medula óssea é um ato de doar esperança de vida para os pacientes. Deve ser um ato espontâneo e consciente, mas sem dúvida é um ato de amor ao próximo”, afirma.
Sobre a HU Brasil
O HU-UFSC integra a HU Brasil desde 2016. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
Fonte: Assessoria de Imprensa





















