11/07/2026
Santa Catarina mantém força no turismo, apesar de recuo nos gastos na temporada de Verão em 2026
Santa Catarina mantém força no turismo, apesar de recuo nos gastos na temporada de Verão em 2026/Foto: Evandro Novak-TV Bom Dia SC

Santa Catarina mantém força no turismo, apesar do recuo nos gastos na temporada de Verão em 2026

Estudo aponta que o futuro do Turismo no estado dependerá de avanços estruturais

Bom Dia SC – A temporada de verão de 2026 no litoral de Santa Catarina trouxe um cenário de contraste para o setor turístico. Embora o estado tenha mantido indicadores relevantes, como alta presença internacional e bom nível de satisfação dos visitantes, a queda no gasto médio dos turistas e a frustração de parte do empresariado evidenciam um momento de ajuste após um ciclo de forte crescimento. Os dados constam da Pesquisa Turismo de Verão no Litoral Catarinense 2026, produzida pela Fecomércio SC e apresentada na manhã desta quinta-feira (26), durante a primeira reunião do ano da Câmara Empresarial de Turismo da Federação.

De acordo com a Pesquisa, o gasto médio por grupo caiu 16,4% em relação ao ano anterior, passando de R$ 9.833 para R$ 8.224. Ainda assim, o valor permanece como o segundo maior da série histórica iniciada em 2013, reforçando que o recuo ocorre após um período considerado fora da curva.

O presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, avalia que o desempenho já era esperado dentro de um movimento de acomodação do mercado:

“Nós vivemos um pico atípico em 2025, impulsionado principalmente por fatores cambiais e pela percepção de um destino mais acessível para o turista estrangeiro. O que vemos agora é um retorno à normalidade. Ainda assim, é importante destacar que os números continuam elevados dentro da série histórica.”

Dagnoni também destacou que a expectativa inicial acabou impactando a percepção do setor:

“Havia uma expectativa muito alta para repetir ou até superar a última temporada. Janeiro ficou abaixo do esperado, o que gerou frustração, mas tivemos uma recuperação importante em fevereiro e março, especialmente com a presença dos turistas estrangeiros.”

Turista mais cauteloso e impacto no consumo

O levantamento aponta uma mudança clara no comportamento do visitante. Mesmo com fluxo estável, os turistas demonstraram maior cautela nos gastos, priorizando economia e planejamento.

Esse movimento afetou diretamente setores como alimentação e varejo. Restaurantes, por exemplo, registraram queda significativa no faturamento, refletindo a preferência por refeições preparadas em imóveis alugados, modalidade que liderou a hospedagem, com mais de 40% de adesão.

Já o comércio de vestuário teve uma retração ainda mais acentuada, evidenciando um consumo mais seletivo.

Por outro lado, segmentos ligados à experiência apresentaram crescimento. Agências de turismo, operadores e meios de hospedagem tiveram desempenho positivo, indicando uma mudança no perfil de gasto: menos consumo impulsivo e mais investimento em experiências estruturadas.

Presença estrangeira cresce, mas com menor poder de compra

Um dos destaques da temporada foi o aumento da participação internacional, que chegou a 36,5% dos visitantes. Os argentinos seguem como maioria entre os estrangeiros, representando 29% do total.

Apesar disso, o gasto médio desse público também caiu, refletindo mudanças no cenário econômico e cambial.

“O turista argentino continua sendo fundamental para Santa Catarina, mas já não encontra o mesmo nível de vantagem cambial do ano passado. Isso naturalmente impacta o volume de gastos”, explica Dagnoni.

Perfil mais maduro e protagonismo da classe média

A pesquisa também revela um turismo mais consolidado e familiar. Casais e famílias representaram mais de 85% do público, com predominância da classe média especialmente na faixa entre dois e oito salários mínimos.

Outro dado relevante é o envelhecimento do turista: a média de idade subiu para 45 anos, com queda significativa na participação de jovens.

Além disso, o carro próprio segue como principal meio de transporte, embora o crescimento do modal aéreo indique uma ampliação do alcance do destino.

Infraestrutura e custo preocupam o setor

Apesar da avaliação positiva dos turistas com 78% classificados como promotores do destino, desafios estruturais seguem como entraves à competitividade.

Problemas como mobilidade urbana, saneamento e custo elevado foram amplamente citados tanto por empresários quanto por visitantes.

Santa Catarina mantém força no turismo, apesar de recuo nos gastos na temporada de Verão em 2026
Presidente da Associação de Jornalistas de Turismo de Santa Catarina – ABRAJET SC, Maely Silva, participou da reunião da Câmara de Turismo da Fecomércio SC

A presidente da ABRAJET SC, Maely Silva, destaca que o momento exige articulação entre os setores:

“O turismo catarinense atingiu um nível de maturidade importante, mas isso também traz novos desafios. Precisamos atuar de forma integrada, com o setor privado organizado e participativo, para influenciar decisões e garantir melhorias estruturais.”

Ela reforça o papel das entidades como agentes de mobilização:

“Nosso papel é justamente articular, fomentar o debate e defender pautas estratégicas. Quando o setor privado se une em torno de uma bandeira comum, ele ganha força para provocar mudanças reais.”

Turismo em SC ajusta rota após verão recorde, mas mantém força como destino nacional e internacional
Turismo em SC ajusta rota após verão recorde, mas mantém força como destino nacional e internacional

O desafio: equilibrar valor e acessibilidade

O cenário atual revela um paradoxo: Santa Catarina se consolida como destino valorizado, com forte apelo internacional, mas corre o risco de se tornar caro demais para seu principal público a classe média.

Para Maely Silva, o futuro depende desse equilíbrio:

“Santa Catarina entrega belezas naturais, segurança e experiências de qualidade. Mas, se não avançarmos em infraestrutura e controle de custos, podemos perder competitividade. O desafio é crescer sem afastar o nosso público fiel.”

Em sua análise a Presidente da Câmara de Turismo da Fecomércio-SC, Audrey Rembowsky, fala que os dados demonstram que o Estado não perdeu força turística:

“Os dados mostram que Santa Catarina não perdeu força turística, o que estamos vivendo é um movimento de ajuste após uma temporada excepcional. Mesmo com retração nos gastos, seguimos com indicadores muito relevantes, como a alta satisfação dos visitantes, a presença internacional expressiva e a consolidação do estado como um dos destinos mais competitivos do Brasil. Esse cenário reforça que o turismo catarinense amadureceu e agora exige ainda mais estratégia, qualificação, infraestrutura e articulação entre poder público e iniciativa privada para sustentar seu crescimento de forma consistente.”

Já Dagnoni reforça que o protagonismo da iniciativa privada será decisivo:

“A engrenagem do turismo passa, necessariamente, pela atuação das entidades representativas. Mesmo com um papel consultivo, conseguimos influenciar políticas e direcionar investimentos. É essa união que vai permitir que o setor continue evoluindo.”

Perspectivas

O balanço da temporada de 2026 aponta para um turismo mais maduro, exigente e consciente. A combinação entre crescimento sustentável, melhoria da infraestrutura e equilíbrio de preços será determinante para manter Santa Catarina entre os principais destinos do país.

O setor agora volta suas atenções para o futuro com o desafio de transformar aprendizado em estratégia.

Com informações da Fecomércio SC

Coluna: Maely Silva – Jornalista
Presidente da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo – ABRAJET-SC
Diretora de Marketing da AFEET – Associação Federativa de Executivas de Empresas de Turismo

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