25/08/2026
Projeto Caminho do Rio do Peixe avança e busca cessão de 372 km da Ferrovia do Contestado
Projeto Caminho do Rio do Peixe avança e busca cessão de 372 km da Ferrovia do Contestado

Projeto Caminho do Rio do Peixe avança e busca cessão de 372 km da Ferrovia do Contestado

Instituto Caminho do Rio do Peixe pretende transformar antiga faixa ferroviária em eixo de integração turística, desenvolvimento regional e novas experiências no Meio-Oeste catarinense

Bom Dia SC – O Projeto Caminho do Rio do Peixe deu mais um passo para sair do papel e se consolidar como uma proposta de desenvolvimento turístico e econômico para o Meio-Oeste de Santa Catarina. Em audiência virtual realizada na segunda-feira (24 de agosto), o Instituto Caminho do Rio do Peixe (ICARP) formalizou o interesse na cessão de uso da faixa de domínio da Ferrovia do Contestado, em uma iniciativa que pretende integrar municípios, atrativos turísticos, empreendimentos e comunidades ao longo do antigo traçado ferroviário.

A reunião foi articulada pelo ex-vereador de Curitiba Jorge Bernardi e contou com a participação da engenheira Maryane da Silva Figueiredo Araújo, diretora de Obras e Projetos da Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário (SNTF), vinculada ao Ministério dos Transportes.

A proposta apresentada pelo instituto envolve um trecho de aproximadamente 372 quilômetros, entre Porto União e Marcelino Ramos, em território catarinense. A intenção é buscar uma alternativa para a utilização da antiga faixa ferroviária, transformando o espaço em uma estrutura voltada principalmente ao turismo, à mobilidade ativa e à valorização das potencialidades econômicas e culturais da região.

Pedido será encaminhado ao Ministério dos Transportes

Nos próximos dias, o engenheiro Sady Zago, presidente do ICARP, deverá encaminhar oficialmente o pedido ao Ministério dos Transportes. O documento deverá apresentar como possibilidades a cessão da faixa de domínio ao Governo de Santa Catarina ou a formação de um consórcio envolvendo cerca de 25 municípios diretamente impactados pelo antigo traçado ferroviário.

A definição do modelo de gestão será um dos próximos desafios do projeto. A proposta é construir uma solução que permita a participação conjunta dos municípios e do Estado, garantindo condições para a implantação de infraestrutura e para a exploração turística planejada ao longo do percurso.

Durante a audiência, representantes do Ministério dos Transportes apresentaram diferentes alternativas para o encaminhamento da proposta. Para o ICARP, o encontro representou um avanço importante justamente por abrir espaço para a discussão institucional sobre o futuro da área.

Segundo Jorge Bernardi, diretor de Relações Institucionais do instituto, o objetivo agora é avançar na formalização e, paralelamente, ampliar a articulação política e administrativa com os municípios e o Governo do Estado.

Antiga ferrovia como corredor de turismo e desenvolvimento

Mais do que recuperar uma antiga estrutura ferroviária, o Projeto Caminho do Rio do Peixe pretende utilizar o traçado como um corredor de integração turística. A proposta reúne diferentes segmentos que já possuem presença na região e que poderiam ser conectados por meio de uma rota estruturada.

Entre as atividades previstas estão o enoturismo, a agroindústria, o turismo rural, a gastronomia, o turismo de bem-estar e o turismo religioso. A iniciativa também considera a ampliação da infraestrutura turística, com estímulo à implantação e qualificação de hotéis, pousadas, restaurantes e outros empreendimentos relacionados à cadeia do turismo.

Outro eixo apresentado pelo projeto é a diversificação das atividades agrícolas, com possibilidade de introdução e fortalecimento de novas matrizes produtivas, como a olivicultura e a produção de azeite.

A ideia é que o turismo não seja tratado de forma isolada, mas como uma atividade capaz de estimular diferentes setores da economia. A produção de alimentos, a gastronomia regional, a hotelaria, o comércio, os serviços e as experiências turísticas podem formar uma cadeia integrada ao longo do Caminho do Rio do Peixe.

Projeto Caminho do Rio do Peixe avança e busca cessão de 372 km da Ferrovia do Contestado
Projeto Caminho do Rio do Peixe avança e busca cessão de 372 km da Ferrovia do Contestado

Turismo religioso e experiências ligadas à história regional

A identidade histórica e cultural do território também aparece como um dos pilares da proposta. O projeto prevê a valorização de locais relacionados à religiosidade e à peregrinação, criando possibilidades para o desenvolvimento de roteiros específicos.

Entre os pontos mencionados estão a devoção a Frei Bruno, em Joaçaba, o Santuário de Nossa Senhora de Salete, em Marcelino Ramos, além de grutas e outros espaços religiosos existentes nos municípios que integram a área de influência do projeto.

A conexão desses atrativos poderia contribuir para a criação de roteiros de peregrinação e experiências de turismo religioso, segmento que vem ganhando espaço entre viajantes interessados em história, espiritualidade, cultura e experiências locais.

A proposta também permite que esses atrativos sejam integrados a outros produtos turísticos, como gastronomia, hospedagem, cicloturismo, turismo rural e atividades ligadas à natureza.

Ciclovia pretende conectar municípios e atrativos

Um dos principais componentes estruturais do projeto é a implantação de uma ciclovia compartilhada com pedestres ao longo do antigo corredor ferroviário.

A estrutura seria destinada tanto à prática esportiva quanto ao turismo, permitindo que moradores e visitantes utilizem o trajeto para deslocamentos, passeios e experiências de contato com as paisagens do Vale do Rio do Peixe.

O conceito acompanha uma tendência observada em diferentes regiões que transformaram antigos corredores ferroviários em espaços destinados ao turismo de natureza, caminhadas e ciclismo. Para o Meio-Oeste catarinense, a proposta também poderia criar uma nova forma de conhecer os municípios, conectando áreas urbanas, comunidades rurais, propriedades, empreendimentos turísticos e atrativos naturais e culturais.

Além de contribuir para a mobilidade ativa, a ciclovia poderá se tornar um dos produtos turísticos do projeto, especialmente para o crescimento do cicloturismo, segmento que movimenta visitantes interessados em percursos de longa distância e experiências ao ar livre.

Projeto estima investimento de R$ 150 milhões

De acordo com o ICARP, a implantação do Projeto Caminho do Rio do Peixe poderá representar um investimento estimado em aproximadamente R$ 150 milhões.

A expectativa apresentada pelo instituto é de que o projeto consiga atrair mais de 200 mil visitantes por ano, movimentando aproximadamente R$ 80 milhões anuais em receitas para empreendimentos comerciais da região.

Os números projetados mostram a dimensão econômica pretendida para a iniciativa. A estratégia é fazer com que o fluxo de visitantes seja distribuído por diferentes municípios, evitando que a atividade turística fique concentrada em poucos destinos.

Com a integração entre hospedagem, gastronomia, agricultura, experiências culturais, turismo religioso, cicloturismo e bem-estar, o projeto busca estimular a permanência dos visitantes por mais tempo e aumentar o consumo de produtos e serviços locais.

Próxima etapa será articulação regional

Com a manifestação formal de interesse encaminhada ao Ministério dos Transportes, o projeto entra agora em uma etapa de articulação que deverá envolver os municípios, o Governo de Santa Catarina e demais instituições interessadas.

A participação conjunta dos municípios será estratégica para definir prioridades, investimentos, modelo de gestão e infraestrutura necessária para transformar a antiga faixa ferroviária em um novo corredor turístico.

O desafio será transformar uma proposta de grande alcance regional em um projeto estruturado, com etapas de execução, fontes de recursos, responsabilidades e planejamento de longo prazo.

Para o ICARP, entretanto, a audiência realizada com a Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário representa um avanço nesse processo. A expectativa é que a formalização do pedido permita aprofundar as discussões sobre a destinação da faixa de domínio e abrir caminho para a construção de uma solução que beneficie o conjunto do território.

Se concretizado, o Caminho do Rio do Peixe poderá representar uma nova oportunidade para o Meio-Oeste catarinense transformar parte de sua história ferroviária em um produto turístico contemporâneo, conectando paisagens, cultura, gastronomia, fé, agricultura e experiências de natureza em uma única rota regional.

Fonte: Assessoria de Imprensa Instituto Rio do Peixe

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