20/10/2026
Osteoporose pode evoluir sem sintomas até a primeira fratura
Dia Mundial da Osteoporose, celebrado hoje, 20 de outubro, vale reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce

Osteoporose pode evoluir sem sintomas até a primeira fratura

Perda progressiva de massa óssea afeta cerca de 10 milhões de brasileiros e exige diagnóstico precoce da osteoporose, nutrição adequada e exercícios direcionados para preservar a autonomia de idosos e mulheres na pós-menopausa

Bom Dia SC – Frequentemente qualificada como um “desafio silencioso” para a saúde pública, a osteoporose atinge cerca de 10 milhões de pessoas no Brasil, segundo estimativas do Ministério da Saúde. Dados da International Osteoporosis Foundation (IOF) apontam que ocorrem aproximadamente 400 mil fraturas por fragilidade óssea anualmente no país, contudo apenas 20% dos pacientes recebem o diagnóstico antes de sofrerem a primeira lesão.  

Segundo a Dra. Marcia Veloso, reumatologista da AMA Especialidades Jardim São Luiz, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP) gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, como a fragilidade do tecido ósseo acontece de maneira progressiva e sem dor ou sinais perceptíveis, a maioria das pessoas só descobre a doença após episódios traumáticos leves, como uma queda da própria altura ou movimento mínimo, que resultam em fraturas graves na coluna, punho ou quadril. 

Fatores de risco e a vulnerabilidade na pós-menopausa 

A especialista explica que a perda de densidade mineral acompanha o envelhecimento natural do organismo, mas é acelerada por uma combinação de fatores genéticos, metabólicos e de estilo de vida. Além disso, o histórico familiar, o sedentarismo, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e a baixa ingestão diária de cálcio e vitamina D figuram entre os principais condicionantes de risco.  

O principal grupo que requer atenção especial, de acordo com a reumatologista, é o de pessoas na pós-menopausa, que apresentam vulnerabilidade acentuada devido à brusca redução na produção de estrogênio, hormônio crucial para a fixação de minerais na matriz óssea.  

Osteoroporose em mulheres acima dos 50 anos

Vale destacar que levantamentos da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) indicam prevalência da osteoporose variando entre 14% e 29% em mulheres acima dos 50 anos, podendo alcançar até 73% naquelas com mais de 80 anos. 

A médica ainda pontua que a ausência de dor antes da fratura cria uma falsa percepção de segurança na população. “O osso é um tecido vivo que passa por contínua remodelação ao longo de toda a vida. Com o avançar da idade e as alterações hormonais, a reabsorção do mineral passa a ser mais rápida do que a formação de novas células. Por ser um processo assintomático, o indivíduo não sente que seu osso está enfraquecendo. Por isso, a investigação sobre a ativa dos fatores de risco é essencial antes que a fratura aconteça”, alerta. 

Osteoporose pode evoluir sem sintomas até a primeira fratura
Dia Mundial da Osteoporose, celebrado hoje, 20 de outubro, vale reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce

Prevenção ativa: nutrição, movimento e cuidado individualizado 

A prevenção e o manejo da fragilidade óssea envolvem a consolidação de hábitos saudáveis adaptados às condições individuais. A reumatologista destaca que a prática regular de exercícios físicos com sustentação do peso corporal, aliada ao fortalecimento muscular e ao treino de equilíbrio, desempenha papel fundamental na manutenção da massa óssea e na redução da instabilidade postural.  

Na nutrição, o consumo adequado de proteínas, cálcio e a exposição solar moderada para síntese de vitamina D são pilares indispensáveis. No entanto, a Dra. ressalta que medidas como suplementação vitamínica e esquemas intensos de atividades físicas não devem ser adotadas de forma generalizada ou sem acompanhamento profissional prévio. 

“Não existe uma conduta padronizada ou milagrosa para a saúde dos ossos. A indicação de suplementos de cálcio e vitamina D, bem como a liberação para determinadas modalidades de exercícios físicos, exige avaliação detalhada da função renal, cardíaca e metabólica de cada paciente. O objetivo é fortalecer a estrutura esquelética com total segurança para o organismo.” 

Diagnóstico precoce da osteoporose, prevenção e qualidade de vida 

A identificação precoce da osteoporose pode ser realizada por meio da avaliação clínica dos fatores de risco e pela densitometria óssea, exame radiológico de baixa dosagem que mede a quantidade de mineral presente nas regiões mais suscetíveis a fraturas. 

O acompanhamento é recomendado prioritariamente para mulheres na pós-menopausa, idosos acima de 65 anos ou adultos que apresentem condições predisponentes. Além do tratamento clínico oferecido na rede pública, a implementação de estratégias ambientais de prevenção de quedas nas residências, como a eliminação de tapetes soltos, a melhoria da iluminação e a instalação de barras de apoio nos banheiros, é decisiva para resguardar a integridade física dos idosos. 

Dra. Marcia alerta para as consequências das fraturas osteoporóticas, em especial as de quadril e fêmur, que ultrapassam a lesão física e trazem impactos profundos para a mobilidade e a independência funcional. Segundo a IOF, entre 20% e 24% dos pacientes idosos que sofrem fratura de quadril vão a óbito no período de um ano decorrente de complicações associadas à imobilidade prolongada e infecções. 

“Evitar a ocorrência da primeira fratura é o elemento central para preservar a autonomia e a qualidade de vida durante o envelhecimento. Lembre-se que a osteoporose pode ser diagnosticada precocemente e acompanhada adequadamente nas Unidades Básicas de Saúde, assegurando ao paciente a manutenção da sua rotina com independência e segurança”, conclui a médica. 

Sobre o CEJAM       

O CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991.   

A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.   

O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado novamente, em 2026, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição.    

Fonte: Assessoraia de Imprensa CEJAM

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