As leis proliferam nas Repúblicas corrompidas” (Tácito)
Bom Dia SC – Temos argumentado sobre a importância dos diplomas de ensino superior para o sucesso na vida profissional. Sabemos que a importância e a validade de um diploma não são atributos apenas da legalidade da sua emissão por instituição credenciada. Os diplomas que impactam a vida das pessoas são aqueles que simbolizam a qualidade de um aprendizado de habilidades e competências que permitem ao diplomado fazer a diferença no mundo do trabalho, por sua criatividade, inovação, empreendedorismo e desempenho como líder na Sociedade. Em geral, a possibilidade de melhoria de vida, de sucesso profissional e de enriquecimento de uma pessoa com bom curso superior é de 126% a mais do que aquela que não o tem.
Mas, no Brasil de hoje, um bom curso técnico pode trazer maiores oportunidades de trabalho, boa remuneração e possibilidades melhores do que um curso superior sem qualidade. Não há dúvidas que, ao verificar o desenvolvimento dos países mais estruturados, a universidade tem um papel importante. Digo, “universidades”, porque elas são instituições diferentes de centros universitários e faculdades. Aquelas, produzem conhecimento, fazem extensão, ensino e mantém centros de pesquisa com programas de pós-graduação, hospitais e atuam fortemente em soluções de problemas locais, enquanto as demais, com raras exceções, focam apenas no ensino.
É a qualidade das instituições de educação básica e das universidades que, no presente, faz a diferença entre a riqueza e a pobreza das nações. São as políticas públicas relativas à boa formação básica e à ciência que promovem a prosperidade. O Programa Universidade Gratuita – PUG, com as contrapartidas dos profissionais que se formam, dará ao Estado de Santa Catarina e suas regiões, outro salto de desenvolvimento, qualidade dos serviços públicos, prestação de serviços e inovação tecnológica. O Estado de Santa Catarina, graças a visão do governador Jorginho Mello, será ainda mais destacado e diferenciado do país, pois foca na qualidade do ensino, dando oportunidade aos estudantes recém-formados a se inserirem no mercado de trabalho, ao mesmo tempo que dão a contrapartida à sociedade dos recursos que receberam para se formar.
É pena que a regulação do ensino superior no Brasil tenha favorecido sua expansão com certo desprezo à qualidade, com distribuição de diplomas por instituições de ensino a distância, permitindo a abertura de polos com estrutura física mínima ou inadequada e de docentes com qualificação. Apesar de tantas facilidades para conseguir diploma de ensino superior, o percentual de jovens que cursam esse nível de ensino está longe de atingir a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE e até dos nossos países vizinhos da América do Sul.
Dez milhões de matrículas no ensino superior em 2025
Alcançamos, em 2025, no Brasil, mais de dez milhões de matrículas no ensino superior. Dessas, mais de cinco milhões estão nos cursos a distância. Dentre as universidades, várias são de reputação acadêmica internacional. Entretanto, apenas 22% dos jovens entre 18 e 24 ingressam, por ano, no ensino superior. Em 2024, concluíram o ensino médio um pouco mais de dois milhões e meio de estudantes. Destes, apenas 37% matricularam-se no ensino superior. Isto é, um pouco mais de 900 mil estudantes. Isso mostra que, nos últimos três anos, em torno de cinco milhões de jovens na idade certa para cursar ensino superior, não quiseram o ensino superior. Mas, também não procuraram ensino técnico.
Dados do INEP/2023 mostram que nesse ano eram mais de 9 milhões de jovens entre 18 e 24 que não frequentavam ensino superior. Segundo o Censo/INEP/2024, entre 2014 e 2024, cerca de 45% dos jovens que concluíram o ensino médio buscaram o ensino superior. E mais, os cursos de engenharia passaram a ser os menos procurados. Ora, sabemos que os países desenvolvidos têm uma preocupação essencial na formação de engenheiros, porque sem eles não há possibilidades de aceleração do desenvolvimento. Em Santa Catarina, o Programa Universidade Gratuita, nos ajustes feitos na Lei 831/2023, agora em 2025, dá prioridade para concessão de auxílio financeiro aos cursos de engenharia.
Observa-se pouco interesse dos alunos de ensino médio, sobretudo da escola pública, em buscar o ensino superior. Ademais, dos que ingressam, em torno de 64% se evadem. Além disso, os que concluem o ensino médio, apenas 11% fizeram ensino técnico. Nesse cenário, qual é futuro do país? Por que nossos jovens perderam o interesse pelos estudos, sobretudo pelo ensino superior? Será que o motivo não está nas instituições de educação? Serão as escolas de nível médio que não incentivam e orientam os estudantes para buscar de uma carreira profissional? Será o assistencialismo governamental que cria uma consciência passiva, acomodada, conformista e submissa à esmola? Será que as universidades perderam o foco na formação, desvirtuaram seus fins e tornaram inadequadas, desinteressantes e fora de uma realidade formativa, com cursos longos, currículos enfadonhos e fora da realidade? Será que a população perdeu o interesse nos estudos e vê a escola como simples depósito de seus filhos para ver-se livre deles? Ou as políticas regulatórias esqueceram as necessidades da Sociedade? As instituições de ensino superior talvez não estejam atentas às demandas, às agendas voltadas à inovação ou à produtividade econômica?
Qual o poder que a universidade tem, hoje, para ser, verdadeiramente uma locomotiva do desenvolvimento, convocar lideranças e a sociedade para organizar planos estratégicos na solução dos problemas graves de saúde, educação, infraestrutura, mobilidade, lazer e outros? Parece que a própria universidade caminha para o encapsulamento, com lideranças fracas, com visão ofuscada e sem perspectivas para construção de um futuro promissor. Se a escola e a universidade perdem a referência de formação de qualidade, de produção científica e inovação, quem será a referência aos nossos jovens?
Ora, estudos mostram que, ao longo da história, cursar o ensino superior é importante porque melhora as oportunidades de carreira, resultando em melhores cargos e salários, além de promover o desenvolvimento pessoal e social. A graduação fornece conhecimentos técnicos e científicos, desenvolve habilidades essenciais como pensamento crítico e argumentação, expande a visão de mundo ao expor o indivíduo a diferentes realidades e ideias. A boa formação superior aumenta as chances de empregabilidade e abre portas para cargos mais qualificados. Um bom curso superior, com diploma de uma instituição de renome e, portanto, qualificada, oferece o conhecimento e as habilidades práticas necessárias para construir uma carreira de sucesso e possibilita a transição ou atualização de carreira. É o ensino superior que estimula carreiras empreendedoras, com autonomia, atuação como profissional liberal e proporciona a oportunidade de altos rendimentos financeiros, além de uma visão holística da realidade da vida.
A universidade abre um leque de oportunidades profissionais e pessoais com experiências diversas. Os jovens, desde tenra idade, necessitam ser orientados e educados para a busca de ideais grandes, fortes e solidários. Somente assim construiremos uma sociedade mais justa e digna, sabendo que o sucesso não ocorre por acaso. Depende de trabalho, suor, disciplina, perseverança e não poucas lágrimas.
Joaçaba, out/2025





















