03/09/2026
Aeroporto de Joaçaba
Avião Sadia no Aeroporto de Joaçaba

O Aeroporto de Joaçaba

Bom Dia SC – Na década de 1950, nos meus tempos de criança, o passeio dominical que papai nos proporcionava era levar os filhos ao aeroporto, de táxi, para apreciar o movimento de chegada e saída dos aviões.

Nas décadas de 1950 e 1960 aeronaves de grande porte pousavam em nosso aeroporto, como um dos aviões mais icônicos da história, o Douglas DC-3, na era de ouro da aviação a pistão.

Foi o Pároco Frei Edgar Löers quem sugeriu ao prefeito de Joaçaba, Oscar Rodrigues da Nova, o local para a instalação do Aeroporto Santa Terezinha. Eis as suas especificações: Pista principal (15/33): Comprimento: 1 260 m, Largura: 18 m. Tipo de pavimento: asfalto. Resistência (PCN): 10/F/C/Y/U. Distâncias aéreas: O Aeroporto de Chapecó fica a cerca de 114 km de Joaçaba, Joinville: 281 km, Curitiba: 295 km, Florianópolis: 297 km, Foz do Iguaçu: 365 km, São Paulo: 635 km, Rio de Janeiro: 961 km, Brasília: 1320 km.

O Aeroporto de Joaçaba
Passeio dominical no aeroporto

Nosso aeroporto atende a Região Metropolitana do Contestado, que tem como sede o município de Joaçaba e conta com aproximadamente 530 mil habitantes agrupando quarenta e cinco municípios do estado.

A lei complementar estadual nº 571, de 24 de maio de 2012, que a instituiu, traz em seu artigo 11-C:

“O Núcleo Metropolitano da Região Metropolitana do Contestado será integrado pelos Municípios de Abdon Batista, Água Doce, Alto Bela Vista, Arabutã, Arroio Trinta, Brunópolis, Caçador, Calmon, Campos Novos, Capinzal, Catanduvas, Celso Ramos, Concórdia, Erval Velho, Fraiburgo, Herval d’Oeste, Ibiam, Ibicaré, Iomerê, Ipira, Ipumirim, Irani, Jaborá, Joaçaba, Lacerdópolis, Lebon Régis, Lindóia do Sul, Luzerna, Macieira, Matos Costa, Monte Carlo, Ouro, Peritiba, Pinheiro Preto, Piratuba, Presidente Castello Branco, Rio das Antas, Salto Veloso, Tangará, Timbó Grande, Treze Tílias, Vargem, Vargem Bonita, Videira e Zortéa.”

Visando melhor informar aos nossos leitores, peço licença ao Sr. Artur Lindner para transcrever o “Breve Histórico do Aeroporto de Joaçaba”, que ele publicou no Livro do Centenário de Joaçaba.

Aeroporto de Joaçaba
Avião Sadia no Aeroporto de Joaçaba

Aeroporto de Joaçaba

“O Aeroporto de Joaçaba serve ao município de Joaçaba e região Meio-Oeste do estado de Santa Catarina. Inaugurado em maio de 1949, é o aeroporto mais antigo do interior catarinense. Sua localização é privilegiada, estando aproximadamente a 300 km das capitais do Sul do Brasil, bem como a 300 km da fronteira da Argentina e do Paraguai e no centro do maior celeiro de aves e suínos do mundo. Está às margens da BR-282 e a 6 km do centro da cidade.

Dada a difícil topografia da região, o aeroporto foi construído em uma parte alta, com o desmanche de dois morros para se conseguir uma área plana de 1.300 metros de comprimento e aproximadamente 180 metros de largura. No início a pista era de saibro em chão batido. Operavam no aeroporto os famosos aviões DC-3 com linhas diárias para São Paulo, levando mercadorias e passageiros. Para se ter uma ideia de carga, o avião trazia os jipes DKW para as concessionárias de Joaçaba e na volta embarcavam-se máquinas agrícolas. Existiam decolagens noturnas com balizamento por lampiões de querosene.

Além de aviões exclusivamente para passageiros, de diversas companhias aéreas (Varig, Real, TAC e Sadia), os de carga transportavam também os produtos do frigorífico Sadia de Concórdia. Alguns aviões eram mistos, levavam carga e passageiros.

Na década de 1950 foi fundado o Aeroclube de Joaçaba, com o intuito de formar pilotos e estimular as atividades aéreas. As aeronaves de treinamento eram cedidas pelo Ministério da Aeronáutica em comodato, com a finalidade de instrução e treinamento de pilotos. O Aeroclube existe até hoje.

Na década de 1980 o aeroporto recebeu pavimentação asfáltica nas dimensões de 1.270 m de comprimento por 18 m de largura, com os devidos pátios de estacionamento para as aeronaves. Com a melhoria da estrutura rodoviária e a construção da BR-282 e o fim dos subsídios governamentais, a aviação comercial de linhas aéreas para nossa região ficou inviável. Pequenas companhias tentaram reativar as linhas, mas sem sucesso. Eram aeronaves pequenas transportando poucos passageiros com custo muito alto.

O Aeroporto de Joaçaba
Aeroporto e o prefeito Da Nova

Hoje o aeroporto recebe voos particulares diariamente, pois atende todos os municípios da região Meio-Oeste, com opção de operação noturna. Para a realidade de transporte de passageiros, ele precisaria receber aeronaves maiores, o que a pista e as instalações não comportam. Atualmente está em fase de projeto uma revitalização do aeroporto para conseguir operar com aviões maiores, o que daria nova dinâmica, agilidade e conforto no deslocamento de pessoas para grandes centros do País.”

Foi o texto acima que o piloto joaçabense Artur Lindner escreveu em 2017.

A antiga Transbrasil, famosa companhia aérea fundada por Omar Fontana (nascido em 1927 aqui em Joaçaba, filho de Attilio Fontana), que arrendou um avião Douglas DC-3 para transportar carne fresca de Santa Catarina para São Paulo, muito mais rapidamente que pela via férrea. A ideia foi um sucesso, o que levou Omar a constituir a Sadia S.A. Transportes Aéreos. Em 16 de março de 1956, o DC-3 prefixo aeronáutico PP-ASJ iniciou serviços combinados de carga e passageiros entre Florianópolis, Videira, Joaçaba e São Paulo.

O DC-3 pode transportar entre 21 e 32 passageiros, variando conforme o layout da companhia aérea e a sua tripulação é composta geralmente por 2 pilotos e 1 rádio-telegrafista. A capacidade máxima de combustível do Douglas DC-3 varia conforme a versão e a configuração dos tanques, ficando geralmente entre 3.000 e 3.736 litros (cerca de 800 a 987 galões americanos), o que permite uma autonomia de voo aproximada de 9 horas, com um alcance superior a 2.500 km e suporta uma carga útil de até 4.000 kg.

O Aeroporto de Joaçaba
Aeroporto em construção

Aeroporto de Joaçaba

Com a criação daquela empresa aérea Joaçaba também foi beneficiada, como relata Attilio Fontana em “História da minha vida” (Ed. Vozes, 1980), como segue: “… recentemente compramos, em Joaçaba, uma indústria de óleo de soja com capacidade bastante grande, pela ordem de 800 toneladas/dia”, a qual passou a operar com a razão social “Sadia Joaçaba Indústria de Óleos Vegetais Ltda”. Assim, pela ação e liderança de Attilio Francisco Xavier Fontana, toda a região e o estado de Santa Catarina e o Brasil tiveram o benefício de sua performance de homem público, que foi agraciado com o honroso título de Cidadão Honorário de Joaçaba. Ele iniciou sua carreira política criando e presidindo o diretório do PSD local e foi senador da República.

O Aeroporto Santa Terezinha (JCB) não registra voos comerciais regulares há anos, mas recebe aeronaves de pequeno porte, voos aeromédicos e inspeções técnicas da própria FAB. A sua importância na história da aviação brasileira é destacada pelo mesmo Artur Lindner, ao lembrar que no dia 5 de janeiro de 1995 a Transbrasil, sucessora da Sadia, publicou no Jornal Estado de São Paulo um anúncio em homenagem aos 40 anos da Companhia, com a seguinte mensagem: “5 de janeiro de 1955: um DC-3 decolava rumo a Joaçaba; 5 de janeiro de 1995: A frota mais moderna da América Latina decola para 20 grandes cidades brasileiras, Orlando, Miami, Washington, Nova York, Buenos Aires e Viena.”

O Aeroporto Santa Terezinha, portanto, não é apenas uma pista de pouso e decolagem. É parte da memória de Joaçaba, testemunha de uma época em que ver um avião chegar era acontecimento capaz de reunir famílias, despertar sonhos e aproximar a cidade dos grandes centros.

Joaçaba, 109 anos
Aeroporto de Joaçaba, 1951

Para mim, permanece também a lembrança daqueles domingos em que papai nos levava de táxi ao aeroporto, e nós, crianças, acompanhávamos com encantamento o movimento dos gigantescos aviões. Talvez sem perceber, naqueles passeios, estávamos também aprendendo a admirar uma parte importante da história da nossa cidade.

Hoje, quando se fala na possibilidade de retomada dos voos comerciais, é inevitável olhar para o futuro sem esquecer esse passado. Que o velho Aeroporto Santa Terezinha possa voltar a ouvir o ronco dos motores e a receber passageiros, cargas e novas histórias. Afinal, aeronaves não transportam apenas pessoas, mas possibilidades. E Joaçaba, com sua localização estratégica e sua trajetória na aviação, ainda tem muitos destinos pela frente.

Aeroporto no Joaçaba Jornal, 1951
Aeroporto no Joaçaba Jornal, 1951

P. S. A decolagem de um avião Douglas DC-3 envolve características técnicas e procedimentos muito específicos. Como sou leigo no assunto, pesquisei quais são as características dessa decolagem:

  • Aeronave “Taildragger”: O DC-3 possui trem de pouso convencional (duas rodas principais na frente e uma roda menor na cauda).
  • Elevação da Cauda: No início da corrida de decolagem, o piloto empurra o manche levemente para a frente, o que faz levantar a cauda do chão, deixando o avião nivelado horizontalmente enquanto ainda corre na pista.
  • Efeito Torque: Os dois motores radiais giram para o mesmo lado, e o piloto usa o leme ativamente para manter o avião alinhado na pista.

Descobri também quais os dados técnicos médios da aeronave:

  • Velocidade de rotação (V2): Cerca de 84 nós (aproximadamente 155 km/h).
  • Distância de pista: Necessitava cerca de 1.000 metros para decolar com segurança em carga máxima.
  • Motores: Dois motores radiais Pratt & Whitney R-1830 Twin Wasp (1.200 cavalos de potência cada).

Texto: Antonio Carlos Pereira, joaçabense, 75 anos

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