11/07/2026
Mercado do Agro em alta em SC
Preços das terras agrícolas em SC sobem em 2025 impulsionados pelo desempenho do agronegócio/Foto: Maely Silva - Bom Dia SC

Mercado de terras agrícolas reflete força do agro catarinense

Valorização das propriedades rurais e o mercado de terras agícolas acompanha o crescimento do agronegócio em Santa Catarina e evidencia a competitividade do setor no estado

Bom Dia SC – Levantamento feito pela Epagri/Cepa mostra que os preços das terras agrícolas em Santa Catarina subiram em 2025 impulsionados pelo desempenho do agro catarinense. Houve forte variação conforme o tipo de área, a aptidão produtiva e a localização. As terras de primeira, com maior potencial agrícola, registraram os maiores valores, com destaque para Campos Novos, onde o preço médio chegou a R$ 169 mil/hectare. Entre as áreas mais valorizadas, apareceram também as várzeas sistematizadas, especialmente em regiões produtoras de arroz, como Turvo, com valor médio de R$ 164 mil/ha.

Na outra ponta estão as áreas com limitações produtivas ou uso restrito. As terras de segunda tiveram valor médio de R$ 38,34 mil/ha em Lebon Régis, enquanto as terras de terceira, caracterizadas por alta declividade, alcançaram R$ 19,75 mil/ha em Calmon. O campo nativo foi avaliado em R$ 19,91 mil/ha em Lages, e as terras destinadas à servidão florestal ou reserva legal apresentaram os menores preços, com média de R$ 10,37 mil/ha em Otacílio Costa.

Os resultados evidenciam as diferentes dinâmicas regionais de Santa Catarina, moldadas pelo perfil produtivo, pela pressão urbana e turística, pela legislação ambiental e pela aptidão agrícola das áreas, o que reforça a diversidade do mercado de terras no estado. Os dados podem ser consultados gratuitamente no Observatório Agro Catarinense, na área temática Mercado Agropecuário.

Mercado de terras agrícolas

O levantamento dos preços de terras agrícolas é realizado de forma contínua pela Epagri desde 1997. O estudo apresenta valores médios por município para seis classes de terra e se consolida como uma das principais referências técnicas para o acompanhamento do mercado fundiário rural em Santa Catarina.

O objetivo é monitorar a evolução dos preços das terras utilizadas na produção agropecuária, fornecendo subsídios para a formulação de políticas públicas, estudos técnicos e projetos do setor. A analista da Epagri, Glaucia de Almeida Padrão, ressalta que os dados também servem de referência para prefeituras municipais e produtores rurais, especialmente para fins declaratórios.

Mercado de terras agrícolas reflete força do agro catarinense
Preços das terras agrícolas em SC sobem em 2025 impulsionados pelo desempenho do agronegócio/Foto: Maely Silva – Bom Dia SC

Metodologia

A coleta das informações ocorre entre os meses de outubro e janeiro e considera exclusivamente o valor da terra nua, sem benfeitorias. O trabalho é realizado por técnicos e agentes de mercado da Epagri/Cepa distribuídos em todas as regiões catarinenses, com base em informações fornecidas por informantes-chave, como imobiliárias, cooperativas, sindicatos rurais, associações de produtores, cartórios e órgãos públicos.

De acordo com a analista, para cada município e classe de terra são consultados, no mínimo, três informantes. “Os dados passam por validação estatística, resultando na apuração de preços mínimos, mais comuns e máximos, sendo os valores finais apresentados como referência municipal para cada classe”, explica Padrão.

A Epagri/Cepa ressalta que os valores divulgados são referenciais e não devem ser utilizados para balizar negociações imobiliárias ou processos de arbitragem, já que fatores como localização, topografia, qualidade do solo e nível de aproveitamento agrícola podem gerar variações significativas dentro de um mesmo município.

Produção do Agro em SC

Mercado do Agro em SC
Os preços das terras agrícolas em Santa Catarina refletem o peso da agropecuária na economia estadual

Os preços das terras agrícolas em Santa Catarina refletem o peso da agropecuária na economia estadual. Com elevada aptidão agrícola e sistemas produtivos intensivos, o setor mantém crescimento consistente. Nos últimos dez anos, o Valor da Produção Agropecuária (VPA) avançou, em média, 4,3% ao ano, em termos reais.

Em 2025, o VPA foi estimado em R$ 74,9 bilhões, alta de 15,4% frente a 2024, resultado da combinação entre preços mais altos e maior produção. A pecuária respondeu por 58% do valor gerado no campo, seguida pelos grãos. Suínos, frangos, leite e soja concentraram mais da metade do VPA estadual.

Esse desempenho sustentou a valorização das terras, sobretudo nas classes ligadas à produção de grãos. As terras de primeira e segunda classes tiveram os maiores valores no Oeste e no Planalto Norte, regiões com forte presença da soja. No litoral, a pressão urbana, industrial e portuária também elevou os preços.

Terras de terceira e de servidão florestal valorizaram com a legislação ambiental e o avanço do turismo rural. Já as várzeas sistematizadas, voltadas à produção de arroz, foram influenciadas pela alta do cereal em anos anteriores, com predominância do arrendamento, que representa cerca de 60% da área cultivada no estado.

Por: Cristiele Deckert, jornalista bolsista Fapesc Epagri/Cepa

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