Reforma tributária, transformação digital, qualificação profissional e modernização das relações de trabalho estão entre as prioridades defendidas pela FBHA e pelo Cetur/CNC para fortalecer a competitividade do setor
Bom Dia SC – O presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA) e do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur/CNC), Alexandre Sampaio, apresentou uma análise abrangente sobre os principais desafios e oportunidades que devem moldar o futuro da hotelaria e do turismo no Brasil. Em entrevista ao Portal do Hoteleiro da ABIH-SP, o dirigente destacou temas estratégicos que envolvem questões institucionais, legislativas e operacionais, reforçando o compromisso das entidades com a modernização do setor e a construção de um ambiente de negócios mais sustentável.
Entre os temas centrais da entrevista, Sampaio ressaltou a expectativa em torno da regulamentação da Reforma Tributária. Embora exista a previsão de uma redução de até 60% na alíquota final para a hotelaria, o governo federal ainda não definiu os percentuais específicos que serão aplicados aos segmentos de hospedagem e alimentação fora do lar.
Segundo ele, a união das entidades representativas do turismo e da hospitalidade tem sido fundamental para garantir uma atuação coordenada junto ao poder público. Essa articulação fortalece a defesa dos interesses da cadeia produtiva, amplia o diálogo institucional e contribui para a construção de regras mais equilibradas, capazes de impulsionar a competitividade e o desenvolvimento sustentável do setor.
FNRH um avanço para a hotelaria brasileira
Outro ponto destacado foi a necessidade de acelerar a digitalização da Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH). Para Sampaio, a modernização desse processo representa um avanço importante para a hotelaria brasileira, permitindo maior eficiência operacional e uma coleta de dados estatísticos mais precisa, essencial para o planejamento e o monitoramento da atividade turística em nível nacional.
O dirigente também procurou tranquilizar empresários quanto às preocupações relacionadas à proteção de dados, afirmando que os mecanismos de segurança existentes tornam o sistema digital confiável e alinhado às exigências atuais.

Turismo busca maior protagonismo nas decisões nacionais
O projeto Vai Turismo foi apontado como uma das principais ferramentas de fortalecimento institucional do setor. Desenvolvido pelo Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) da CNC, o programa reúne lideranças empresariais, entidades representativas e especialistas para elaborar uma agenda estratégica voltada ao desenvolvimento sustentável do turismo brasileiro.
A iniciativa tem como missão ampliar a conscientização de parlamentares e gestores públicos sobre a importância econômica do turismo, destacando sua capacidade de gerar empregos, distribuir renda, atrair investimentos e estimular o desenvolvimento regional.
De acordo com Sampaio, o objetivo é assegurar que demandas históricas do setor recebam atenção prioritária nas diferentes esferas governamentais. Entre os temas considerados urgentes estão a ampliação da infraestrutura turística, a melhoria da conectividade aérea, a qualificação profissional, a redução da burocracia, o fortalecimento da segurança turística e a criação de mecanismos que incentivem novos investimentos.
Além do trabalho de articulação política, o Vai Turismo também se destaca pela elaboração de estudos técnicos, diagnósticos e propostas legislativas que evidenciam o potencial econômico da atividade e servem de base para a formulação de políticas públicas mais eficazes.
Para o presidente da FBHA, o fortalecimento da parceria entre iniciativa privada e poder público é indispensável para consolidar o turismo como uma atividade estratégica para o crescimento econômico do país. Na avaliação do dirigente, o setor possui capacidade de ampliar a competitividade dos destinos brasileiros, impulsionar o desenvolvimento regional e contribuir significativamente para a expansão da economia nacional.

Capital humano, novas tecnologias e relações de trabalho no centro das discussões
Ao abordar a proposta de redução da jornada semanal para 40 horas, Sampaio defendeu a criação de uma legislação complementar que reconheça as particularidades da hotelaria, atividade que opera continuamente e depende de modelos flexíveis de contratação, como o trabalho intermitente e a compensação por média mensal de horas.
Segundo ele, a adoção da medida sem mecanismos de adaptação à realidade do setor pode gerar impactos negativos na empregabilidade e aumentar os custos operacionais das empresas.
O dirigente também destacou que a qualificação permanente dos profissionais continuará sendo um dos pilares para o fortalecimento da hotelaria brasileira. Investir em capacitação, afirmou, é fundamental para elevar a qualidade dos serviços, aumentar a produtividade e promover a retenção de talentos em um mercado cada vez mais competitivo.
A transformação tecnológica aparece como outro fator decisivo para o futuro do setor. De acordo com Sampaio, ferramentas baseadas em Inteligência Artificial e novas soluções digitais já estão redefinindo processos operacionais, exigindo equipes preparadas para utilizar essas tecnologias de forma eficiente e estratégica.
Apesar dos desafios, o presidente da FBHA vê perspectivas positivas para os próximos anos. Entre os fatores que sustentam esse cenário estão a expansão dos centros de convenções em cidades de médio porte, o fortalecimento do turismo de negócios e eventos e a necessidade de construir uma convivência competitiva e equilibrada entre a hotelaria tradicional e as plataformas digitais de hospedagem.
Para o dirigente, a combinação entre inovação, qualificação profissional, segurança jurídica e modernização regulatória será determinante para que a hotelaria brasileira amplie sua competitividade e aproveite plenamente o potencial de crescimento do turismo nacional.
Com informações do Portal do Hoteleiro da ABIH-SP





















