Bom Dia SC – A história do rádio no Brasil inicia em 1922 quando a Rádio Sociedade Rio de Janeiro, com potência de 500 watts, entrou no ar no dia 7 de setembro. Seus fundadores queriam fazer do rádio um instrumento de cultura que ajudasse a reduzir o analfabetismo no país. Até os dias atuais algumas escolas tem a “rádio-recreio”, operada por alunos.
Uma das mais antigas emissoras de Santa Catarina é a Rádio Sociedade Catarinense, de Joaçaba, que estreou em 1945 com o prefixo ZYC-7. As precursoras foram a Rádio Clube de Blumenau, que surgiu em 1929 como um serviço de alto-falante e funcionou de forma clandestina até 1936, quando recebeu a licença oficial; em 1941 a Difusora de Joinville, em 1942 a Difusora de Itajaí, em 1943 a Guarujá de Florianópolis.
Aqui em Joaçaba, além da pioneira RSC (97.3), temos a Band (92.3), a Antena 100 (100.5) e a Rádio Educativa Unoesc (106.7), além da Jovem Pan (103.9), localizada em Herval d’ Oeste, assim como a Líder (107.5), todas elas operando em frequência modulada (FM, entre 88.1 MHz a 107.9 MHz). A faixa FM também é amplamente utilizada por rádios comunitárias, como a Coração, antiga Liberdade (98.1). Elas estão disponíveis via rádio, online e aplicativos – e vivemos a expectativa da chegada de uma emissora educativa.
A principal diferença entre AM (Amplitude Modulada) e FM (Frequência Modulada) está na forma como a onda de rádio transmite o sinal. O AM altera a amplitude da onda, oferecendo maior alcance, mas seu som é inferior, com mais ruídos. O FM modula a frequência, proporcionando som estéreo, alta fidelidade e sem chiados, apesar do menor alcance. Aliás, conforme dados do Ministério das Comunicações, a maioria das emissoras de rádio AM migraram para a faixa FM, havendo mais de 3.400 rádios licenciadas no formato FM até meados de 2025. Em locais onde o dial FM convencional está saturado (como São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Brasília), as rádios estão ocupando a faixa estendida (eFM), com mais de 50 estações operando nessa faixa.
Agora, um pouco de história. No século XIX diversos estudiosos buscavam uma maneira de aprimorar as ferramentas de comunicação combinando o uso do telégrafo elétrico, a radiação eletromagnética e o telefone com fio. Os meios de comunicação ganharam importância na expansão do capital quando essas três tecnologias combinadas permitiram a invenção do rádio, patenteado pelo físico italiano Guillermo Marconi no ano de 1901.
Nascido em Bolonha em 1874, Marconi foi um visionário que fez pesquisas com ondas eletromagnéticas, utilizando tecnologia baseada em estudos de Heinrich Hertz e nos princípios patenteados por Nikola Tesla. Marconi enfrentou uma batalha judicial, pois afirmava nunca ter lido as patentes desse físico experimental, engenheiro eletricista e mecânico nascido na Sérvia em 1856, mais conhecido por suas invenções e contribuições ao projeto do moderno sistema de fornecimento de eletricidade em corrente alternada. A relação entre eles foi marcada por intensa rivalidade, disputa de patentes e contribuições fundamentais para o desenvolvimento da tecnologia de rádio e comunicação sem fio no final do século XIX e início do seguinte.
Marconi faleceu em 1937 e seis anos depois a Suprema Corte dos Estados Unidos considerou ser falsa sua alegação, ao determinar que não havia nada em seu trabalho que não tivesse sido anteriormente descoberto por Nikola Tesla (que falecera pouco antes). Marconi foi amplamente reconhecido como o inventor do telégrafo sem fio comercial e Tesla detinha patentes fundamentais sobre a tecnologia de transmissão sonora, gerando um debate histórico sobre quem realmente “inventou” o rádio. Enquanto Marconi recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1909 e fama mundial, o trabalho de Tesla foi reconhecido tardiamente como a base da tecnologia moderna sem fio.

Contrariando esses registros oficiais, um grupo atribui a invenção do rádio em 1892 a um engenhoso padre-cientista gaúcho, chamado Roberto Landell de Moura. Aos 32 anos, muito antes de Marconi ganhar fama mundial, ele reuniu figuras da imprensa, políticos e outras personalidades para a demonstração de seu invento. Quando o mundo ainda dependia de fios e cartas escritas para se comunicar, o padre ousou o que parecia impossível e conseguiu transmitir a voz humana a cerca de 8 km, sem utilizar fios, com demonstrações públicas em São Paulo (1899) e no Rio de Janeiro (1900).
Como Landell não conseguiu aqui a projeção e o patrocínio necessários, desanimado com o resultado de seu esforço intelectual, foi aos Estados Unidos patentear os inventos e em 1901 registrou três patentes históricas: transmissor de ondas, telefone sem fio e telégrafo sem fio. Suas pesquisas iam além das ondas de rádio, com estudos que incluíam o uso da luz como onda portadora da informação sonora (uma forma pioneira de comunicação óptica). Ele falava de conceitos à frente de seu tempo, como “teletêmio” e “fonoelétrico”, próximos do que hoje conhecemos como rádio e walkie-talkie. Em outubro de 1902 o jornal norte-americano “The New York Herald” entrevistou o inventor brasileiro, que declarou: “Dai-me um movimento vibratório tão extenso quanto a distância que nos separa desses outros mundos que rolam sobre nossa cabeça, ou sob nossos pés, e eu farei chegar minha voz até lá.”
No depoimento de Landell podemos perceber as dificuldades que enfrentou para prosseguir nas pesquisas. Além de salientar que sua intenção era mostrar que a Igreja não é inimiga da ciência, Landell de Moura fez questão de relatar que, enquanto esteve no Brasil, foi perseguido por pessoas que invadiram suas instalações e destruíram ferramentas de trabalho.
Vale a pena conhecer a incrível trajetória de Roberto Landell de Moura. Nascido em Porto Alegre em 1861 ele cresceu entre disciplina, fé e uma curiosidade inquieta. Enquanto outras crianças brincavam, ele desmontava o mundo, tentando entender seus segredos – e parecia enxergar além. Foi ordenado padre em 1886 em Roma. Entre sermões e estudos, decidiu ir além, mostrando as limitações de quando a tecnologia e a educação eram preocupações relegadas ao esquecimento.
Um gênio silencioso, incompreendido em vida, eternizado na história e pouco conhecido ou valorizado. Dentro dele ardia algo raro, uma sede profunda por conhecimento, especialmente sobre som, luz e eletricidade. De volta ao país não se limitou ao altar, pois para Landell não havia conflito entre fé e ciência: “Não vejo oposição entre a Religião e a Ciência, ambas partem de Deus”. De dia, pregava; à noite, inventava. Morreu em 1928, aos 67 anos, sem o reconhecimento que merecia. Mas o tempo fez justiça e Landell é lembrado como um dos pioneiros das comunicações sem fio.
Quem, naquela época, imaginaria o que ouvimos hoje, de maneiras tão diferenciadas e instantâneas? Que venham mais sonhadores e nos tragam a alegria diária de ouvirmos bons sons, vindos de aparelhos que não podemos imaginar como serão.
O rádio conquistou multidões graças ao futebol e à música popular
Muito antes da chegada da televisão, o rádio conquistou multidões graças ao futebol e à música popular, aliando informação e publicidade, como importante meio de comunicação. Por acionar apenas um dos sentidos do ser humano, ouvir rádio provoca imagens mentais, aguça a criatividade e a imaginação.
Assim como Landell de Moura, muitos brasileiros geniais caminharam — e ainda caminham — à frente do seu tempo, muitas vezes sem apoio, sem recursos nem reconhecimento, como a cientista Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora e bióloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, que tem seu nome associado a uma “cura” revolucionária no início deste 2026. Ela desenvolveu a polilaminina, uma molécula experimental com potencial para regenerar neurônios rompidos na medula espinhal, permitindo que pessoas com tetraplegia ou lesões graves na medula recuperem movimentos. Mas é assim que a história se move: com sonhadores, teimosos, curiosos e apaixonados pelo conhecimento e pela comunicação.
O rádio, que um dia foi visto como milagre, depois como companhia inseparável das famílias, hoje divide espaço com celulares, internet e novas tecnologias. Mas uma coisa continua igual: a necessidade humana de se comunicar, de contar histórias, de informar, de emocionar e de aproximar pessoas. Quem viver, verá – e ouvirá, o que nos reserva o futuro!

Falar no rádio não é apenas transmitir palavras pelo ar. É levar companhia a quem está sozinho, levar notícia a quem precisa, levar música e emocionar, levar esperança a quem precisa acreditar. O rádio tem alma, tem história e tem gente que fala com o coração por trás do microfone. Por 50 anos apresentei “Os Discos do Bolinha”, com as músicas dos bons tempos, em diversas emissoras.
E enquanto existir alguém disposto a ligar um microfone e alguém do outro lado disposto a ouvir, o rádio continuará vivo, atravessando o tempo, as tecnologias e as gerações.






















