11/07/2026
Em um mês, mais de 300 pinguins são registrados em praias de Florianópolis
Em um mês, mais de 300 pinguins são registrados em praias de Florianópolis

Em um mês, mais de 300 pinguins são registrados em praias de Florianópolis

Durante a inverno, os pinguins-de-Magalhães migram da Patagônia Argentina e muitos encalham debilitados ou mortos no litoral catarinense

Bom Dia SC – Desde o final de junho, 371 pinguins-de-Magalhães já encalharam em praias de Florianópolis, mas somente 45 estavam vivos (até o dia 24 de julho). Durante os meses mais frios, esses animais migram de suas colônias na Patagônia Argentina em busca de águas mais quentes e alimentos, mas enfrentam dificuldades ao longo do caminho. Os resgates são realizados pela Associação R3 Animal, que executa o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) na Ilha de Santa Catarina.

Segundo a Associação R3 Animal, o número está dentro do esperado para esta época do ano. A maioria dos encalhes são de indivíduos juvenis, que se perdem do bando devido à inexperiência e chegam às praias já exaustos e debilitados. Atividades humanas, como poluição e redes de pesca, também podem contribuir para o agravamento do quadro.

Somente na última semana (de 16 a 23 de julho), 129 pinguins mortos e 15 vivos foram registrados nas praias da ilha. A previsão é que a ocorrência desses animais em nossas praias e os encalhes continuem até outubro. Os animais que chegam debilitados costumam ser encontrados na faixa de areia, com sinais de afogamento e hipotermia, necessitando de atendimento especializado.

Ao encontrar um pinguim na areia, a orientação é que as pessoas não tentem devolvê-lo ao mar, sob risco de tirar sua chance de sobrevivência. “Se eles saíram do mar é porque estão cansados. Pedimos também que não coloquem o animal em contato com gelo, porque esses pinguins estão bastante debilitados. Quando encalham, já estão com muito frio e não conseguem regular a temperatura do corpo”, explica Sofia Troppmair, bióloga e assistente técnica do PMP-BS/R3 Animal.

Após o resgate, os pinguins ainda enfrentam desafios até que a reabilitação seja bem-sucedida. Atualmente, 18 pinguins estão sob cuidados no Centro de Pesquisa, Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (CePRAM/R3 Animal), localizado no Parque Estadual do Rio Vermelho, em Florianópolis.

Em um mês, mais de 300 pinguins são registrados em praias de Florianópolis
Primeiro pinguim resgatado na temporada recebe cuidados veterinários no Centro de Reabilitação da R3 Animal

O primeiro pinguim de 2025

O primeiro pinguim vivo foi registrado no dia 24 de junho, no bairro João Paulo, próximo a um riacho e afastado da praia, o que configura um caso inusitado. O animal foi resgatado pela equipe do PMP-BS/R3 Animal e levado ao Centro de Pesquisa, Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (CePRAM/R3 Animal). Ele apresentava sinais de afogamento e marcas de interação com rede de pesca.

Os primeiros cuidados incluíram hidratação, aquecimento para regulação da temperatura corporal, medicação para estabilização do quadro clínico e nutrição com papa de peixe.

Um mês após o resgate, o pinguim vem respondendo bem ao tratamento: ele já ganhou peso, está comendo peixes inteiros, e foi transferido ao recinto externo com piscina. Essa é a última etapa da reabilitação, quando o animal treina natação para adquirir condicionamento físico e impermeabilização das penas.

Antes de ser solto, ele precisa aguardar a formação de um grupo com aproximadamente dez companheiros, para que retornem juntos à natureza. Por serem gregários, os pinguins realizam o deslocamento em bando. O processo completo, do resgate à soltura, costuma durar em torno de dois meses.

O que fazer ao avistar um pinguim na praia?

  • Se o animal estiver no mar não interfira, porque ele pode estar de passagem e se alimentando; o resgate pode ainda não ser necessário;
  • Se o animal encalhar na areia, não tente devolvê-lo ao mar;
  • Jamais coloque o pinguim em contato com o gelo;
  • Evite se aproximar do animal: ele pode se assustar e tentar voltar para o mar;
  • Afaste crianças, animais domésticos e curiosos;
  • Acione o resgate do PMP-BS: 0800 642 3341 ou (48) 3018 2316 (diariamente das 7h às 17h)

A realização do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos.

Fonte: Assessoria de Imprensa R3 Animal

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