Bom Dia SC – Este é um tema complexo e ao mesmo tempo consensuado entre os educadores. Dom Bosco disse que “antes de construir salas de aula é preciso instalar canchas de esportes para os jovens”. Nelas aprendem a disciplina, desenvolvem habilidades de convivência e, sobretudo, aí reside a aprendizagem de boas competências, inclusive as de relacionamento. Exalta-se o mérito. Ganham os melhores. Infeliz ou felizmente, numa pelada de futebol, os melhores são escolhidos primeiro e ninguém quer no time o “perna de pau”.
A educação formal, lastimavelmente, pelas regras da falsa inclusão, desprezou o mérito. Quando uma estrutura educacional, num país, privilegia as minorias, estará levando a sociedade à ruína. Não se trata de desprezar a atenção especial aos detentores de dificuldades especiais. É o que se constata com a Educação brasileira nos últimos 30 anos. Não se quer desconsiderar a necessidade de levar a sério as diversas deficiências, que precisam de escolas especializadas. O que a educação formal precisa é a pedagogia do mérito. Em todos os níveis.
A copa do mundo de futebol concentrou a atenção do povo brasileiro. Nossa medíocre seleção acabou, como se previa, desclassificada antes do que a mídia propagava avançar. Sabe-se, todavia, que a mídia divulga aquilo que os patrocinadores querem. A massa ignara balança na ilusão de comentários pífios daqueles jornalistas esportivos “pouco letrados”, mas porque foram atletas, detêm, na consciência popular, a verdade dos argumentos. Ilusão. A mídia, divulga as verdades de quem paga. Sou testemunha de muitas realidades vividas.
Pois bem. A copa do mundo de futebol acabou e o Brasil eliminado, com um time dos mais ineficazes da história. Nas ruas, nos botecos, nas casas e em todos os ambientes ressoaram críticas, comentários, discussões, argumentos dos mais diferentes matizes. Porém, poucos apontam que os resultados nas competições esportivas são reflexos da organização político-administrativa do país.
Eu sou testemunha, como desportista que fui, que os resultados dependem de disciplina, treinamento, horas de dedicação, cuidado e organização. Pois bem, os resultados nas competições internacionais são reflexo da liderança administrativa do país. E mais, refletem a importância que se dá à Educação Física em nossas escolas básicas. Poderíamos aqui discutir, longamente, como se processa a Educação Física na Educação Básica brasileira e como ela se encontra nos currículos. Praticamente considerada uma atividade secundária, como ação para tapar buraco de múltiplas formas. Nem queremos, nesse momento, argumentar sobre os professores malformados, que fazem desse importante componente curricular, um mero tempo e espaço de atividade lúdica desorganizada.
Educação Física e Esportes

A Educação Física e o esporte na escola, entre os jovens, são um instrumento extraordinário de formação. Meus grandes amigos continuam sendo aqueles dos tempos do esporte. Ali aprendemos a formação da resiliência, da disciplina, do espírito de equipe, da consciência solidária e outras habilidades. A Escola básica, na estruturação curricular, dá pouco valor às atividades desportivas. A maioria dos nossos jovens, lamentavelmente, estão dedicados às telinhas.
O problema é que nós já estamos vivendo num país “comuna”, que quer empurrar os estudantes, sobretudo os de mais tenra idade, para uma escola de tempo integral sem qualidade. Mais tempo na escola não garante mais aprendizagem. A escola de tempo integral, entre nós, tem o objetivo de deixar os filhos aos cuidados de outros. Isto é, não se trata de um projeto de escola de tempo integral com foco em desenvolvimento de habilidades, com currículos estruturados, com condições estruturais adequadas. Mas um “depósito” de crianças e jovens. As últimas avaliações do SAEB constataram que as notas de alunos de escolas de tempo integral não refletem maior aprendizagem. Estaria, na escola de tempo integral, a intenção subjacente de tirar os filhos da educação familiar para uma orientação geral do Estado?
Importante, também, observar que em países como Finlândia, Dinamarca e outros, os dias letivos e as horas na escola são muito inferiores do que no Brasil. Entretanto, o nível de aprendizagem é cinco vezes maior que o nosso. Em consequência, nós vamos empilhando analfabetos que avançam sem avaliação séria. Enchemos as universidades de incompetentes, por cotas, sem consideração por suas habilidades, salvo raras exceções e, em consequência, vamos transformando nosso país num mostrengo que necessita, cada vez mais, do tal programa “bolsa família”.
Então, o Brasil não perdeu a copa e nem perdeu o futebol. O futebol da copa é o reflexo da gestão do país. É o reflexo da educação do país. Uma vergonha coletiva. Enquanto a Noruega recuperava a cultura antiga, num gesto solidário de remar em conjunto, numa mesma direção para alcançar o objetivo, os brasileiros encenaram a dança vulgar e obscena do “creo”. O esporte reflete o caráter do povo, sua disciplina e seus valores. Estamos perdendo nosso orgulho patriótico e nossos valores que unem a nação brasileira. Em grande parte, porque o esporte e a Educação Física, na Educação básica, estão escanteados, inadequados, com professores malformados, com programas desestruturados de formação. Isto é, a Educação Física e o Esporte contam pouco na formação do cidadão brasileiro. Infelizmente.

Interessante notar que a Estrutura Administrativa e Política brasileira destruiu também a genialidade do nosso esporte, sobretudo o futebol. Destruiu referências, ídolos e hoje vivemos um país atolado na mentira, na esperteza, na submissão cultural, destruiu referências, nossos ídolos são medíocres, se é que os temos. Tudo anda na inversão de valores. Infelizmente, estamos num país que vive numa situação que sufoca quem produz, que demoniza o mercado e discursa sobre valores da educação que carrega, celeremente, a grande massa populacional para o lixo. Percebe, caro leitor, como nossas cidades e rodovias estão na acelerada convivência com a desorganização, a sujeira, o lixo, a corrupção, e pouco nos importamos com isso? Percebe?
Vejamos como nossas universidades públicas mergulharam na sujeira, na ideologia, na bagunça, nas paredes pichadas e muitas outras farras. Vejam a feiura dos acessos às nossas cidades. Entendemos que tudo isso é normal? Ainda bem que alguns grupos conscientes da vida construtiva começam acordar e agir. Há muita gente com vontade de gritar, mas o medo impede, porque a manada mata aquele diferente.
É fundamental que comecemos a despertar para uma consciência de valores construtivos. Eles não existem sem organização e disciplina. A Educação pelo esporte ensina as habilidades e competências do respeito às regras. Por isso, as famílias precisam tirar seus filhos das telas e jogá-los para as atividades desportivas. A competição, a luta por vencer, a frustração de perder, tudo isso forma o caráter corajoso de lutar pela vida mais digna.
Infelizmente, estamos normalizando a decadência, a sujeira, o lixo, a precariedade da educação e brigamos se o professor em sala de aula exige esforço. Retrato de quem anda célere para o fundo do poço. É engraçado… os brasileiros exigem raça, disciplina, rigor e bom desempenho dos atletas da seleção, mas perderam essa exigência com seus filhos, com os governantes, com os políticos, com as escolas e com tudo aquilo que exige disciplina. Cobramos dos atletas aquilo que perdemos como cidadãos, queremos excelência nos esportes num país que já normalizou a mesmice, que perdeu o respeito pelo cinismo, que aceita a corrupção, que aplaude o bandido. No país do jeito, parece-nos que, no atual “tranco”, não teremos jeito.
O Esporte, portanto, é o espelho da realidade social. Num país que normaliza a decadência não há futuro sem mudanças. E mudanças não existem sem rupturas. Nosso país se acostumou ao colapso, à tolerância à corrupção, a mentira, a crença nos meios de comunicação que só divulgam verdades pagas, na escola de currículos ilusórios e nos burocratas educacionais que proclamam as teorias pedagógicas do fracasso. Pior que eles, esses educadores das estruturas estatais, trabalham arduamente, na certeza de que são “anjos” do bem. Infelizmente, não viram o diferente do que aprenderam e, quando se defrontam com ele, o rechaçam com veemência.
Voltando para o início da conversa: o esporte ensina e educa. Ele é o espelho e a alma de uma sociedade. Por essas simples linhas reflexivas, para quem sonha, como eu, num país de qualidade de vida melhor, pergunta-se: É possível ter esperança nesse Brasil corrompido? Ora, temos esperança. Mas não devemos agir somente em função dela. Precisamos agir silenciosamente. Vejo grupos de valores morais, de honestidade, de organização disciplinar começando a agir nas universidades públicas, nas escolas e, sobretudo entre os jovens.
Creio, firmemente, que se nossas crianças e jovens que tiverem uma vida ativa com o esporte organizado em escolas formais ou por iniciativas populares, sobretudo guiados pelos bons profissionais de educação física, também os valores sociais, a organização disciplinar e a sociedade serão melhores.
Joaçaba, última semana de julho de 2026
Aristides Cimadon
Professor e Advogado





















