11/07/2026
Coma alcoólico no Carnaval
O coma alcoólico, estágio mais grave da intoxicação por álcool, volta ao centro das atenções durante o Carnaval/Foto: IA

Coma alcoólico no Carnaval: como identificar os sinais a tempo e evitar uma tragédia

Especialista alerta para riscos do consumo excessivo de álcool, trotes e bebidas adulteradas; condição pode levar à parada cardiorrespiratória e morte

Bom Dia SC – O coma alcoólico, estágio mais grave da intoxicação por álcool, volta ao centro das atenções durante o Carnaval — período marcado por festas e consumo elevado de bebidas alcoólicas. Muitas vezes confundida com uma embriaguez comum, a condição pode evoluir rapidamente, provocando parada cardiorrespiratória, lesões neurológicas permanentes e até óbito.

De acordo com a neurologista Dra. Keila Narimatsu, credenciada da Omint, o quadro ocorre quando há rebaixamento profundo do nível de consciência. “O álcool é um potente depressor do sistema nervoso central. A pessoa pode não responder a estímulos e apresentar respiração lenta ou irregular. É uma situação que exige socorro imediato”, explica.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, não existe dose segura de consumo de álcool que não cause impacto à saúde.

O que é coma alcoólico e como ele acontece

O coma alcoólico ocorre quando o excesso de álcool no organismo compromete gravemente as funções vitais, especialmente a respiração. O indivíduo pode apresentar inconsciência profunda, risco de aspiração de vômito, hipotermia e instabilidade dos sinais vitais.

É importante diferenciar a intoxicação alcoólica grave do coma. Na intoxicação severa, ainda pode haver algum nível de consciência, confusão mental e vômitos persistentes. Já no coma, há perda significativa ou total da consciência, com comprometimento respiratório e risco iminente de morte.

Principais sinais de alerta do coma alcoólico

Identificar os sintomas precocemente pode salvar vidas. Os principais sinais incluem:

  • Sonolência profunda ou inconsciência
  • Dificuldade ou incapacidade de acordar
  • Fala incoerente ou ausência de fala
  • Respiração lenta, irregular ou ruidosa
  • Pele fria, pálida ou arroxeada
  • Vômitos associados à perda de consciência
  • Convulsões e hipotermia

Diante de qualquer um desses sinais, é fundamental buscar atendimento médico imediato.

Jovens estão entre os mais vulneráveis

O grupo de maior risco inclui jovens que participam de festas com consumo excessivo de álcool, além de idosos, pessoas com baixo peso e indivíduos que utilizam medicamentos como benzodiazepínicos, opioides, antidepressivos ou antipsicóticos.

Doenças hepáticas, respiratórias e neurológicas também aumentam a vulnerabilidade. A combinação de álcool com medicamentos potencializa o efeito depressor sobre o sistema nervoso central, elevando o risco de coma.

O que fazer em caso de suspeita

Em situações suspeitas de coma alcoólico, a orientação é clara:

  • Acionar imediatamente o serviço de emergência
  • Colocar a pessoa deitada de lado (posição lateral de segurança)
  • Monitorar respiração e pulso
  • Manter o corpo aquecido
  • Nunca deixar a pessoa sozinha

A especialista alerta que práticas populares podem agravar o quadro. Dar café, oferecer banho gelado, induzir o vômito ou forçar a pessoa a caminhar aumentam o risco de aspiração e parada respiratória. Permitir que a pessoa “durma para melhorar” também é perigoso.

Sequelas podem ser permanentes

A demora no atendimento pode causar danos irreversíveis, como déficits de memória e atenção, epilepsia secundária, distúrbios motores e psiquiátricos. Em casos extremos, o quadro pode evoluir para estado vegetativo ou morte.

O prognóstico depende da quantidade de álcool ingerida, do tempo de falta de oxigenação cerebral e da rapidez no socorro.

Metanol: o perigo invisível das bebidas adulteradas

Além do risco do etanol em excesso, há ainda o perigo das bebidas adulteradas com metanol, substância altamente tóxica. Segundo o Ministério da Saúde, até novembro de 2025 foram registrados 97 casos e 16 óbitos no país. No estado de São Paulo, até 5 de fevereiro deste ano, foram confirmadas 12 mortes associadas à ingestão de bebidas contaminadas.

Diferentemente do álcool comum, o metanol é metabolizado em ácido fórmico, provocando acidose grave, lesões neurológicas progressivas, cegueira, convulsões e coma. Os sintomas podem surgir horas após a ingestão, inclusive quando a pessoa aparenta melhora inicial.

Qualquer suspeita de bebida de procedência duvidosa deve ser tratada como emergência médica.

Prevenção no Carnaval: informação e cuidado coletivo salvam vidas

Para reduzir riscos durante o Carnaval, especialistas recomendam:

  • Alimentar-se antes e durante o consumo de álcool
  • Beber devagar e intercalar com água
  • Não misturar álcool com medicamentos ou outras drogas
  • Evitar competições de ingestão de bebida
  • Não aceitar bebidas sem procedência confiável
  • Permanecer em grupo e monitorar amigos

O cuidado coletivo é determinante. Reconhecer os sinais precocemente e agir com rapidez pode ser a diferença entre um susto e uma tragédia.

Com informações da Assessoria de Imprensa da OMIT

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