11/07/2026
Chupeta antiestresse
A popularização da chupeta “antiestresse” entre adultos reforça a importância de avaliar criticamente as tendências que surgem nas redes sociais/Foto: IA

Chupeta “antiestresse” vira tendência entre adultos e especialistas alertam para riscos à saúde bucal

Moda viral nas redes sociais pode trazer riscos à saúde física e emocional

Bom Dia SC – Uma tendência curiosa — e controversa — tem ganhado força nas redes sociais: o uso da chamada “chupeta antiestresse” por adultos. O hábito, que teria começado na China e rapidamente se espalhado pelo mundo digital, levanta discussões importantes entre profissionais da saúde, especialmente nas áreas de odontologia e comportamento.

Assim como ocorreu com outras modas recentes impulsionadas pela internet, a prática chama atenção não apenas pelo inusitado, mas principalmente pelos possíveis impactos à saúde. Especialistas alertam que, apesar de ser divulgada como uma ferramenta para aliviar a ansiedade, não há comprovação científica que sustente os benefícios do uso da chupeta por adultos.

Impactos na saúde bucal preocupam especialistas

De acordo com a cirurgiã-dentista e coordenadora do curso de Odontologia do Centro Universitário Integrado, Thamara Maluf, o uso contínuo da chupeta pode provocar uma série de problemas na estrutura bucal.

Entre os principais riscos estão alterações na mordida, desalinhamento dos dentes e desgaste irregular causado pela pressão constante do acessório. Além disso, o hábito pode levar a complicações mais sérias, como:

  • Traumas periodontais
  • Retração gengival
  • Exposição da raiz dos dentes
  • Sensibilidade dentária
  • Mobilidade dental
  • Perda óssea na região bucal

Outro ponto de atenção é o impacto na articulação temporomandibular (ATM), responsável por conectar a mandíbula ao crânio. Alterações nessa estrutura podem resultar em sintomas como dor, estalos, dificuldade para abrir ou fechar a boca, além de comprometer funções essenciais como mastigação e fala.

Uso da chupeta pode aumentar risco de infecções

Além dos danos estruturais, o uso frequente da chupeta também pode favorecer o surgimento de infecções. Isso ocorre porque o objeto pode acumular microrganismos, especialmente quando não há higienização adequada.

Segundo especialistas, esse cenário pode aumentar o risco de:

  • Infecções orais
  • Problemas respiratórios
  • Inflamações na mucosa bucal

Esses fatores tornam o hábito ainda mais preocupante, principalmente quando adotado de forma contínua e sem orientação profissional.

Questões emocionais e dependência comportamental

Embora muitos adultos recorram à chupeta como uma tentativa de aliviar o estresse e a ansiedade, o comportamento pode indicar uma dependência emocional. O uso frequente do objeto pode funcionar como um mecanismo de fuga, dificultando o desenvolvimento de estratégias mais saudáveis de enfrentamento.

Especialistas alertam que, em vez de resolver o problema, o hábito pode reforçar padrões de comportamento prejudiciais, criando uma dependência psicológica que tende a se intensificar com o tempo.

É possível reverter os danos?

A boa notícia é que, em muitos casos, os danos causados pelo uso da chupeta podem ser revertidos — especialmente quando o hábito é interrompido precocemente.

Situações leves, como pequenas alterações na mordida, podem se corrigir naturalmente. Já casos mais avançados podem exigir tratamentos específicos, como:

  • Aparelhos ortodônticos
  • Fisioterapia orofacial
  • Tratamento para disfunções da ATM
  • Acompanhamento odontológico especializado

Lesões musculares e articulares também podem ser tratadas, desde que haja diagnóstico adequado e intervenção profissional.

Como abandonar o hábito da “chupeta antiestresse”

Chupeta antiestresse
A popularização da chupeta “antiestresse” entre adultos reforça a importância de avaliar criticamente as tendências que surgem nas redes sociais/Foto: IA

Para quem deseja deixar de lado esse comportamento, especialistas recomendam alternativas mais saudáveis e eficazes para o controle do estresse e da ansiedade. Confira algumas dicas:

Técnicas de relaxamento

Práticas como meditação, respiração consciente, alongamentos e atividades físicas ajudam a equilibrar o corpo e a mente, reduzindo naturalmente os níveis de estresse.

Substituições menos prejudiciais

Objetos como bolinhas antiestresse ou até mesmo gomas de mascar sem açúcar podem servir como alternativas menos nocivas.

Apoio psicológico

Se o uso estiver relacionado à ansiedade ou compulsão, buscar ajuda de um psicólogo pode ser essencial para tratar a causa do problema.

Avaliação odontológica

Consultar um dentista é fundamental para identificar possíveis danos e prevenir complicações futuras.

Tendências virais exigem olhar crítico

A popularização da chupeta “antiestresse” entre adultos reforça a importância de avaliar criticamente as tendências que surgem nas redes sociais. Nem tudo o que viraliza é seguro ou benéfico — especialmente quando envolve saúde.

Antes de adotar qualquer hábito com supostos efeitos terapêuticos, é essencial buscar informações confiáveis e orientação profissional. Afinal, cuidar da saúde física e mental exige escolhas conscientes e baseadas em evidências.

Com informações da Assessoria de Imprensa do Centro Universitário Integrado

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