Bom Dia SC – Nesses tempos de turbulências, quem pode começar o ano de 2026 com tranquilidade e paz? Certamente, aqueles que planejaram a vida e, com sabedoria e conhecimento, edificaram uma situação financeira sólida ou, ao menos, construíram uma profissão capaz de trazer perspectivas de segurança. Mas, como vislumbrar perspectivas de segurança, num país onde, quase a metade da população vive com algum tipo de esmola ou programa assistencial?
Chegando ao ano novo, percebemos que inúmeras famílias se embrenham em festas, viagens, foguetes, presentes, enfeites, praias, gastando fortunas que não têm, criando um fosso de dívidas e alimentando esperanças que não existem. Tudo para aparecer aos olhos dos amigos, vizinhos e parentes. Coisas de “pobres” de espírito, de dinheiro, de conhecimento e de sabedoria.
O ano novo, por si só, não traz riquezas, perspectivas de sucesso, alívio de impostos, como se tudo fosse começar do zero. É ilusão pensar em recomeço sem novos propósitos. Para a grande massa da população, sobretudo os mais carentes, tudo continua com a mesma carga. Aliás, para muitos, com problemas ainda maiores, causados por dívidas, brigas, desentendimentos e gastos inúteis, cujos recursos poderiam ser economizados para iniciar um ano mais próspero.
Ano Novo 2026
Então, começar um ano com tranquilidade e paz depende de educação e sabedoria. Infelizmente, ser feliz, na compreensão atual, é saciar os desejos de consumo. É quanto de expectativa de consumo alguém tem, excitada por uma pressão de propagandas da mídia, redes sociais e uma poluição visual que impinge, no ser humano ignaro, a consciência de que a felicidade está na roupa nova, no carro diferente, no tênis ou no sapato da moda e na apresentação: “parecer quem na essência não é”. Observe se não é assim. Como é difícil encontrar jovens de valor, de princípios, que agem com seriedade, com planejamento, com propósitos.
Por quê? Porque o ambiente está armado para influenciar, sobretudo os adolescentes e crianças, para uma prática de consumo impraticável, porque não têm renda para tanto, nem a família a tem e, portanto, ruma-se para a desilusão e ao caminho do colapso. E pior, o próprio governo alimenta a desesperança e a pobreza, porque se nutre delas, para que, por elas, os coronéis se perpetuem no poder e sistema se mantem. Pense nisso. Até as emendas parlamentares são instrumentos de esmola, alimentação da miséria com a finalidade de reeleição.
Consequência: a roda gira sempre com as mesmas figuras, sem inovação, sem grandes obras estruturantes, sem esperanças. Sim, há algumas exceções nesse país abençoado, que vive ainda de fartura, graças a suas riquezas naturais. Mas, o queijo, corroído por ratos, pode azedar.

Quando paramos para analisar os movimentos atuais, voltamos a ouvir o discurso que tudo se constrói pela educação formal. Este é um discurso mentiroso, falacioso. O Brasil é um dos países que mais investe em educação, se considerarmos o percentual per capita. Mas tem uma educação dentre as piores do mundo. Você, caro leitor, pode ficar perplexo, mas uma sociedade pujante não se constrói pela educação formal. Educação de qualidade é instrumento que pressupõe terreno fértil. A educação vem para implementar e fortalecer oportunidades e não ao contrário. Não resolve formar técnicos em mecatrônica, por exemplo, para atuar em locais que não se necessita deles.
A educação formal, sobretudo a pública, no atual ambiente, é desestruturante, não agrega valor nenhum, porque não tem qualidade. De que vale formar milhares de agrônomos, veterinários, engenheiros, se o ambiente estrutural não proporciona que esses profissionais atuem? Por isso, encontramos advogados, engenheiros, agrônomos, contadores, fisioterapeutas e tantos outros, daqui há um tempo até médicos, operando Uber. Nada contra, mas para onde vão tantos esforços?
E a educação em casa, na família? Hoje, as mães e pais, educam seus filhos com dívida e culpa imposta por uma psicologia educativa de quinta categoria: “fazer tudo para não frustrar”. Há 30 ou 40 anos atrás, as mães decidiam o que pôr à mesa, o horário de dormir, o uniforme, respeito, regras, limites e quando vinha a ordem: “acabou”, “chega”! Era porque “acabou”. Hoje, a mãe ou pai pedem licença ao filho: “você me permite mudar a ordem das coisas no seu quarto”?
Você me dá licença para eu te falar algo para melhorar sua vida”? Tudo feito com o temor da frustração. Ora, minha gente, vamos acordar, a vida não premia gente fraca, mimizenta, cheia de “dorzinhas” ou gente frouxa. A vida é para os fortes, como dizia Antônio Gonçalves Dias:
Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.
Portanto, que 2026 seja um ano para acordar… é uma bênção quando as crianças têm pais “chatos”, disciplinadores, duros, porque é na infância e adolescência que o caráter e personalidade são estruturados, temperados, formados para enfrentar a vida. Infelizmente, estamos entregando as crianças e adolescentes a uma avacalhação geral, ao desrespeito, à tolerância como se nossos filhos fossem reizinhos a serem protegidos em bolhas sem perigos e atropelos.
Ora, é no enfrentamento de problemas, da dor, da disciplina, do sacrifício que se formam grandes homens e mulheres. Isso não significa inexistência de momentos de prazer, de alegria, de festa e de liberdade.
Então, meu desejo aos pais de verdade é que, a partir de 2026, em suas casas, sejam autoridades, impingindo em seus filhos uma educação formadora de protagonistas, empreendedores e guerreiros. Pais bonzinhos, superprotetores criam filhos birrentos, chatos, impossíveis de lidar e que acabam se dando mal na vida, isto é, verdadeiros bocós. Pais que educam com autoridade, agem com afeto, mas também com pulso firme. Precisamos retomar isso em nossas famílias e na escola básica, sobretudo a pública.
Feliz 2026.
Joaçaba, penúltimo dia de 2025.
Aristides Cimadon
Professor e Advogado





















