COFEM destaca riscos à economia catarinense e ao mercado de trabalho
Bom Dia SC – A possível revisão da jornada de trabalho no Brasil, em debate no Congresso Nacional, acendeu um alerta no setor produtivo de SC. O tema foi discutido nesta segunda-feira (9) durante reunião do Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina (COFEM), que defende cautela e análise técnica antes de qualquer mudança na atual escala 6×1.
Para as entidades empresariais, trata-se de uma alteração estrutural, com reflexos diretos na economia, no emprego e na competitividade do país. O COFEM também demonstrou preocupação com o ritmo acelerado da tramitação, especialmente por ocorrer em ano eleitoral, o que pode levar a decisões guiadas mais por interesses políticos do que por dados técnicos.
Indústria pode ter aumento bilionário de custos
Estudos apresentados durante a reunião apontam impactos expressivos. Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que a migração para uma jornada de 36 horas semanais pode gerar um aumento de aproximadamente R$ 178 bilhões por ano nos custos diretos da indústria.
Já análises da FGV/IBRE mostram que, considerando apenas o fator trabalho, a mudança pode resultar em uma queda de até 11% no Produto Interno Bruto (PIB), afetando o desempenho econômico do país como um todo.
SC seria mais impactada que a média nacional

Dados da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) revelam que 71% dos trabalhadores formais do estado têm contratos entre 41 e 44 horas semanais, percentual acima da média nacional, que é de 60%.
Na indústria catarinense, o impacto seria ainda maior: 86% dos trabalhadores cumprem jornada de 44 horas, segundo levantamento do Observatório FIESC. Para o setor produtivo, isso demonstra que o estado catarinense sentiria os efeitos da mudança de forma mais intensa do que outros estados.
Preços mais altos e avanço da informalidade preocupam setor produtivo
Entre os principais pontos de atenção está o possível aumento dos preços ao consumidor. Com a redução da jornada, o custo do emprego pode crescer cerca de 25%, pressionando as empresas.
Diante desse cenário, muitas organizações podem ser obrigadas a repassar os custos ao preço final de produtos e serviços, o que tende a impactar a inflação e reduzir o poder de compra da população. O COFEM também alerta para o risco de crescimento da informalidade, como consequência do encarecimento das relações formais de trabalho.
Falta de mão de obra já é realidade no estado
Outro fator que agrava o debate é o cenário de pleno emprego no Estado. No terceiro trimestre de 2025, o estado registrou taxa de desocupação de 2,3%, a menor do Brasil, o que já gera dificuldades para preenchimento de vagas em diversos setores.
Um exemplo é o setor de transportes. Dados da Fetrancesc apontam uma redução de 22% no número de caminhoneiros nos últimos dez anos. Em 2015, eram 5,6 milhões de motoristas; em 2025, esse número caiu para 4,4 milhões.
Competitividade e Custo Brasil entram no debate
Na avaliação do COFEM, fatores como alta carga tributária, insegurança jurídica, infraestrutura deficiente e baixa produtividade já comprometem a competitividade das empresas brasileiras. A redução da jornada de trabalho, sem ajustes estruturais, pode agravar ainda mais esse cenário.
O conselho também cita exemplos internacionais. Países como Alemanha, Dinamarca e Holanda mantêm jornadas semanais de até 48 horas, enquanto a França, que reduziu a carga horária, estuda rever a medida diante dos impactos negativos, especialmente sobre pequenas e médias empresas.
Entidades que integram o COFEM
O COFEM é formado pelas Federações das Indústrias (FIESC), do Comércio (Fecomércio), da Agricultura (FAESC), dos Transportes (Fetrancesc), das Associações Empresariais (FACISC), das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), das Micro e Pequenas Empresas (Fampesc), além do Sebrae-SC.
Com informações da Assessoria de Imprensa da FIESC





















