12/07/2026
Santa Catarina apresenta perfil intermediário no financiamento estadual da ciência
Santa Catarina apresenta perfil intermediário no financiamento estadual da ciência

Santa Catarina apresenta perfil intermediário no financiamento estadual da ciência

Painel nacional mostra que a Fapesc responde por cerca de metade dos recursos destinados à ciência em Santa Catarina

Bom Dia SC – O financiamento da ciência em Santa Catarina, é marcado pelo equilíbrio entre participação elevada da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina e os aportes das agências federais Capes, CNPq e Finep. A Fapesc responde por praticamente metade dos recursos destinados à pesquisa e à inovação no estado. Esse arranjo confere maior capacidade de indução estadual ao sistema científico catarinense, ao mesmo tempo em que convive com desafios relacionados ao esforço fiscal e à ampliação da densidade de pesquisadores.
 

Esse retrato é apresentado pelo Painel do Financiamento das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs), um instrumento inédito que organiza e sistematiza, em um único ambiente de consulta pública, informações sobre o financiamento da ciência, tecnologia e inovação nos 26 estados e no Distrito Federal. O Painel foi desenvolvido pelo Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (SoU_Ciência), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com o Conselho Nacional das FAPs (Confap). Acesse aqui o painel.

Elaborado ao longo de 2025, com base nos dados consolidados mais recentes, referentes ao ano de 2024, o Painel permite comparar como se articulam os esforços estaduais e federais no financiamento da pesquisa e da inovação e evidenciar assimetrias regionais no sistema científico brasileiro.

Santa Catarina apresenta perfil intermediário no financiamento estadual da ciência
Santa Catarina apresenta perfil intermediário no financiamento estadual da ciência

Protagonismo dos estados

No panorama nacional apresentado pelo Painel, as fundações estaduais assumem papel central. Em 2024, o orçamento conjunto das 27 FAPs alcançou R$ 4,8 bilhões (37,51%), valor superior, individualmente, aos R$ 3,46 bilhões das bolsas concedidas pela Capes (27,01%), aos R$ 2,3 bilhões dos aportes da Finep no apoio a instituições de pesquisa (17,99%) e aos R$ 2,24 bilhões do orçamento total do CNPq (17,49%).

“O objetivo é ampliar a transparência, fortalecer o controle social e oferecer subsídios técnicos para a formulação de políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação”, afirma Soraya Smaili, professora da Unifesp e coordenadora do SoU_Ciência. Segundo ela, a plataforma permite compreender com mais precisão como diferentes modelos de financiamento se combinam no país e onde estão as principais assimetrias e oportunidades de aprimoramento. “O Painel contribui para qualificar o debate ao tornar comparáveis, em escala nacional, dados antes dispersos”.

Prioridade média

A partir desse enquadramento nacional, o Painel detalha a composição das fontes de financiamento da ciência em todos os estados. Diante do total de R$ 542 milhões destinados à ciência no estado em 2024, a Fapesc respondeu por R$ 266 milhões (49%). Entre as agências federais, a Capes, no que se refere a bolsas, aportou R$ 129 milhões (24%), o CNPq, R$ 84 milhões (15%), e a Finep, R$ 62 milhões (11%).

Nos indicadores do financiamento estadual, o esforço fiscal — percentual da receita arrecadada com impostos que o estado destina à sua fundação de amparo à pesquisa — foi de 0,26% em Santa Catarina. Esse percentual coloca o estado na 16ª posição do ranking nacional e indica uma prioridade média da ciência no orçamento catarinense considerando os índices dos demais estados.

A mensuração do esforço fiscal possibilita avaliar o comprometimento financeiro dos governos estaduais com o fomento à ciência e tecnologia. A média nacional do esforço fiscal é de 0,39%. As maiores fatias da receita tributária destinadas à ciência estão no Rio de Janeiro (0,83%), São Paulo (0,78%), Amazonas (0,71%) e Alagoas (0,70%). Na outra ponta, Goiás, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe aplicam menos de 0,2% de seus impostos em pesquisa.

O investimento per capita da Fapesc é de R$ 37,96 por habitante do estado, quarta posição no âmbito nacional desse indicador. O valor médio entre as FAPs é de R$ 21,08. São Paulo lidera com R$ 61,48 por habitante. Distrito Federal e Espírito Santo vêm em seguida: R$ 42,30 e R$ 40,95 respectivamente. No final da linha estão Rondônia (R$ 8,39), Bahia (R$ 6,88) e Rio Grande do Norte (R$ 5,31).

Santa Catarina no financiamento estadual da ciência
Santa Catarina no financiamento estadual da ciência

Investimento em Santa Catarina

Já o investimento médio por pesquisador em Santa Catarina ficou em R$ 18 mil, 6ª posição no conjunto das 27 FAPs. A média nacional é de R$ 12,2 mil/pesquisador. Depois do líder São Paulo (R$ 30,3 mil/pesquisador), se destacam Maranhão (R$ 26 mil), Espírito Santo (R$ 25,8 mil), Alagoas (R$ 22,4 mil) e Amazonas (R$ 22,2 mil). Na outra extremidade, Bahia (R$ 4,9 mil), Rio Grande do Sul (R$ 2,9 mil) e Rio Grande do Norte (R$ 1,9 mil) registram os menores aportes.

No indicador de pesquisadores por 100 mil habitantes, Santa Catarina conta com 211 pesquisadores e a oitava posição no contexto nacional. A média brasileira é de 186 pesquisadores. Os maiores índices são do Distrito Federal (459 pesquisadores), Rio Grande do Sul (328) e Rio de Janeiro (315). Os índices mais baixos estão no Amapá (113), Rondônia (89) e Maranhão (69).

A coordenadora do Painel do Financiamento das FAPs, Maria Angélica Minhoto, destaca que “a transparência dos dados e o diálogo entre as instituições são essenciais para que a sociedade compreenda a importância do investimento em pesquisa. Ciência não é gasto — é desenvolvimento, inovação e soberania”, resume.

Fonte: Assessoria de Imprensa Unifesp

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