Bom Dia SC – É vidente que uma boa educação, entendida como a formação de uma pessoa, cujas habilidades apreendidas se manifestam no seu comportamento diário, depende de uma série de fatores.
Tive o privilégio de nascer numa família de descendentes italianos que, embora humildades, vivenciavam os princípios da solidariedade, da disciplina, do trabalho árduo, da honestidade e da competitividade. Ali aprendi muito na infância. Sobretudo enfrentar as dificuldades sem reclamar, resolver meus problemas, acordar cedo e dar conta das tarefas, desde tenra idade.
Depois, a partir dos 11 anos de idade, passei a frequentar o seminário, uma escola integral de tempo integral, com rigorosa disciplina, horário para tudo, muito estudo, esporte e trabalho. As férias eram apenas um mês no ano. Aí forjei a minha personalidade, meus valores, minhas virtudes e defeitos. Penso que minha história conta, na prática, que as virtudes são bem mais razoáveis.
Aprendi, pela experiência da vida, depois, a confirmar, na prática, as palavras dos professores, a maioria delas espelhadas no exemplo de grandes homens, como São Bento, que apontava, em suas palavras e atitudes que, para ter sucesso na vida é preciso praticar, trabalhar e viver a seguinte orientação: Orare, labutare et non resmugare (Reze, trabalhe e não resmungue).
Não foram poucas as vezes que, sob as luzes da mensagem do provérbio popular: o exemplo arrasta; ou daquilo que nos ensinou Dom Bosco: o ócio é amigo de todos os vícios; ou ainda, sob a inspiração bíblica: vigiai e orai; tínhamos que demostrar, no agir diário, no fazer as coisas, no comportamento em todos os setores, a vivência rigorosa no cumprimento dessas diretrizes.
Hoje, o ensino é decadente e a educação frouxa. Em consequência, o resultado se evidencia: pobreza, laxidão, fraqueza de espírito, jovens que não aguentam a frustração, criminalidade e lixo entre tantas desvirtudes. Então, em meio a corrupção, a falta de disciplina e de caráter, ninguém se sente responsável, mas todos arrumam um “bote expiatório”. Sim, em meio ao colapso, existem oásis e estes promovem a educação daqueles que serão os empreendedores e líderes.
Então, se os exemplos educam, para onde o comportamento dos líderes, dos governantes, dos operadores do Direito, dos que ensinam nos templos, dos pais de família, dos professores, dos empresários, dos artistas, dos comunicadores e de outros tantos estão encaminhando as nossas crianças e jovens? Não há dúvida, o jeito de ser se forja na família. A escola é complemento, mas também tem importância essencial.
As escolas contribuem na formação da personalidade, dos princípios de ação, de valores, a partir da filosofia empregada no seu currículo (todas as atividades escolares). Então, uma escola que foca suas atividades em não submeter seus estudantes à competitividade, a resolver problema, que numa competição dá medalha para “todo mundo”, porque deseja tem o foco “criar uma sociedade colaborativa”, está formando “babacas”.
Ora, o mundo, a vida e a sobrevivência exigem luta, competição, esforço pessoal. Num concurso público, por exemplo, ninguém vai dar a vaga para aquele que tem uma história triste. Numa entrevista de emprego, não se seleciona quem mais precisa, mas aquele mais apto a resolver aquilo que a empresa necessita.
No mundo dos negócios ninguém compra de alguém por pena. A história da humanidade mostra que o mundo competitivo, não é “de agora”, faz parte da vida. Sempre existiu e mostra que os vencedores não venceram por acaso. Os verdadeiros vencedores mostram uma trajetória de enormes sacrifícios, dedicação, treino, disciplina e não poucas lágrimas.
Infelizmente, o mundo e nem a vida premiam tentativas, boas intenções, choradeira e falta de esforço. Portanto, uma educação, do presente e do futuro de uma pessoa, de um Estado, de um país, depende dos “rumos da educação”. Nenhuma educação de futuro vale a pena se não houver clareza dos seus fins.
Não temos uma clareza explicita dos rumos da educação formal brasileira. Ela é subjacente e conduz para igualitarismo, a inclusão “burra” e a esperança medíocre. Nesse contexto, os professores, sobretudo da educação básica, agem como marionetes, a maioria com boa vontade, mas não se dão conta que encaminham “a manada” para o matadouro.
Há, entre nós, a consciência que, para se obter sucesso tem que cursar uma faculdade. Ora, não existe, em nenhum lugar do mundo que todos precisam ir para a faculdade para se formar um profissional de sucesso. Pelo contrário, temos exemplos em vários países ricos do mundo, em que a maioria dos jovens vai para o ensino técnico. Ensino superior é feito para altas competências. Em nosso país, a ilusão do diploma, acompanha a incompetência de muitos e enriquece os empresários da educação.
Os países com a melhor qualidade de vida mostram, com exemplo, que a sociedade não tem a maioria formada no ensino superior, mas tem um ensino técnico robusto. Este sim, dá uma oportunidade para os jovens, sobretudo os mais economicamente carente, terem oportunidade de construir uma carreira digna.
Por que o nosso país ignorou o ensino técnico na educação básica? Não há, por trás dessa estratégia, uma decisão subjacente dos fins? Não há dúvidas, todo sistema regulatório educacional tem seus objetivos. Inclusive na formação de professores, cujas diretrizes curriculares impõem discursos belíssimos, mas ações que os contrariam. O exemplo educa.
Joaçaba, novembro de 2025
Aristides Cimadon





















