Bom Dia SC – Preliminarmente, No dia 25 de setembro, comemora-se o Dia Nacional do Rádio no Brasil. A data foi escolhida em homenagem ao nascimento de Edgar Roquette-Pinto, considerado o pai do rádio brasileiro. Mais do que celebrar um meio de comunicação, esta é uma ocasião para reconhecer a importância de uma tecnologia que, mesmo diante de tantas transformações ao longo das décadas, segue viva, adaptável e presente na vida de milhões de pessoas. O rádio é mais do que som: é memória, é cultura, é companhia.
De outro vértice, desde sua chegada ao Brasil, em 1922, durante as comemorações do Centenário da Independência, o rádio logo se tornou uma das principais ferramentas de difusão de informações e entretenimento. No início, era privilégio de poucos, mas com o tempo ganhou os lares, as praças, os carros, as oficinas, os mercados e os campos. Seu alcance, sua simplicidade e seu custo relativamente baixo sempre garantiram ao rádio um lugar privilegiado entre os meios de comunicação. Enquanto a televisão se firmava como o principal veículo audiovisual e a internet mudava drasticamente as formas de consumo de conteúdo, o rádio se reinventava silenciosamente, sem perder sua essência: comunicar de forma direta, oral e afetiva.
No entanto, o rádio tem uma linguagem própria. Ele fala com o ouvinte, não apenas para o ouvinte. Estabelece uma relação íntima e cotidiana. O locutor, mesmo distante, parece estar ali, ao lado de quem escuta. Essa característica fez do rádio uma companhia insubstituível, especialmente em momentos de crise, solidão ou deslocamento. Quantos brasileiros, nas madrugadas longas, nas estradas sem fim ou nas cozinhas dos fundos, encontraram no rádio uma voz amiga, um alento, uma conexão com o mundo?

Destarte, durante os períodos mais sombrios da história brasileira, como a ditadura militar, o rádio foi instrumento de resistência e, ao mesmo tempo, alvo de controle. Programas humorísticos, radionovelas e jornalísticos marcaram gerações. Em muitas cidades do interior, foi o rádio que primeiro trouxe notícias do país e do mundo, que apresentou novos estilos musicais, que deu espaço às manifestações populares. Em comunidades onde a televisão demorou a chegar e a internet ainda engatinha, o rádio é, até hoje, a principal fonte de informação.
Por conseguinte, nos grandes centros urbanos, embora o consumo tenha se transformado, o rádio não desapareceu. Ele se adaptou aos tempos digitais. Hoje, é possível ouvir uma emissora do outro lado do mundo com poucos cliques. Os podcasts, que seguem a tradição radiofônica de contar histórias, entrevistar, narrar e debater, mostram como o modelo de comunicação do rádio segue atual, mesmo em plataformas novas. A essência está lá: voz, conteúdo, ritmo, escuta.
Dia do Rádio oportunidade de refletir sobre os profissionais que fazem esse meio acontecer
Outrossim, o Dia do Rádio também é uma oportunidade de refletir sobre os profissionais que fazem esse meio acontecer. São jornalistas, locutores, sonoplastas, técnicos, produtores e tantos outros que, nos bastidores ou ao microfone, garantem a qualidade e a continuidade dessa tradição. São vozes que informam, ensinam, divertem, acalmam, provocam. Muitas vezes, são anônimos para o público, mas indispensáveis para o funcionamento da engrenagem radiofônica.
Entretanto, importa lembrar que o rádio não é um instrumento do passado. Ele é, ainda hoje, essencial em momentos de emergência. Em situações de catástrofe natural, por exemplo, quando há queda de energia ou sinal de internet, o rádio a pilha ou de carro se torna o canal mais confiável de informação. Isso reforça a necessidade de políticas públicas que incentivem a radiodifusão comunitária e educativa, valorizando seu papel social e democrático.
O Brasil, com sua imensa diversidade cultural, encontra no rádio um espaço privilegiado de expressão regional. Emissoras locais, que muitas vezes funcionam com recursos limitados, cumprem um papel vital na preservação de tradições, no fortalecimento da cidadania e na circulação de conteúdos que refletem a identidade de cada canto do país. No rádio se escutam as vozes do sertão, da floresta, da periferia. É nele que os sotaques encontram lugar de fala.
Em mundo cada vez mais visual e imediatista, o rádio convida à escuta. Ele não exige atenção exclusiva, não interrompe com imagens nem distrai com estímulos visuais. Ao contrário, permite que se faça outra coisa enquanto se ouve. É o meio da imaginação, onde cada ouvinte recria mentalmente as cenas narradas, os tons das conversas, os ambientes sonoros. Há algo de artesanal e mágico nisso, algo que resiste ao tempo e à velocidade do digital.
Em corolário, neste 25 de setembro, o rádio merece não apenas lembrança, mas reconhecimento. Ele continua a ser um espaço de encontro entre gerações, de difusão de conhecimento, de construção de laços comunitários. É um patrimônio imaterial que precisa ser preservado, incentivado e valorizado. Que o Dia do Rádio sirva para reforçar seu papel na vida pública brasileira, sua capacidade de adaptação e sua importância na formação de um público crítico, informado e sensível.
Em epítome, celebrar o rádio é celebrar a escuta, a palavra falada, a narrativa oral que vem de longe e segue ecoando, nos fones de ouvido, nas ondas do carro, nas cozinhas de manhã cedo, nas madrugadas insones.

Jornalista (MT/SC 4155)




















