Bom Dia SC – Importante refletir um pouco sobre a questão de que o diploma de ensino superior, sobretudo de alguns cursos, confere competências, empregabilidade e sucesso profissional. A cultura tupiniquim brasileira, ao longo dos tempos, conferiu uma crença em nosso meio: os diplomas garantem aos cidadãos os bons empregos. Aliás, o título de doutor concede, naturalmente ao cidadão, a condição de riqueza. Mas, hoje não é mais assim.
Segundo relatos de Luiz Curi (set, 2025), citando reportagem de O Globo de fevereiro de 2025, afirma que “quem tem diploma de ensino superior ganha 126% a mais daqueles que não tem”. Falamos, evidentemente, de maneira geral, sem descer a particularidades. Mas, o Estadão, em São Paulo, em janeiro de 2023, divulgava que existiam 5,4 milhões de brasileiros com diploma de ensino superior desempregados ou na informalidade. Um contrassenso que pode gerar a interpretação de que somente a obtenção do diploma é suficiente para uma carreira de sucesso ou a conquista de um emprego.
Há, portanto, inúmeros jovens que saem da universidade e continuam fazendo o que faziam, com o mesmo salário, sem agregar qualidade no serviço e, às vezes, ganhando um pequeno aumento. É possível que o leitor conheça alguns. A empregabilidade, a melhoria das competências e o sucesso profissional não depende apenas de diploma de curso superior. A formação de qualidade de uma pessoa começa com a disciplina em casa, com aprendizagem de valores que o convívio da família.

Enganam-se aqueles que pensam que matriculando seus filhos na escola, sobretudo a pública, eles terão possibilidade de um aprendizado de qualidade para competir profissionalmente. O ensino médio generalista, no Brasil, é uma vergonha. Toma-se também como exemplo os países europeus e até nos sul-americanos, em que mais de 50% dos jovens do ensino médio concluem cursos técnicos, entre nós não chega a 15% dos jovens que enveredam para os cursos médios técnicos.
Na Secretaria de Estado, em Santa Catarina, implantamos o Programa CATEC que, se bem conduzido, possibilitará uma melhoria significativa, notadamente aos jovens que cursam escola pública no ensino médio, os quais, ao concluir com um curso técnico em parceria com o Senai, Senac e outras escolas técnicas e com as Universidades Comunitárias da Acafe (Associação Catarinense das Fundações Educacionais), terá a oportunidade de ingressar em instituições de educação superior, conquistar seus títulos e buscar o sucesso, com uma carreira diferenciada e de excelência, fugindo das estatísticas noticiadas de aumentos salariais em razão da apresentação de seus diplomas.
Alguns setores, dentre eles os professores de escola pública, fazem críticas a essa proposta, dizendo que o governador Jorginho está privatizando a Educação. Discordo. O Governo está implementando um programa salvador da educação pública catarinense, sobretudo aos jovens mais economicamente carentes. Ora, seria ótimo se a gestão pública da educação fosse privatizada. Certamente teríamos qualidade, eficiência e eficácia. No ensino superior, nos últimos anos, as coisas vão de mal a pior.
Em 2022, constatou-se que 80% dos empregos formais eram conquistados por pessoas sem exigência de ensino superior. Também encontramos que a taxa de ocupação de empregos por jovens de 17 a 23 anos, não ultrapassou a 19%. Algumas profissões, à medida em que as pessoas vão galgando níveis nas universidades, vão sendo demitidas ao invés de galgarem postos de carreira mais rentáveis.
Busca por um diploma superior
Esses breves dados, mesmo que de 2022, não invalidam a busca por um diploma superior, mas revelam uma preocupação com a qualidade da formação. Por outro lado, o sistema de avaliação do Ministério da Educação, para reconhecer cursos e credenciar instituições, parecem privilegiar o discurso da qualidade, mas a sua prática promove cursos e instituições medíocres.
O sistema privilegia quantidade, números que visam promoção de um sistema que lucra com a perversidade, a enganação e com a ignorância do povo. Não é bom para uns e outros ter uma população culta, com bons salários, com visão empreendedora.
A prática do sistema educacional, na calada escura e silenciosa da metodologia construtivista, vai fortalecendo uma sociedade que teme a liberdade e adora a dependência do Estado. Afinal, o assistencialismo atingiu também a escola. Por que não se aceita ou não se incluem indicadores de empregabilidade para avaliar a qualidade dos cursos e das instituições? O que está por trás de tamanha rejeição a essa ideia? Por que a rejeição aos planos de carreira com remuneração por mérito? Por que os indicadores de avaliação das instituições não estão relacionados aos impactos dos empregos e do desenvolvimento?
De 1992 a 2024 o número de diplomados em ensino superior saltou de 3,5% da população adulta para 24%. É um salto magnífico. Mas isso não se refletiu no desenvolvimento econômico do País, lamentavelmente. Ora, se observarmos o desenvolvimento dos países, sobretudo da Coreia, do Canadá, da Finlândia, da China e outros, ele ocorreu, nos últimos 40 anos, pelos investimentos em ensino, alta formação e produção de conhecimento.
Apostaram na constatação que são as pessoas empreendedoras e bem formadas que geram riqueza. A título de exemplificação, em 1995 o PIB da China era em torno de 7 bilhões de dólares e o do Brasil em torno de 9 bilhões de dólares. Hoje, 30 anos depois o PIB da China é de mais de 17 trilhões de dólares e o do Brasil está em 2,1 trilhões de dólares.
Quando pensávamos que iriamos decolar, com rumos mais sérios, estamos sendo esmagados pela ideologia vetusta e ignorante. Os discursos caminham sempre na direção contrária e a massa aplaude com apoio daquilo que Nietzche chamava de “meios de formação da consciência”. Um Brasil fantástico de riquezas naturais, de grandeza ímpar, caminhando na bolha de uma esperança de que alguma loteria venha trazer prosperidade.
Joaçaba, setembro de 2025
Aristides Cimadon
Professor e Advogado




















