11/07/2026
Prof. Dr. Adelcio Machado dos Santos, fala neste artigo sobre o Fomento à Pesquisa como uma técnica de desenvolvimento econômico
Prof. Dr. Adelcio Machado dos Santos, fala neste artigo sobre o Fomento à Pesquisa como uma técnica de desenvolvimento econômico

Fomento à pesquisa –Técnica de desenvolvimento econômico

Bom Dia SC – Inicialmente, a promoção da pesquisa científica e tecnológica constitui, indubitavelmente, uma das principais estratégias de desenvolvimento econômico sustentável e duradouro em países que buscam elevar sua competitividade, reduzir desigualdades sociais e diversificar suas matrizes produtivas. O fomento à pesquisa vai além do incentivo à produção de conhecimento; trata-se de um investimento estratégico na capacidade de inovação, no fortalecimento da indústria nacional e na formação de capital humano qualificado. Ao longo das últimas décadas, o papel da ciência, tecnologia e inovação (CT&I) tem sido constantemente reafirmado como alicerce para o progresso econômico, especialmente em contextos marcados por rápidas transformações tecnológicas e sociais.

No entanto, do ponto de vista histórico, as nações que mais se destacaram no cenário econômico global foram aquelas que souberam articular políticas robustas de fomento à pesquisa com estratégias de desenvolvimento industrial e educacional. A experiência de países como Estados Unidos, Alemanha, Coreia do Sul e China demonstra que o fortalecimento dos sistemas nacionais de ciência e tecnologia está diretamente associado ao aumento da produtividade, à sofisticação da base industrial e à criação de novos setores econômicos. Esses países compreenderam que a pesquisa não pode ser tratada como um custo, mas como um investimento de alto retorno, com impactos significativos na geração de riqueza, empregos qualificados e avanços sociais.

De sua parte, no Brasil, tem enfrentado desafios estruturais, apesar da existência de instituições consolidadas como o CNPq, a CAPES e as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) nos estados. Embora o país conte com uma comunidade científica reconhecida internacionalmente e produza ciência de qualidade, o investimento público e privado em pesquisa e desenvolvimento (P&D) ainda é proporcionalmente baixo quando comparado a economias mais desenvolvidas. Isso tem limitado o potencial de inovação do setor produtivo, contribuído para a dependência tecnológica e restringido a inserção competitiva do país nas cadeias globais de valor.

O fomento à pesquisa uma política de Estado

Destarte, o fomento à pesquisa deve ser compreendido como uma política de Estado e não apenas de governo. A continuidade e o fortalecimento de programas de apoio à pesquisa básica e aplicada são fundamentais para criar um ambiente estável e previsível, que favoreça o planejamento de longo prazo por parte das universidades, institutos de pesquisa e empresas inovadoras.

Ademais disso, é necessário promover a articulação entre os setores acadêmico, empresarial e governamental – a chamada tríplice hélice da inovação – como meio de transformar o conhecimento gerado em soluções concretas para os desafios da sociedade e da economia.

Fomento à pesquisa
Prof. Dr. Adelcio Machado dos Santos, fala neste artigo sobre o Fomento à Pesquisa como uma técnica de desenvolvimento econômico

As universidades, por sua vez, desempenham papel central nesse processo, não apenas pela formação de recursos humanos qualificados, mas também como núcleos de pesquisa e inovação. Entretanto, para que possam cumprir esse papel de forma plena, é preciso garantir financiamento adequado, autonomia acadêmica e condições estruturais que permitam a continuidade e a ampliação de seus projetos científicos. Além disso, é essencial promover a valorização da carreira de pesquisador, com planos de carreira consistentes, bolsas de pesquisa atrativas e incentivos à produção científica de excelência.

A inserção da pesquisa no ambiente produtivo também é um vetor importante do desenvolvimento econômico. Programas como as incubadoras de empresas, parques tecnológicos e os editais de subvenção econômica são exemplos de instrumentos eficazes para aproximar o conhecimento acadêmico das necessidades do mercado. O estímulo às startups e aos empreendimentos de base tecnológica, bem como o fortalecimento das micro e pequenas empresas inovadoras, são caminhos promissores para dinamizar a economia, gerar empregos de qualidade e elevar o grau de sofisticação tecnológica da produção nacional.

Outro ponto essencial está na regionalização do fomento à pesquisa, de modo a promover o desenvolvimento de todas as regiões do país. A descentralização dos investimentos em CT&I contribui para reduzir desigualdades regionais e estimular vocações produtivas locais, respeitando as especificidades econômicas, sociais e culturais de cada território. Dessa forma, o fomento à pesquisa torna-se um instrumento não apenas de crescimento econômico, mas também de coesão social e fortalecimento da soberania nacional.

A transição para uma economia baseada no conhecimento requer, portanto, uma visão estratégica e integrada das políticas públicas. O fomento à pesquisa deve estar alinhado com metas de desenvolvimento sustentável, com a transformação digital da economia e com os desafios das mudanças climáticas e da transição energética. É fundamental que os investimentos em ciência e tecnologia estejam conectados com as demandas reais da sociedade, ao mesmo tempo em que preservem a liberdade de investigação e a busca pelo conhecimento em sua forma mais pura.

À guisa de conclusão, o fomento à pesquisa representa não apenas uma técnica de desenvolvimento econômico, mas um compromisso com o futuro. Investir em ciência é investir na capacidade de uma nação se reinventar, superar desafios estruturais e construir um projeto de país mais justo, inovador e competitivo.

Em final, por meio da valorização da pesquisa e da inovação que se torna possível transformar conhecimento em progresso, e progresso em bem-estar para toda a sociedade.

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