Bom Dia SC – Preliminarmente, celebrar o Dia da Juventude é reconhecer a importância de uma etapa da vida marcada por descobertas, inquietações e possibilidades. É também refletir sobre as condições que oferecemos às novas gerações para que possam desenvolver suas capacidades e participar da construção da sociedade. Mais do que homenagens e mensagens de esperança, essa data exige atenção às experiências concretas dos jovens, aos obstáculos que enfrentam e aos espaços que encontram para expressar suas ideias.
Destarte, juventude costuma ser associada ao futuro. Essa associação, embora compreensível, pode reduzir a percepção de seu papel no presente. Os jovens já participam da vida econômica, cultural, política e comunitária. Estudam, trabalham, produzem conhecimento, criam manifestações artísticas e mobilizam pessoas em torno de causas coletivas. Suas escolhas influenciam o cotidiano das famílias, das instituições e dos territórios. Reconhecer essa presença significa tratá-los como sujeitos capazes de contribuir e decidir, respeitando suas experiências e seus direitos.
Viver a juventude
Contudo, inexiste maneira única de viver a juventude. As oportunidades e os desafios variam conforme as condições econômicas, o lugar de moradia, as relações familiares e o acesso aos serviços públicos. Enquanto alguns jovens podem dedicar tempo aos estudos e à descoberta de suas vocações, outros precisam assumir responsabilidades financeiras e domésticas muito cedo. Há quem encontre apoio para realizar seus projetos e quem enfrente sucessivas barreiras para concluir a educação básica ou ingressar no mundo do trabalho.
Por conseguinte, qualquer reflexão sobre a juventude precisa considerar as desigualdades. O esforço individual tem valor, mas seus resultados dependem também das condições disponíveis. Um jovem que concilia jornadas de trabalho com aulas noturnas enfrenta exigências diferentes das vividas por quem dispõe de tempo, transporte e ambiente adequado para estudar. Uma sociedade comprometida com suas novas gerações deve reconhecer essas diferenças e agir para que a origem social não determine os limites de cada trajetória.
De outro vértice, a educação ocupa lugar central nesse compromisso. Sua função envolve a formação profissional, mas também o desenvolvimento da autonomia, do pensamento crítico e da capacidade de conviver com pessoas diferentes. A escola precisa oferecer conhecimento e, ao mesmo tempo, ajudar o estudante a interpretar a realidade, formular perguntas e compreender as consequências de suas escolhas. Para isso, são necessários professores valorizados, ambientes acolhedores e práticas pedagógicas que estabeleçam vínculos entre os conteúdos e a vida.
Todavia, a entrada no mundo do trabalho representa outro momento decisivo. É nessa experiência que muitos jovens buscam independência, reconhecimento e condições para organizar seus planos. Entretanto, as dificuldades para conseguir a primeira oportunidade podem gerar insegurança e frustração. A exigência de experiência anterior, quando não acompanhada de caminhos de formação e aprendizagem, acaba fechando portas justamente para quem precisa começar. Aproximar educação e trabalho exige responsabilidade das instituições públicas e privadas, com oportunidades que permitam aprender e progredir.
Outrossim, faz-se mister olhar para a dimensão emocional da vida juvenil. A pressão por resultados, as dúvidas sobre o futuro e o receio de não corresponder às expectativas podem tornar essa fase especialmente difícil. Nas redes sociais, a exposição constante a imagens de sucesso e felicidade favorece comparações que desconsideram a complexidade da vida real. Nesse contexto, famílias, escolas e comunidades precisam cultivar relações de confiança, nas quais pedir ajuda seja possível e o sofrimento encontre escuta, cuidado e encaminhamento adequado.
Por sua vez, o ambiente digital parte das relações, dos estudos e das formas de participação dos jovens. Ele oferece acesso à informação, à criação e ao encontro com diferentes perspectivas. Seu uso também exige discernimento diante da desinformação, da violência e da exposição excessiva. A formação para a cidadania deve incluir a capacidade de avaliar conteúdos, respeitar outras pessoas e compreender os efeitos do que se publica e compartilha. Esse aprendizado depende de diálogo e orientação, além de regras construídas com clareza.
A participação juvenil precisa alcançar os espaços em que as decisões são tomadas. Ouvir os jovens apenas em ocasiões comemorativas limita a contribuição que podem oferecer. Grêmios estudantis, projetos comunitários, organizações culturais e instâncias de debate público são caminhos para transformar preocupações em propostas. Quando suas opiniões são consideradas com seriedade, amplia-se o sentimento de pertencimento e fortalece-se o compromisso com os resultados das ações coletivas.
As relações entre gerações têm muito a ganhar com essa convivência. A experiência dos mais velhos pode oferecer referências importantes, enquanto as perguntas dos mais novos ajudam a perceber problemas e possibilidades antes ignorados. Para que essa troca aconteça, é preciso superar tanto a ideia de que a juventude nada sabe quanto a expectativa de que ela resolverá, sozinha, dificuldades acumuladas ao longo do tempo. A responsabilidade pela sociedade é compartilhada e se realiza por meio da cooperação.
Em epítome, o Dia da Juventude convida a um compromisso que deve continuar depois da celebração. Esse compromisso aparece na escola que acolhe, na oportunidade de trabalho que ensina, no serviço público acessível e no espaço de participação que produz consequências reais. Valorizar a juventude é oferecer condições para que cada jovem possa construir sua trajetória com dignidade, fazer escolhas e contribuir com a comunidade.
Por final, a esperança ganha consistência quando encontra apoio no presente e possibilidades concretas de realização.

Jornalista (MT/SC 4155)





















