24/09/2026
Eleições 2026: é necessário debater o agro
José Zeferino Pedrozo, Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC).

Eleições 2026: é necessário debater o agro

É necessário promover produtos e defender tecnicamente o agro brasileiro

Bom Dia SC – As campanhas político-partidárias deste ano eleitoral de 2026 precisam aprofundar o debate sobre uma pauta complexa, essencial, atual e urgente: o agronegócio. A agricultura brasileira deve ocupar posição central nos programas econômicos apresentados à sociedade neste ano eleitoral. Não se trata de reivindicação corporativa, mas de reconhecer um setor estratégico para a segurança alimentar, a estabilidade econômica, a geração de divisas e a inserção internacional do País.

Em 2025, as exportações do agronegócio alcançaram US$ 169,2 bilhões e produziram superávit comercial de US$ 149,07 bilhões. Em Santa Catarina, o setor respondeu por mais de 65% das vendas externas estaduais. São números que revelam uma potência produtiva construída com ciência, tecnologia e eficiência e, também, expõem uma contradição: exige-se cada vez mais do produtor sem que, na mesma proporção, se consolide uma política agrícola capaz de assegurar previsibilidade, renda e proteção diante dos riscos da atividade.

A agricultura é uma indústria a céu aberto. Estiagens, excesso de chuvas, pragas, doenças, epizootias, oscilações internacionais, conflitos e elevação dos custos dos insumos podem alterar o resultado de uma safra. Por isso, crédito rural é indispensável, mas não basta. Uma política agrícola consistente precisa combinar financiamento adequado, gestão de risco, seguro, apoio à comercialização e instrumentos capazes de preservar a renda do produtor.

O Plano Safra 2026/2027 prevê R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial. O volume demonstra a dimensão da atividade, porém o debate não pode se limitar ao montante anunciado. Importam o custo efetivo do dinheiro, a oferta de recursos equalizados, a tempestividade da liberação e a capacidade de o financiamento produzir retorno econômico. Crédito caro, somado ao endividamento acumulado, pode deixar de ser alavanca e reduzir a competitividade.

Também é indispensável reduzir custos que nascem fora da porteira. Rodovias deterioradas, insuficiência de ferrovias, hidrovias, armazéns e estruturas portuárias encarecem o frete e retiram parte da vantagem conquistada nas propriedades. Restaurar e ampliar a infraestrutura logística deve integrar qualquer programa nacional comprometido com a competitividade.

Outro eixo é a autonomia em insumos. O Brasil ainda importa mais de 80% dos fertilizantes que utiliza, vulnerabilidade que crises internacionais tornaram evidente. Ampliar a produção doméstica, estimular projetos industriais, pesquisa, inovação e fontes alternativas é medida de segurança econômica e alimentar.

O futuro da agricultura também depende de tecnologia acessível. Pesquisa agropecuária, irrigação, agricultura de precisão, assistência técnica e conectividade rural precisam alcançar propriedades de todos os portes. Preservar a sanidade animal e vegetal, decisiva para o acesso aos mercados, deve permanecer prioridade.

Eleições 2026: é necessário debater o agro
José Zeferino Pedrozo, Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC).

Defender o agro brasileiro

No plano internacional, produzir competitivamente é apenas uma etapa. É necessário abrir mercados, negociar acordos, remover barreiras, promover produtos e defender tecnicamente o agro brasileiro. A diplomacia econômica deve trabalhar em sintonia com quem produz e exporta.

As exigências ambientais e sanitárias, necessárias à produção responsável, devem ser acompanhadas por mecanismos que permitam sua implementação sem comprometer a sustentabilidade econômica das propriedades. Não há sustentabilidade ambiental duradoura onde inexiste viabilidade econômica.

O Brasil tem capacidade para ampliar sua produção, abastecer sua população e fortalecer sua presença no mercado mundial de alimentos. Para isso, a agricultura não pode depender apenas de medidas conjunturais ou respostas emergenciais. Precisa de planejamento de longo prazo, segurança jurídica e políticas públicas permanentes.

Neste ano eleitoral, cabe às candidaturas apresentar com clareza como pretendem tratar crédito, renda, seguro rural, infraestrutura, fertilizantes, tecnologia, sanidade, conectividade e comércio exterior. A segurança alimentar é uma construção coletiva. O produtor brasileiro já demonstrou sua capacidade. O desafio do Estado é criar condições para que continue produzindo com eficiência, renda e segurança.

Fonte: Sistema Faesc/Senar

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