Perda rápida de peso por causa do uso das canetas emagrecedoras, podem reduzir compartimentos de gordura que ajudam a sustentar a face, acentuar rugas e alterar contornos; especialistas alertam para o risco de tentar corrigir essas mudanças com excesso de procedimentos
Bom Dia SC – A popularização das chamadas canetas emagrecedoras está criando uma nova demanda nos consultórios de Medicina Estética. Depois de perdas importantes de peso, pacientes têm procurado atendimento por perceberem mudanças como redução do volume das bochechas, flacidez, maior evidência de rugas e alteração dos contornos da face.
O fenômeno ganhou nas redes sociais o apelido de “Ozempic face”, embora não seja considerado um efeito exclusivo do medicamento. Estudos já demonstram que perdas significativas de peso, independentemente do método utilizado, podem provocar redução do volume facial e maior frouxidão dos tecidos.
Para o médico Eduardo Santos Lima, presidente da Associação Brasileira de Medicina Estética (ABME), a mudança já é perceptível na rotina dos consultórios.
“A procura aumentou muito, principalmente por tratamentos para flacidez e rugas. O emagrecimento gera perda significativa de gordura também na face, e essa gordura tem uma função importante na sustentação dos tecidos”, explica.
Efeito das canetas emagrecedoras no rosto
Segundo ele, a diminuição dos chamados compartimentos ou coxins de gordura facial pode produzir uma aparência de esvaziamento e queda dos tecidos. Essa perda de sustentação pode levar à necessidade de avaliar procedimentos de reposição de volume, estímulo ou sustentação, sempre de forma individualizada.

O médico ressalta, porém, que perder volume não significa que o paciente precise automaticamente de preenchimento.
“Não faz sentido substituir um rosto que perdeu volume rapidamente por um rosto excessivamente preenchido. É preciso identificar o que realmente mudou: volume, qualidade da pele, sustentação ou uma combinação desses fatores. A Medicina Estética precisa respeitar anatomia, fisiologia e naturalidade”, afirma.
A preocupação acompanha uma discussão mais ampla dentro da especialidade. Dr. Eduardo relaciona parte dos excessos observados nos últimos anos à banalização dos procedimentos e defende que as indicações considerem o processo de envelhecimento e as características individuais de cada paciente, evitando resultados padronizados.
Volume e flacidez não são a mesma coisa
A médica Carolina Passamani, que atua em rejuvenescimento facial e trabalha também a relação entre volume e flacidez, explica que pacientes submetidos a grandes perdas de peso precisam ser avaliados de maneira global.
“Um rosto que emagreceu não deve ser analisado apenas pela quantidade de volume que perdeu. É preciso entender onde houve perda de suporte, como está a qualidade da pele e quanto daquela mudança corresponde a volume ou flacidez. São alterações diferentes e que não necessariamente exigem a mesma abordagem”, afirma.
Idade, genética, quantidade de peso perdida, velocidade do emagrecimento e qualidade prévia da pele ajudam a explicar por que pacientes com reduções semelhantes de peso podem apresentar resultados faciais muito diferentes.
“O objetivo não é devolver artificialmente todo o volume perdido. O desafio é recuperar equilíbrio e sustentação preservando a identidade do rosto. Em alguns pacientes, trabalhar qualidade e firmeza da pele pode ser tão importante quanto acrescentar volume”, acrescenta a especialista.
Para Dr. Eduardo, esse cenário reforça a importância de evitar respostas automáticas às novas demandas estéticas.
“O papel do médico não é transformar imediatamente a insatisfação do paciente em procedimento. Primeiro é preciso explicar o que aconteceu, avaliar o que realmente precisa ser tratado e, inclusive, reconhecer quando não há indicação de intervenção”, afirma.
O tema estará entre as discussões da VIII Convenção Sul Brasileira de Medicina Estética, que será realizada nos dias 25 e 26 de setembro, em Curitiba. Carolina Passamani apresentará uma palestra voltada à restauração de volume e ao tratamento da flacidez em pacientes com rápida perda de peso. Além da palestra de Dra. Carolina, o encontro reunirá médicos para discutir tendências, novas tecnologias, segurança e atualização científica na área.
Eduardo Santos Lima, que preside nacionalmente a ABME, é médico formado pela Faculdade Evangélica do Paraná, atua há 20 anos na área, coordena cursos de pós-graduação médica e integra o Comitê Científico dos Congressos da Associação Internacional de Medicina Estética (ASIME).
Fonte: Comitê Científico dos Congressos da Associação Internacional de Medicina Estética (ASIME)





















