28/07/2026
Ao (À) Agricultor (A), no seu dia
Neste Dia do Agricultor, nossa homenagem deve se transformar em respeito e gratidão/Foto: Maely Silva - Bom Dia SC

Ao (À) Agricultor (A), no seu dia

Bom Dia SC – Em preliminar, no dia 28 de julho, celebramos o Dia do Agricultor, uma data dedicada a reconhecer aqueles que, com trabalho, conhecimento e dedicação, cultivam a terra e ajudam a garantir o alimento que chega diariamente à mesa da população. Mais do que uma homenagem, este é um momento de reflexão sobre a importância da agricultura para o desenvolvimento econômico, social e ambiental do nosso país.

De outro vértice, a agricultura está presente em praticamente todos os aspectos da nossa vida. Ela está nos alimentos que consumimos, nas matérias-primas utilizadas pela indústria, na geração de empregos e renda e no desenvolvimento das comunidades. Por trás de cada produto que chega às feiras, mercados e residências existe uma extensa jornada, marcada pelo preparo do solo, pelo plantio, pelo manejo, pela colheita e pela comercialização.

No entanto, essa jornada exige esforço, planejamento e coragem. O agricultor inicia seu trabalho antes mesmo de o dia clarear e convive com fatores que nem sempre estão sob seu controle. As variações do clima, o excesso ou a falta de chuva, as oscilações dos preços, o custo dos insumos, as dificuldades de transporte e o acesso ao crédito são alguns dos desafios enfrentados diariamente no campo. Ainda assim, o agricultor permanece firme, renovando a cada plantio a esperança de uma boa colheita.

Em Santa Catarina, a agricultura possui uma característica muito especial: a força da agricultura familiar. São milhares de famílias que vivem e trabalham em pequenas e médias propriedades, mantendo uma relação de proximidade com a terra e transmitindo seus conhecimentos de geração em geração. Pais, filhos e netos compartilham experiências, responsabilidades e o compromisso de preservar uma atividade que faz parte da história e da identidade das nossas comunidades.

Todavia, o trabalho dessas famílias vai muito além da produção de alimentos. A agricultura familiar movimenta o comércio local, fortalece cooperativas, abastece feiras e mercados e contribui para a permanência das pessoas no campo. Também desempenha papel fundamental no fornecimento de alimentos frescos e diversificados, essenciais para uma alimentação saudável e para a segurança alimentar da população.

Em municípios urbanos, como São José, muitas vezes a presença da agricultura não é percebida com a mesma facilidade que em regiões predominantemente rurais. No entanto, ela continua exercendo influência direta sobre a vida da cidade. O alimento consumido pela população depende do trabalho realizado no campo, assim como diversos estabelecimentos comerciais e serviços dependem da produção agrícola para desenvolver suas atividades. Campo e cidade não são realidades separadas. Pelo contrário, são espaços que se complementam e precisam caminhar juntos.

Valorização do Agricultor

Valorizar o agricultor significa reconhecer essa relação e compreender que o desenvolvimento das cidades também passa pelo fortalecimento do meio rural. Para isso, é necessário ampliar o acesso à assistência técnica, incentivar a modernização das propriedades, melhorar as condições de infraestrutura e facilitar a comercialização da produção. Também é fundamental garantir políticas públicas que ofereçam segurança e condições para que os agricultores possam produzir com dignidade.

Todavia, a agricultura tem se transformado ao longo dos anos. Novas tecnologias, equipamentos e métodos de produção vêm contribuindo para melhorar a produtividade, reduzir desperdícios e tornar o trabalho mais eficiente. Ferramentas de monitoramento, sistemas de irrigação, máquinas modernas e técnicas de manejo sustentável já fazem parte da realidade de muitas propriedades.

Contudo, a inovação deve estar ao alcance de todos, especialmente dos pequenos produtores. A tecnologia precisa ser utilizada como instrumento de inclusão e desenvolvimento, ajudando a diminuir o esforço físico, melhorar a qualidade da produção e ampliar as oportunidades de comercialização. Ao mesmo tempo, o conhecimento tradicional dos agricultores deve ser respeitado, pois ele foi construído ao longo de décadas de observação, experiência e convivência com a natureza.

Outro aspecto que merece destaque jaz no cuidado ambiental. O agricultor depende diretamente da qualidade do solo, da disponibilidade de água e do equilíbrio dos ecossistemas. Por isso, muitos produtores vêm adotando práticas de conservação, como o uso adequado dos recursos naturais, a proteção de nascentes, a recuperação de áreas degradadas, a rotação de culturas e o manejo responsável do solo.

Produzir e preservar não são objetivos incompatíveis. Quando há orientação técnica, investimento e planejamento, é possível unir produtividade, sustentabilidade e respeito ao meio ambiente. Essa responsabilidade, porém, não deve ser atribuída apenas ao agricultor. Toda a sociedade, juntamente com o poder público e as instituições, precisa contribuir para a construção de um modelo de desenvolvimento equilibrado.

Outrossim, faz-se mister olhar com atenção para o futuro da agricultura. Muitos jovens que cresceram no campo acabam deixando as propriedades em busca de outras oportunidades. A sucessão familiar tornou-se um dos grandes desafios do setor. Para que as novas gerações permaneçam na atividade, é preciso que encontrem perspectivas de renda, qualidade de vida, acesso à educação, tecnologia, conectividade e reconhecimento profissional.

Por conseguinte, o campo deve ser visto como um espaço de oportunidades, inovação e realização pessoal. Incentivar os jovens agricultores é assegurar a continuidade da produção e preservar conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural das comunidades. É também permitir que novas ideias se somem à experiência das gerações anteriores, fortalecendo ainda mais a agricultura.

Da mesma forma, merece reconhecimento a participação das mulheres no meio rural. Elas sempre estiveram presentes no plantio, na colheita, na administração das propriedades e na organização das famílias. Atualmente, assumem cada vez mais posições de liderança em associações, cooperativas e empreendimentos rurais. Valorizar a agricultora é reconhecer sua contribuição econômica e social e garantir igualdade de oportunidades.

Neste Dia do Agricultor, nossa homenagem deve se transformar em respeito e gratidão. Cada alimento colocado sobre a mesa representa horas de trabalho, cuidado e dedicação. Reconhecer essa realidade também significa evitar o desperdício, apoiar a produção local e valorizar os produtos cultivados em nossa região.

Por conseguinte, aos agricultores e agricultoras, deixamos o nosso agradecimento por sua contribuição diária. Vocês enfrentam as incertezas do tempo, cuidam da terra e mantêm viva uma atividade essencial para toda a sociedade. São protagonistas do desenvolvimento, responsáveis por alimentar famílias e preservar tradições que atravessam gerações.

Em epítome, esta efeméride renova o compromisso de todos com a valorização do campo e daqueles (as) que nele trabalham.

Por final, parabéns a todos os agricultores e agricultoras pelo seu dia!

Adelcio Machado dos Santos
Prof. Dr. Adelcio Machado dos Santos
Jornalista (MT/SC 4155)

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