11/07/2026
Aristides Cimadon, Professor e Advogado
Aristides Cimadon, Professor e Advogado

2026 – Um ano que começa com desafios e esperanças

Bom Dia SC – Lamentavelmente, a grande maioria da população brasileira vive à margem dos problemas que afetam a sociedade. A falta de conhecimento e de informação fidedigna dos fatos, que interferem na vida das pessoas, faz com que grande parte dos cidadãos brasileiros, cujo quociente intelectual está abaixo da média mundial, vive cismando apenas com a sobrevivência diária, sem planos, sem projetos, sem poupança e vivendo à sombra da esmola dos subsídios sociais do governo.

Não há educação que salve uma nação, cujos programas assistenciais são cada vez mais intensos e acelerados. Se fossem programas emergenciais poderiam ser considerados necessários, porque teriam duração determinada. Mas não, há pessoas que recebem auxílio há mais de 15 anos. É triste perceber que são programas programados e pensados para manter a ignorância e a miséria, com finalidades eleitoreiras. Os programas assistenciais como bolsa família, sistema de cotas, vale gás e outros, mantêm grande parte da população, hoje em torno de 90 milhões de brasileiros, inertes, indolentes, sem motivação para o trabalho ou projetos de vida que melhorem as condições de sobrevivência e bem-estar.

Por outro lado, as escolas públicas ocupam grande parte do período diário com atividades erráticas voltadas para alimentação, controle de celulares, discursos para manter a disciplina e outras atividades menos importantes, enquanto as disciplinas fundamentais passam ao largo da boa exigência. Em nome da inclusão há salas lotadas de alunos com diversos graus de deficiência, que deveriam estar em escolas especializadas, com professores especializados, mas estão lá, atrapalhados e cuidados por um tal “segundo professor”, uma espécie de cuidador ou babá. Em nome da inclusão, veladamente, exclui-se aqueles que mais precisam e prejudica-se aqueles que poderiam progredir e deslanchar. Porém, essa é uma discussão para outro momento.

Nessa pequena digressão, parece valer a pena pensar um pouco sobre as mazelas e sonhos que 2026 pode nos proporcionar. Então, parece significativo lembrar o que ensinou Machiavel (1469-1527), em “O Príncipe”, em síntese: “Quem controla a necessidade, controla o povo. Não é a força da espada que controla as massas e fortalece um governo corrupto, mas a dependência. Um povo ignorante e ocupado em sobreviver não tem tempo para vigiar e controlar o poder. Aos poucos a liberdade passa a ser perigo e medo, enquanto a obediência e o silêncio tornam-se segurança. Então, o maior truque do poder é fazer o povo agradecer a própria coleira”. Até parece que esse pensamento escrito há 500 anos, cabe perfeitamente em nossos dias e, cada vez mais para o contexto brasileiro.

Há uma máxima que vem da educação romana: “é o enfrentamento de problemas, a experiência com a disciplina e o sacrifício que formam homens fortes”. Jean Piaget, um dos principais estudiosos da formação da inteligência humana no século 20, concluiu: “O ser humano se desenvolve na medida em que enfrenta resistência, sobretudo nas primeiras fases da tenra idade”. Desafortunadamente, a educação brasileira orientada por uma psicopedagogia de quinta categoria, está formando uma “República de bananas”.

Aos mais lúcidos, conhecedores da organização estrutural da República brasileira, o ano inicia repleto de perplexidades. Escancaram-se as burlas das leis, os desvios de dinheiro, a prepotência jurídica, escândalos financeiros e o abuso de autoridade. O devaneio dos mandatários com riso de escárnio e, o que é mais desastroso, o fortalecimento de uma estrutura arrecadatória para manter o sistema e a máquina demolidora de gastos em favor da “gorducha” estrutura governamental dos três “poderes”.

Não cabe, em sã consciência, uma organização governamental em que 11 Ministros do Supremo Tribunal Federal, custa, por ano, mais de 1 bilhão de reais. Não é possível entender que a manutenção, só de carros oficiais, no Brasil, custa mais de 85 bilhões de reais. Quantos hospitais e escolas poderiam ser construídas e melhoradas com esse montante?

Aristides Cimadon, Professor e Advogado
Aristides Cimadon, Professor e Advogado

Imaginemos a quantidade de outras despesas que poderiam ser equacionadas para melhorar a educação e os hospitais! Por que que ministros, secretários, prefeitos, vereadores, desembargadores, juízes e tantos outros não usam, para o trabalho, seus carros próprios, como fazem os professores, empresários e a grande massa de trabalhadores? Há mais de 30 anos não vemos a realização de uma grande obra de infraestrutura no Brasil. Enquanto isso, as estruturas se precarizam, o ensino deteriora, a mobilidade se complica, a saúde se torna escassa. E nós assistimos, apenas assistimos, com algumas lamúrias nas conversas de bar e em encontros com os amigos e no trabalho. Apenas resmungamos, isto é, aqueles que têm de lutar para conseguir viver, porque inúmeros funcionários públicos, com recursos garantidos, aplaudem.

Então o problema não é a política, é o povo, massa de manobra.  Parte dos intelectuais, sobretudo nas universidades públicas, os sindicatos, as instituições públicas, a imprensa e até a igreja, são instrumentos de formação da consciência do povo que não entende o jogo do poder, transformando-o em peça no tabuleiro.

Desde os romanos se sabe que o homem sem conhecimento é um ser humano sem domínio próprio e, se torna escravo daqueles que acenam com “pão e circo”. É difícil compreender que os poderosos não se preocupam em controlar músculos, eles controlam as emoções, afetam a raiva, o desejo, os medos das massas e induzem o sujeito a pensar que decidiu por sua iniciativa. É assim: quem domina a narrativa domina o povo. Por isso, o povo não reage e nunca lidera nada, porque segue a narrativa como instrumento de verdade e, então obedece, apenas obedece e aplaude seu sofrimento pensando que vive feliz. Só começará a reagir quando o sentimento de perda e a ameaça da vida bater à porta.

Entretanto, a pessoa esclarecida e bem formada controla a si mesmo e se torna incontrolável pelas massas, pela mídia e pelas narrativas. Ela pensa, observa, não cai em manipulação barata. Ouve as notícias, mas as interpreta nas entre linhas e desnuda a mensagem subjacente. Por isso, ela não vira massa de manobra, mas se torna ameaça porque governa a sua própria mente. Pergunta-se: com a qualidade de educação que temos, sobretudo a pública, quantos jovens poderão governar, efetivamente, a sua mente?

Quantos professores, hoje, são profissionais suficientemente preparados e conhecedores das teias que ligam as redes de narrativas. São mentes lúcidas, desapaixonados de ideologias ou são seguidores de ídolos e narrativas? Não. A grande dos professores são repetidores de teorias e ideias de autores que nem estudaram em profundidade. Quem conhece e consegue compreender as redes do poder não se ajoelha para ninguém, constrói a sua história e contribui para construir uma estrutura social menos perversa, com instituições sérias e gente comprometida para tornar o passageiro instante da vida, mais humano e feliz.

2026 um ano diferente

Que 2026 seja um ano diferente, de grandes decisões, já que, em 2026, o mês de fevereiro terá 4 domingos, 4 segundas feiras, 4 terças feiras, 4 quartas feiras, 4 quintas feiras, 4 sextas feiras e 4 sábados. E isso se repete somente a cada 823 anos. Com essa curiosidade, que o conhecimento nos anime a agir de modo a ser uma pessoa diferente na manada.

Joaçaba, 15 de janeiro de 2026

Aristides Cimadon
Professor e Advogado

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