Por: Redação | 11/04/2018

Houve um tempo em que muitos jovens deixavam os negócios da família no interior em busca de uma vida melhor na cidade. Há quem ainda faça isso, mas os números no setor cooperativista mostram que este pensamento está mudando. E, com isso, o campo rejuvenesce! Sim, rejuvenesce porque os filhos buscam qualificação, mas permanecem ou voltam para a propriedade; porque os pais estão abertos às inovações; porque as tecnologias, as boas práticas e as técnicas modernas de produtividade são realidade nas pequenas propriedades rurais; porque a gestão é empresarial, pois hoje os produtores percebem que são proprietários de um negócio.

Ricardo Luiz Furlanetto é exemplo entre os jovens que vislumbram o futuro no campo. Aos 23 anos, ele administra os negócios juntamente com os pais e é ali, na propriedade situada em Marema (oeste catarinense), que pretende constituir sua família. Hoje, a área de plantação é de 31.5 hectares, além de dois galpões que alojam em média 45 mil aves/lote. “Desde pequeno fui incentivado pelo meu pai, porém, ele também me deu opção de fazer outra coisa, caso preferisse. E teve mesmo um período que busquei algo diferente. Trabalhei por seis meses como auxiliar de almoxarifado em Xaxim, mas decidi voltar”.

Ricardo trabalha como responsável pela avicultura juntamente com a mãe Carmem e seu pai Luiz Furlanetto cuida da lavoura. A irmã Carla Regina não permaneceu na propriedade, mas mantém a essência do cooperativismo, pois trabalha em uma cooperativa de crédito, no município de Xaxim. As decisões são tomadas em conjunto e as capacitações estão entre as ferramentas para inovar. Entre os cursos, a família participou do Programa De Olho na Qualidade, Qualidade Total Rural e Times de Excelência – soluções que contemplam o Projeto “Encadeamento Produtivo: Aurora Alimentos – Sebrae/SC: suínos, aves e leite”. Atualmente, o empreendimento se prepara para receber a certificação de Propriedade Rural Sustentável.

“Os programas ajudaram na ampliação da autoconfiança e, principalmente, na lucratividade da granja. Antes de 2017, não tínhamos controle algum e o lucro era de 16%. Em 2017, o ano fechou com 40% de lucro. Estávamos trabalhando no prejuízo e não sabíamos. A lavoura estava bem defasada com margem de lucro de 14% e passou nessa safra para 61%. Temos potencial para melhorar ainda mais”, observa Ricardo.

Segundo ele, a meta é ficar entre os 10 melhores produtores de aves da Aurora Alimentos em cinco anos. “Também queremos melhorar nossa qualidade de vida tirando férias, coisa que não fazemos há anos, além atualizar e inovar a propriedade. Não podemos parar de estudar. Fazer o QT foi uma prova disso porque achava que não teria tempo. A gente vê os resultados e se anima para trabalhar. Com o pai, também aprendo a cada dia. A decisão dele pesa, pois tem experiência”, comenta.

Os pais também confirmam que os programas ajudaram a proporcionar um melhor controle da propriedade, com ferramentas para avaliar o lucro e os prejuízos. Também destacaram a importância de dar continuidade à propriedade. “Para nós, é um orgulho que nosso filho assuma os negócios. O mundo precisa de alimentos e com o uso correto das técnicas e tecnologias adequadas, além de uma gestão eficiente, é possível produzir um bom produto e ter uma vida de qualidade. Sabemos o que consumimos e, se é bom para nós, será bom para o consumidor também”, conclui Luiz.

CONHEÇA OS NÚMEROS
De acordo com pesquisa feita por meio do Projeto “Encadeamento Produtivo: Aurora Alimentos – Sebrae/SC: suínos, aves e leite” nas propriedades vinculadas ao cooperativismo, no período de 2012 a 2017 o programa atendeu um público de 10.238 produtores rurais. Nesta fase foram capacitados 1.479 (14,44%) jovens com idade entre 14 e 23 anos. Na faixa-etária dos 24 aos 33 anos, 2.386 pessoas (23,30%) participaram dos treinamentos, seguido por 2.472 produtores (24,14%) com idade entre 34 e 43 anos. Na faixa-etária dos 44 aos 53 anos o programa envolveu 2.682 pessoas (26,23%); dos 54 aos 63 anos, o público foi de 1.054 (10,29%); dos 64 aos 73 anos, foram 152 pessoas (1,48%); e dos 74 aos 83 anos 13 pessoas (0,12%).

O coordenador dos programas de qualidade da Cooperativa Central Aurora Alimentos, Joel Pinto, observa que boa parte da população no campo está na faixa-etária altamente produtiva. “Dos 16 aos 53 anos temos mais de 80% da população nas propriedades rurais. Isso quer dizer que o campo realmente tem rejuvenescido”.

Ele complementa que nos últimos anos, esse percentual nas primeiras faixas-etárias tem crescido mais. “Existe muito jovem permanecendo ou voltando para as propriedades. Há casos isolados, mas na maioria das vezes, a sucessão tem ocorrido. Se olharmos a faixa-etária acima dos 53 anos, o percentual é pequeno. Isso demonstra que teremos gente nas empresas rurais, mesmo com todas as dificuldades que vêm passando. As mudanças tecnológicas, melhorias e o trabalho de gestão que vêm sendo feito nas propriedades mostram que o campo é viável, que existe qualidade de vida e que se os números estiverem bem cuidados temos condições de segurar o jovem no campo”.

Eles estão percebendo que tem futuro e que hoje a qualidade de vida é tão boa ou melhor que na cidade. “As propriedades estão se tornando verdadeiras empresas rurais bem administradas. É uma maneira de olhar diferente para o campo e os resultados mostram que as melhorias são possíveis. Temos propriedades rurais fantásticas, exemplo nacional, que permitem às pessoas viver melhor e com qualidade de vida”, comenta Joel.

O vice-presidente da Aurora Alimentos, Neivor Canton, destaca que o objetivo não é trabalhar para fixar o homem no campo, mas sim para oferecer alternativas atrativas e criar um ambiente para que a sucessão aconteça. “Observamos com satisfação os resultados. Em duas décadas disponibilizando os programas de qualidade atingimos mais de 38 mil famílias e, por consequência, as pessoas reconhecem as conclusões antes não observadas. Ficou para traz o período preocupante do êxodo intenso para a cidade”.

Segundo Canton, o grande mérito dos programas de qualidade está relacionado à adoção de metodologias capazes de auxiliar no desenvolvimento de práticas que proporcionam qualidade de vida no campo. “A Aurora Alimentos e suas cooperativas filiadas contam com a importante parceria do SEBRAE/SC que, conhecendo o sucesso das ações, transformou neste ano o Projeto Encadeamento Produtivo em uma iniciativa nacional. Esse programa possui ainda com o apoio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (FAESC), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP), SICREDI/RS e SICOOB, além das prefeituras dos municípios por onde passa”.

Na visão de Canton, com a nacionalização, o programa ganha novo fôlego, o que possibilita vislumbrar um futuro que venha consolidar a agricultura como uma das mais evoluídas do País. “Na maioria das propriedades minifundiárias ocorre a adoção de tecnologias – ação estratégica para manter a motivação do jovem para permanecer no campo de forma satisfeita”, conclui.

ENCADEAMENTO PRODUTIVO
Considerado o maior projeto voltado ao agronegócio do País, o objetivo é desenvolver e aperfeiçoar as pequenas empresas integradas na cadeia produtiva capitaneada pela Cooperativa Central Aurora Alimentos. A iniciativa contempla os programas De Olho na Qualidade, QT Rural, Times de Excelência e Sustentabilidade Aplicada a Pequenos Negócios, além de cursos e consultorias destinados aos fornecedores da cadeia produtiva na área urbana.

O “Encadeamento Produtivo Aurora Alimentos – Sebrae/SC: suínos, aves e leite” é desenvolvido com as parcerias do Senar/SC, Sescoop/SC, Sicoob, Fundação Aury Luiz Bodanese, Cooperalfa, Itaipu, Auriverde, Coolacer, Copérdia, Caslo, Cooper A1, Coopervil, Coopercampos, Camisc, Cocari, Cotrel, Coasgo e Sicredi/RS.

Fonte: MB Comunicação