É importante frisar que, para o pet, o tutor é quem lhe dá segurança/Foto: Freepik
É importante frisar que, para o pet, o tutor é quem lhe dá segurança/Foto: Freepik

Como ajudar seu pet com o estresse causado pelos fogos de artifício

Ao ouvir o som de fogos de artifício, o seu pet costuma correr? Ele se esconde? Demonstra medo ou quer ficar mais perto de você? Estes são apenas alguns sinais de que o seu animalzinho sofre estresse com os barulhos dos estampidos. Com a proximidade das celebrações de fim de ano, esses sintomas podem se tornar ainda maiores, sendo intensificados na noite de ano novo. Para minimizar esse sofrimento, o médico veterinário e professor do curso de Medicina Veterinária na Univan, Rodrigo Capitanio Goldoni, dá dicas para os tutores identificarem a situação e sugere métodos que podem ajudar os seus pets.

1- Por qual motivo alguns pets apresentam medo dos fogos de artifício?

A audição dos pets é maior do que a dos humanos. Nós captamos 20 mil hertz e os animais podem captar o dobro ou ainda mais e isso pode causar muitos problemas, principalmente ligado ao estresse do cão. Não somente os fogos, mas, às vezes, até a porta batendo, ou algo caindo no chão pode disparar um gatilho que estressa os cães. Existem também outras causas como animais de rua que passaram por traumas gerados por outros problemas ou outro artefato que possa fazer algum barulho. É importante salientar que, diferente de nós, os animais não sabem encontrar formas de amenizar um momento de estresse, eles não conseguem entender a situação. E por isso alguns ficam com medo exagerado, extremamente irritados, o que pode até desencadear situações extremas, como a morte.

2- Como minimizar o estresse causado pelos fogos?

É muito importante que seja entendido que o local que o animal vive é o seu porto seguro. Se perceber eles incomodados, geralmente escondidos em um cantinho mais escuro, longe da maioria das pessoas ou áreas da casa que estejam com grande movimento, como embaixo da cama ou dentro de um guarda-roupas, opte por deixar este espaço mais confortável para ele. Se ele gosta de entrar em um armário, por exemplo, coloque um travesseiro, uma mantinha, uma roupa que tenha o seu cheiro e algo que leve conforto e ajude ele a passar por esse estresse. E principalmente, quando ele permitir, deixe seu pet perto de você. Apesar de ele se sentir acuado com a situação, a sua presença trará mais conforto. Para deixar o ambiente pronto para o pet antes mesmo de ele apresentar algum sintoma de estresse, procure ficar atento aos dias de jogos ou datas comemorativas e já deixe o ambiente preparado para levar conforto a ele nesses momentos.

Em último caso, se é um cão que se estressa muito, há outras opções que podem ser adotadas, como um adestramento. Um método é adotar o reforço positivo, ou seja, associar essa situação a coisas positivas, por exemplo: colocar o som dos fogos em um vídeo da internet em volume baixo enquanto brinca e dá petisco para o pet. De forma gradativa, vai aumentando esse som, para fazer ele se acostumar com aquilo e nem sempre entender como algo ruim.

3- Diminuir os ruídos dos fogos fechando as janelas e portas e utilizando sons como música ou deixar a TV ligada, podem ajudar a acalmar o pet?

Com certeza, são válidas todas as formas de minimizar o som agudo do estouro dos fogos, seja de fim de ano, final de campeonato, jogos, ou algum tipo de comemoração. O ideal é sempre tentar abafar o som, fechando as janelas, colocando música ambiente ou deixando a TV com som mais alto, para o animal não estar naquele silêncio total e se assustar no momento de estouro de fogos.

4- Há relatos de animais que ficam desorientados e até fogem ao ouvir os fogos. Outros, que são mantidos em coleira, por exemplo, chegam a se machucar, pois tentam escapar de todas as formas. Como evitar que situações assim aconteçam?

É necessário entender a natureza do pet. Diante de uma situação de estresse ele tem duas opções: ele foge ou ele enfrenta esse medo que, pela sua natureza, é atacar o problema. Como estamos falando de barulho, ou seja, não é algo físico que ele possa enfrentar, então a sua opção acaba sendo fugir. No alto nível de estresse desencadeado por esse barulho o animal vai se sentir desorientado, perdido, estressado e vai tentar sair daquele local de todas as formas. Então, acontece de os animais pularem por cima do portão, cercado, muro. Animais que estão em coleira se machucam, podem bater contra portas ou janelas. Muitas vezes eles já estão fora da sua rotina normal, com inúmeras pessoas ao seu redor, em um ambiente estranho como uma casa de veraneio e a soma de todos essas fatores já elevam o nível de ansiedade e estresse. Para evitar essas situações, que muitas vezes são graves e podem até ser fatais para o pet, a sugestão é sempre ficar atento aos sinais que o animalzinho dá e logo já adotar as técnicas que minimizam o estresse do momento.

5-  O que é o método Tellington? Ele é comprovado para amenizar a situação?

Essa técnica foi desenvolvida pela canadense Linda Tellington-Jones e está consolidada há décadas, onde o objetivo principal é oferecer maior segurança para o animal. Ela consiste em colocar uma faixa ao redor do pescoço, costelas, costas e abdômen do pet, ao estilo daqueles slings infantis. O princípio é o mesmo, quando a faixa abraça o corpo do bebê e ele fica próximo à mãe ou o pai, por exemplo, ele se sente seguro. Da mesma forma com os cães, ao passar a faixa por algumas partes do corpo e dar uma leve compressão nos músculos, a circulação sanguínea aumenta, consequentemente, também a oxigenação dos tecidos, o que ajuda a aliviar os momentos de tensão. Mas lembrando, essa compressão precisa ser leve, pois de forma diferente pode machucar o animal. Esse método tem uma eficácia boa e comprovada por estudos, mas, para que funcione, é necessário testar com o animal de forma gradativa e tranquila, lembrando sempre do reforço positivo. Cada organismo reage de uma forma, então descubra com o que seu pet mais se sente confortável.

6- Caso o tutor não passe a noite da virada em casa, como garantir que o pet ficará seguro?

É importante frisar que, para o pet, o tutor é quem lhe dá segurança, ou seja, estar sozinho causa ainda mais estresse para ele. Por isso, caso seja a primeira vez que está com esse animalzinho ou já sabe que ele apresenta sinais de estresse com fogos ou barulhos altos, eu não recomendo deixar ele sozinho em casa nessa época do ano. Tem pets que tem verdadeiros traumas, que chegam a vomitar, a entrar em convulsão e até vir a óbito. São casos complexos e que precisam que o tutor esteja junto durante esses momentos, para tranquilizar o seu pet. Nos demais, se você conhece seu animalzinho e sabe como lidar com a situação, então siga as recomendações de preparo da casa, janelas fechadas, som ambiente e com o cantinho dele pronto.

7- Há medicações que minimizam a situação? Em qual caso seria necessário usar esse recurso?

Existem desde florais e opções naturais que podem amenizar, até medicações mais fortes, mas qualquer medicação precisa ser dada pelo médico veterinário credenciado e que atue de acordo com as normas previstas. Não é recomendado de forma alguma fazer isso sem o acompanhamento do médico veterinário, pois apenas o profissional regulamentado tem capacidade de analisar o paciente e verificar a melhor opção de tratamento. Dependendo do diagnóstico da causa ele pode indicar um adestrador ou passar orientações, dar dicas, técnicas, truques, que podem ser feitos para amenizar esses sinais, mas cada caso precisa ser muito bem avaliado. Por isso, procure o médico veterinário de confiança, que ele dará a melhor orientação e para que você também possa aproveitar as festas de final de ano com a certeza que seu melhor amigo está bem.

Fonte: UniAvan

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