A crise na cadeia do leite afeta diretamente a agricultura familiar, levando milhares de produtores a abandonar a atividade/ Foto: CNA
A crise na cadeia do leite afeta diretamente a agricultura familiar, levando milhares de produtores a abandonar a atividade/ Foto: CNA

Faesc apoia medidas para fortalecer a cadeia do leite em 2024

Cadeia produtiva do leite foi impactada em 2023 por seca, enchente e importação sem controle

Na avaliação do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo, os transtornos que a cadeia produtiva do leite tem enfrentado as estiagens, enchentes e excesso de importação, recomendam a formulação de uma nova política pública para o desenvolvimento do setor.

LEIA MAIS: A Inteligência agrícola, por José Zeferino Pedrozo

O dirigente aponta que a excessiva importação de leite iniciada no primeiro semestre do ano passado achatou a remuneração do produtor nacional, impactando negativamente a competividade do pequeno e médio produtor de leite. As importações brasileiras de lácteos da Argentina e do Uruguai, em 2023, praticamente dobraram.

O presidente observa que grande parte dos produtores rurais atua na área de lácteos e que a crise no setor derruba a renda das famílias rurais. A forte presença de leite importado no mercado brasileiro provocou queda geral de preços, anulando a rentabilidade dos criadores de gado leiteiro.

 Pedrozo defende um debate do setor produtivo com o Ministério da Agricultura e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar para a definição de medidas de fortalecimento da pecuária leiteira no País com foco no aumento da produção, no fortalecimento do pequeno e do médio produtor de leite.

Dessa forma será possível estimular, simultaneamente, a produção e o consumo, abrangendo a redução da tributação, combate às fraudes, criação de mercado futuro para as principais commodities lácteas, manutenção de medidas antidumping e consolidação da tarifa externa comum em 35% para leite em pó e queijo, além da utilização de leite e derivados de origem nacional em programas sociais.

José Zeferino Pedrozo, presidente da Faesc
José Zeferino Pedrozo, presidente da Faesc

O sindicalista reconhece que o governo vem adotando, desde o ano passado, medidas para mitigar os efeitos do aumento das importações de lácteos de países do Mercosul, como Uruguai e Argentina. Neste mês, inclusive, entrará em vigor a norma tributária que impede incentivos no âmbito do Programa Mais Leite Saudável, do Ministério da Agricultura, para indústrias que compram produtos estrangeiros. “Embora bem-intencionadas, as medidas são insuficientes”, avalia.

 Pedrozo alerta que a crise na cadeia do leite afeta diretamente a agricultura familiar, levando milhares de produtores a abandonar a atividade, que já registra forte concentração da produção em Santa Catarina. “Talvez uma das soluções seja regular a importação, criando gatilhos e barreiras para que seu exagero não destrua as cadeias produtivas organizadas existentes”, sugere.

 José Zeferino Pedrozo assegurou que os Sindicatos Rurais catarinenses estão dispostos a colaborar com ações e programas voltados para apoio, desenvolvimento e fortalecimento do setor de lácteos.

Fonte: MB Comunicação Empresarial

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