13/09/2026
A Rota da Cachaça – O Caminho dos Engenhos convida visitantes a mergulharem na história, na cultura e nos sabores que fazem parte da identidade da região
Rota da Cachaça – O Caminho dos Engenhos no Agreste - AL/Foto: Maely Silva - Bom Dia SC

Dia Nacional da Cachaça (13/09): destaca tradição de uma das bebidas mais emblemáticas do Brasil

Celebrada em 13 de setembro, o Dia Nacional da Cachaça relembra a trajetória de uma bebida que atravessa mais de cinco séculos e segue presente na gastronomia, na cultura e na economia do país

Bom Dia SC – O Brasil celebra neste domingo, 13 de setembro, o Dia Nacional da Cachaça. A data chama a atenção para a história de uma das bebidas mais tradicionais do país, cuja trajetória está ligada à própria formação econômica e cultural brasileira.

Produzida a partir da cana-de-açúcar, a cachaça está presente em diferentes regiões do território nacional e pode ser encontrada tanto em pequenas produções artesanais quanto em grandes marcas. Ao longo dos anos, deixou de ocupar apenas o espaço dos bares populares e passou a ganhar destaque também na gastronomia, na coquetelaria e no turismo.

Com mais de 500 anos de história, a bebida acumulou diferentes formas de produção, consumo e denominações. Atualmente, além de ser consumida pura ou em drinques, a cachaça também é utilizada em receitas e aparece em roteiros turísticos ligados à produção rural e à gastronomia.

Data remete a episódio do período colonial

A escolha do dia 13 de setembro está relacionada a um episódio ocorrido no Brasil colonial. Na época, a produção da bebida enfrentava restrições impostas pela Coroa Portuguesa, que buscava proteger o mercado de bebidas produzidas em Portugal.

A situação provocou reação entre produtores brasileiros e ficou conhecida como Revolta da Cachaça. Em 13 de setembro de 1661, uma autorização permitiu a produção da bebida, episódio que posteriormente passou a ser associado à celebração nacional.

A data representa, portanto, não apenas uma homenagem à cachaça, mas também um momento da história em que a produção brasileira entrou em conflito com interesses comerciais da metrópole.

Da produção nos engenhos aos alambiques artesanais

A origem da cachaça está relacionada ao desenvolvimento dos engenhos de açúcar durante o período colonial. O processo de produção da cana acabou levando ao desenvolvimento de bebidas destiladas, que posteriormente ganharam espaço entre diferentes grupos da população.

Com o passar dos séculos, a produção se espalhou por várias regiões brasileiras. Os métodos foram sendo aperfeiçoados e cada localidade passou a desenvolver características próprias.

Atualmente, os alambiques artesanais representam uma parte importante desse cenário. Em muitas propriedades, a produção mantém métodos tradicionais transmitidos entre gerações, ao mesmo tempo em que incorpora equipamentos e técnicas voltados ao controle de qualidade.

Rota da Cachaça
Rota da Cachaça – O Caminho dos Engenhos no Agreste – AL/Foto: Maely Silva – Bom Dia SC

Bebida ganhou espaço além dos bares

Durante muito tempo, a imagem da cachaça esteve fortemente associada ao consumo popular. Essa percepção começou a mudar com a valorização dos produtos artesanais e o crescimento do interesse por bebidas de origem e produção controladas.

O mercado passou a oferecer cachaças brancas, armazenadas e envelhecidas, com diferentes características de aroma, sabor e coloração. O tipo de madeira utilizado e o período de contato com o recipiente estão entre os fatores que podem influenciar o resultado final.

Esse movimento aproximou a cachaça de um público interessado em conhecer detalhes sobre a produção e comparar diferentes estilos da bebida.

Rota da Cachaça - Agreste - AL
Rota da Cachaça – Agreste – AL/Foto: Evandro Novak – TV Bom Dia SC

Madeira influencia características da cachaça

Uma das principais curiosidades sobre a cachaça está no processo de envelhecimento. A bebida pode ser armazenada em diferentes tipos de madeira, e cada uma delas pode contribuir para características específicas.

Carvalho, amburana, bálsamo e jequitibá estão entre as madeiras utilizadas por produtores brasileiros. O tempo de armazenamento e as condições do processo também interferem no perfil da bebida.

Por isso, cachaças produzidas com a mesma matéria-prima podem apresentar diferenças significativas dependendo do método empregado pelo produtor.

Cachaça e aguardente não são sinônimos perfeitos

Outra dúvida comum envolve os termos cachaça e aguardente.

Embora estejam relacionados, as denominações não são exatamente equivalentes. A cachaça é uma bebida destilada produzida a partir do caldo de cana-de-açúcar fermentado e possui características próprias. Já aguardente é uma categoria mais ampla de bebidas destiladas.

A diferença faz parte das especificações utilizadas para definir a identidade da cachaça e também ajuda a explicar por que a bebida possui uma denominação própria.

Caipirinha é um dos principais símbolos

A relação entre cachaça e caipirinha é um dos elementos mais conhecidos da cultura gastronômica brasileira.

Preparada tradicionalmente com cachaça, limão, açúcar e gelo, a caipirinha se tornou um dos drinques mais conhecidos do país e ajudou a levar a bebida para outros mercados.

O sucesso do preparo também contribuiu para que a cachaça passasse a ser utilizada em diferentes combinações na coquetelaria, com profissionais criando receitas que exploram as características de cada rótulo.

Produto também movimenta o turismo

A produção de cachaça passou a integrar roteiros de turismo rural e gastronômico em diferentes partes do país.

Em algumas regiões, os visitantes podem conhecer plantações de cana, acompanhar etapas da fabricação e visitar alambiques. A experiência permite conhecer não apenas a bebida, mas também o trabalho envolvido na produção.

Para pequenos produtores, o turismo representa uma possibilidade de agregar valor ao produto e aproximar o consumidor da origem da cachaça.

Conheça a Cachaçaria Família Quadros, uma experiência aliando a tradição e o bem viver/Foto: Vânia Monteiro
Cachaçaria Família Quadros em Itá/SC /Foto: Vânia Monteiro

Presença também chegou à gastronomia

A bebida deixou de ser utilizada apenas em drinques e passou a ocupar espaço em cozinhas profissionais.

A cachaça pode ser empregada em molhos, marinadas, sobremesas e diferentes preparações. Seu uso na gastronomia acompanha a valorização de ingredientes nacionais e a busca de chefs por produtos que tenham identidade regional.

A combinação entre cachaça e culinária brasileira também reforça a associação da bebida com a cultura e os sabores do país.

De onde vêm alguns dos apelidos da cachaça?

Ao longo de sua história, a cachaça recebeu uma grande quantidade de nomes populares. Pinga, caninha, branquinha e marvada são apenas alguns dos termos utilizados em diferentes regiões brasileiras.

A variedade de apelidos revela a presença da bebida no cotidiano e na linguagem popular. Muitos desses nomes foram transmitidos oralmente e permanecem presentes até hoje.

Essa característica diferencia a cachaça de outros destilados e mostra como ela se incorporou à cultura brasileira.

Foto: Vânia Monteiro
Cachaçaria Família Quadros em Itá/SC/Foto: Vânia Monteiro

Uma tradição que permanece atual

Apesar de sua longa história, a cachaça continua passando por transformações. A modernização da produção, a valorização dos pequenos alambiques e o interesse crescente por produtos artesanais abriram novos espaços para a bebida.

Ao mesmo tempo, métodos tradicionais continuam sendo preservados por famílias que mantêm a produção ao longo de gerações.

O resultado é um setor que reúne tradição e inovação, com produtos destinados a diferentes públicos e ocasiões.

Símbolo da cultura brasileira

O Dia Nacional da Cachaça coloca em evidência uma bebida que acompanha o Brasil há séculos. Sua história está relacionada à cana-de-açúcar, aos antigos engenhos, à produção rural e às transformações econômicas e culturais do país.

Presente na mesa, na gastronomia, na coquetelaria e nas festas populares, a cachaça se consolidou como uma das bebidas mais tradicionais do Brasil.

A data de 13 de setembro é, assim, uma oportunidade para conhecer melhor a trajetória do produto, valorizar os produtores e reconhecer a importância de uma bebida que, depois de mais de cinco séculos, continua fazendo parte da identidade brasileira.

Texto: Maythe Novak

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