Bom Dia SC – Em primeiro lugar, Celso Ramos ocupa lugar de destaque na história de Santa Catarina por ter unido, em sua trajetória pública, duas dimensões decisivas para o desenvolvimento do Estado: a liderança política e a liderança industrial. Nascido em Lages, em 18 de dezembro de 1897, pertenceu a uma família de forte tradição pública, sendo filho de Vidal Ramos e irmão de Nereu Ramos, duas figuras também expressivas da política catarinense e nacional. Sua vida, contudo, não se limitou à herança familiar. Celso Ramos construiu percurso próprio, marcado pela atuação empresarial, pelo espírito de organização institucional e pela defesa de um projeto de modernização para Santa Catarina.
No entanto, antes de se consolidar como homem público, Celso Ramos destacou-se no ambiente econômico. Atuou na agropecuária e, posteriormente, aproximou-se das atividades comerciais e industriais, compreendendo que Santa Catarina precisava organizar suas forças produtivas para alcançar maior protagonismo. Essa percepção foi fundamental em um período em que o Estado ainda buscava superar limitações de infraestrutura, formação profissional, integração regional e capacidade de planejamento. Sua liderança empresarial não se baseava apenas na administração de negócios, mas na construção de instituições capazes de representar a indústria catarinense e impulsionar seu crescimento.
Celso Ramos teve papel central na fundação da FIESC
Nesse contexto, Celso Ramos teve papel central na fundação da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, a FIESC, tornando-se seu primeiro presidente e conduzindo a entidade em sucessivos mandatos. Sua atuação à frente da Federação representou um marco para a organização do setor industrial catarinense, pois deu voz institucional aos empresários e fortaleceu a articulação entre produção, trabalho, educação profissional e desenvolvimento regional. Também esteve ligado à implantação dos Departamentos Regionais do SESI e do SENAI em Santa Catarina, instituições fundamentais para a assistência social ao trabalhador e para a formação de mão de obra qualificada.
Destarte, a importância de Celso Ramos como líder industrial está justamente em sua visão de futuro. Ele percebeu que a industrialização não poderia depender apenas da iniciativa isolada de empresários, mas exigia planejamento, formação técnica, infraestrutura e diálogo permanente com o poder público. Para ele, o desenvolvimento econômico deveria ser estruturado, com metas, estudos e prioridades. Essa mentalidade, amadurecida no ambiente empresarial, seria posteriormente levada para a administração pública, quando assumiu o Governo do Estado de Santa Catarina.
De outro vértice, eleito governador, Celso Ramos exerceu o mandato entre 1961 e 1966, período de grandes desafios políticos e administrativos. O Brasil vivia instabilidades institucionais, mudanças econômicas e intensos debates sobre os rumos do desenvolvimento nacional. Em Santa Catarina, seu governo ficou associado ao planejamento estratégico, especialmente por meio do Plano de Metas do Governo, conhecido como PLAMEG. Esse instrumento buscava organizar a ação estatal em áreas consideradas essenciais, como energia, transporte, educação, saúde, agropecuária e infraestrutura.
O PLAMEG, mormente, expressava uma concepção moderna de governo. Em vez de uma administração improvisada, baseada apenas em respostas pontuais, Celso Ramos procurou instituir um método de planejamento. A ideia era identificar as necessidades do Estado, definir prioridades e orientar os investimentos públicos de maneira racional. Essa postura aproximava sua atuação política de sua experiência industrial: em ambos os campos, valorizava a organização, a eficiência, a formação técnica e a visão de longo prazo.
À frente da Administração Pública, Celso Ramos compreendeu que a industrialização de Santa Catarina dependia da melhoria das condições estruturais do Estado. Não haveria indústria forte sem energia, estradas, escolas técnicas, saúde pública, crédito, planejamento urbano e integração entre as diferentes regiões catarinenses. Por isso, sua administração buscou articular desenvolvimento econômico e ação governamental. A política, para ele, deveria servir como instrumento de construção material e institucional, não apenas como espaço de disputa partidária.
Outrossim, a sua trajetória também revela a transição de Santa Catarina para uma etapa mais planejada de desenvolvimento. O Estado, historicamente marcado por economias regionais diversas, como a agropecuária serrana, a madeira, a pesca, o comércio e pequenas indústrias, precisava de lideranças capazes de integrar essas potencialidades. Celso Ramos representou esse esforço de integração. Sua experiência na Serra, sua atuação empresarial e sua presença na política estadual permitiram-lhe compreender diferentes realidades catarinenses.
Após o governo estadual, Celso Ramos ainda exerceu mandato de senador, entre 1967 e 1974, mantendo-se como figura relevante da vida pública catarinense. Sua passagem pelo Senado reforçou sua condição de liderança política para além dos limites estaduais, embora seu nome permaneça especialmente associado à história de Santa Catarina. Faleceu em 1996, aos 98 anos, deixando legado reconhecido tanto no setor público quanto no setor produtivo.
Entretanto, o legado de Celso Ramos pode ser compreendido pela capacidade de unir pensamento econômico e responsabilidade pública. Como líder industrial, ajudou a consolidar entidades que até hoje têm papel fundamental na representação empresarial, na qualificação profissional e no desenvolvimento produtivo. Como líder político, procurou transformar a experiência administrativa e empresarial em políticas públicas estruturantes. Essa combinação fez dele uma figura singular: um homem que enxergava a indústria não apenas como setor econômico, mas como força de transformação social.
Por conseguinte, foi mais do que um governador ou dirigente industrial. Foi um articulador de instituições, um defensor do planejamento e um agente de modernização. Sua trajetória demonstra que o desenvolvimento de um Estado não ocorre por acaso, mas pela soma de liderança, organização, visão estratégica e capacidade de execução. Ao aproximar indústria e poder público, Celso Ramos contribuiu para preparar Santa Catarina para novos ciclos de crescimento.
Em epítome, ao recordar Celso Ramos como líder político e industrial, reconhece-se a importância de uma geração que pensou o desenvolvimento de forma ampla. Seu nome permanece vinculado à construção de uma Santa Catarina mais organizada, produtiva e consciente de suas potencialidades.
Por final, em sua vida pública e empresarial, deixou como exemplo a compreensão de que a política deve planejar o futuro, e a indústria deve participar da construção coletiva do progresso.






















